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Uma lição de promoção e serviços, em 1929

Fotos: Divulgação

 

Por www.Fordparatodos.com.br

A história registra que, em 26 de maio de 1926, o Ford T deixou de ser produzido, nos Estados Unidos, pelo simples motivo da vertiginosa queda nas vendas, depois de, exatamente, 15.458.781 unidades colocadas no mercado mundial desde 1º de outubro de 1908. A partir de 1913, com a introdução do sistema da linha de montagem, a produção cresceu rapidamente e alcançou números antes inimagináveis.

Todavia, os concorrentes aceleraram o passo e Henry Ford correu para construir o seu substituto, o modelo A, que foi lançado no dia 27 de outubro de 1927, um carro muito superior ao seu antecessor.

É aqui que começa a história da lição de prestação de serviços no pós venda e marketing de uma modesta oficina independente do interior dos Estados Unidos, que percebeu o imenso volume de Ford T, cerca de oito milhões de unidades, ainda na ativa naquela época. Esse era o nicho ideal para uma pequena oficina oferecer seus serviços, pois em algum momento esses veículos precisariam de assistência técnica.

Na época, é claro, não havia meios de divulgação em massa, só mesmo os correios. E foi por aí que a tal oficina se propôs a oferecer seus serviços aos proprietários dos Ford T.

A curiosidade de um texto de cartão postal de 1929, enviado por  Francisco Satkunas, ex-engenheiro chefe da GM, de São Caetano do Sul, ao Blog AUTOentusiastas, virou matéria pelas mãos de Bob Sharp, jornalista especializado e de elevada sensibilidade para assuntos de antigomobilismo.

A melhor forma encontrada para o emocionante relato das atividades da oficina foi um cartão postal enviado para antigos clientes do Ford T, uma verdadeira aula de simplicidade e objetividade.

No verso do cartão ainda é legível o seguinte texto datado de 29 de junho de 1929:

Prezado Senhor,

Enviamos esta carta porque queremos ajudá-lo a tirar o máximo de seu Modelo T.

Ele ainda é um carro tão bom quanto era no dia em que o novo Ford Modelo A foi anunciado e não há razão para descartá-lo. O Ford Modelo T ainda é utilizado por mais pessoas do que qualquer outro automóvel e ainda poderão ser usados por um, dois, três ou cinco anos e até mais que isso. Traga-nos seu carro e deixe-nos dar uma olhada nele. Você se surpreenderá em ver como custa pouco colocá-lo em perfeito estado.

Para-lamas novos, por exemplo, custam de $3.50 a $5.00 cada, com mão de obra de $1.00 a $2.50. Regular o motor e trocar a caixa do comutador, escova e contatos de vibração custa apenas $1.00, com uma pequena cobrança de material. A descrição dos possíveis serviços continua pelas sapatas de freio que poderão ser instaladas e freios de emergência equalizados por um custo de mão de obra de apenas $1.25. A mão de obra de $4.00 a $5.00 cobrirá o serviço de recondicionamento do eixo dianteiro, colocação de novas buchas nas molas e nos varões, e o trabalho de  desentortar, alinhar e ajustar as rodas.

A mão de obra para recondicionar o eixo traseiro, em média, vai de $5.75 a $7.00. O serviço de esmerilhar as válvulas e descarbonizar podem ser feitos por $3.00 a $4.00. Como a propaganda sincera é a alma do negócio, o texto explicava, ainda, que um jogo de pistões e anéis novos custavam apenas $7.00. Por um custo de mão de obra de $20 a $25.00, você poderá ter o motor e a transmissão completamente revisados. Peças são à parte.

Atenciosamente,

C. R. Gleason Co. – Bottineau, North Dakota”

Um simples cartão postal continha uma absoluta e bem explicada promoção de serviço, com o cuidado de informar os preços para algumas operações. Uma ação fantástica para a meditação de todos os que trabalham com o importantíssimo segmento serviços e de pós-vendas,  especialmente por ser algo que se passou ainda na segunda década do século passado. Uma grande lição de “Clientes para Sempre”.

Como referencial, em relação aos preços ofertados, é importante lembrar que o Ford T começou a ser vendido por 850 dólares, no seu lançamento, e no fim da sua linha de montagem era comercializado por apenas 265 dólares.

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