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Troca de carro médio por carro econômico

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Primeiramente me apresentando, meu nome é Rubens, tenho 34 anos, moro em Belo Horizonte, sou funcionário público e apaixonado por carros e motos.

Hoje estou aqui para dividir com vocês uma experiência recente. Devido ao absurdo preço do combustível praticado em nosso país, me vi em uma situação em que comecei a cogitar a troca do meu carro, na ocasião um Focus Sedan 2.0, automático, ano 2013, por um carro mais econômico.

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Sobre o Focus, considero um carro fantástico, seu consumo fica em torno de 8km/l na cidade e 11km/l na estrada, sempre na gasolina, consumo que considero normal para a categoria, visto que se trata de um sedan médio, com motor bom, mas que não tem nenhuma tecnologia mais atual (como injeção direta) e com câmbio automático antiquado de 4 marchas (porém competente) e conversor de torque. Acontece que gastar em média R$ 1000,00 de combustível por mês começou a tirar a graça da coisa, ainda mais com as previsões nada animadoras de novos aumentos ao longo do ano.

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Sendo assim, começou um trabalho de muita pesquisa. Felizmente, a escolha de qual carro seria seu substituto não foi difícil, levando em consideração os seguintes pré-requisitos:

  • Valor até R$ 50.000;
  • Diferença de consumo realmente significante, pois se fosse para economizar 10%, 20% de gasolina não seria realmente significativo no bolso;
  • Cambio manual descente (pois as opções avaliadas com câmbio automático passariam do orçamento ou são carros com desempenho fraco);
  • 0km ou seminovo com no máximo 5000km;
  • Marcas mais aceitas no mercado pensando na revenda;
  • Desempenho pelo menos próximo de um carro com motor 1.6, por questões de segurança, uma vez que um carro 1.0 carregado é muito limitado em uma ultrapassagem na estrada, e principalmente porque não queria correr o risco de morrer de tédio.

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Assim cheguei ao Up! TSI. Em anos acompanhando jornalismo automotivo, nunca vi um carro com tantas avaliações positivas. Um excelente desempenho, câmbio com a qualidade inquestionável VW, qualidade de construção, enorme rede de concessionárias, segurança, preço a partir de R$ 42.000, e por último e mais importante, o carro mais econômico do país. Assim bati o martelo depois do segundo test-drive, seria esse o novo bólido a habitar minha garagem. Fiz a opção pela versão de entrada (Movw Up!) com pacote de opcionais PA6 que incluía sensor de estacionamento, farol de neblina e roda aro 14 de liga leve. Como acessórios ainda coloquei vidros elétricos traseiros e módulo de subida automática dos vidros.

Não quero fazer um comparativo entre os carros, até porque as diferenças são obvias pois são carros de categorias diferentes, e sim tentar descrever a experiência de fazer uma escolha mais racional financeiramente falando e como se deu essa adaptação.

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Confesso que não morro de amores pelo designe, mas o simples me agrada. Simples também é o interior, poucos mimos para os ocupantes, coisa que é impossível não reparar, pois meus dois carros anteriores ao Focus eram um Corolla Xei 2011 e um Fiat Bravo 2014. Mas já esperava por isso, tentando me convencer que quando se faz uma escolha racional, menos é mais. Repeti isso como um mantra várias vezes.

Câmbio manual: esse foi o único ponto que me fez pensar várias vezes sobre essa troca, sempre falei que nunca mais voltaria ao câmbio manual depois de experimentar o conforto de uma transmissão automática. No primeiro dia com o carro, retirando da concessionária, encarei um enorme congestionamento na BR 381 (Rodovia Fernão Dias) e já de cara fiz a prova de fogo. Com o passar dos dias, posso dizer que continuo sentindo muita saudade do câmbio automático, mas o câmbio da VW é uma obra prima e me fez sentir novamente prazer em usar os três pedais (em situações de pouco trânsito). Apenas para entenderem o contexto da situação, apesar de trabalhar em uma cidade grande, são 16km de casa ao trabalho e geralmente pouco trânsito, se fosse uma situação mais complicada não teria feito a troca.

Espaço interno e porta malas: em relação a espaço interno, o Focus também não era referência no assunto, mas o porta malas grande sempre foi muito bem utilizado. Não tenho filhos, mas tenho dois cachorros (um de porte médio e um porte grande) que me acompanham quase sempre nas viagens, e tenho uma esposa que não mede esforços para garantir sempre a lotação máxima da viatura. Conversando sobre isso chegamos a conclusão que conseguiríamos nos adaptar reduzindo bagagem e assim foi feito. Até então não estamos vendo grandes problemas. No entanto, é certo que no momento em que tivermos um filho, com certeza o UP será o segundo carro e vamos ter um maior para viajar.

Desempenho: Aí é covardia, mesmo comparando com um 2.0. Impressionante como anda o pequeno Up! Apesar de não ser um abismo de diferença no desempenho, o torque abundante desde baixa rotação gerado pelo pequeno turbo torna a experiência de dirigir muito mais gostosa. Downsizing e turbo vieram para ficar na minha garagem.

Estabilidade: O Focus tem uma direção bastante direta, rodas aro 16, comportamento dinâmico exemplar, um carro literalmente feito para fazer curvas. O Up! já tem uma direção menos direta, um acerto de suspensão mais mole com uma perceptível rolagem de carroceria e “pneus de bicicleta” finos e de baixo atrito. Precisei aprender a fazer uma tocada mais conservadora nas curvas pois ao menor sinal de abuso já começa a cantoria de pneus e uma sensação de que o limite está próximo. Quem gostou foi minha mulher que agora não precisa mais monitorar minha velocidade, em curvas.

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Freios: perdi nesse quesito também, não que os freios do Up! sejam ruins, mas os pneus finos prejudicam muito a frenagem pois tem menos área de contato, no Focus parecia uma âncora.

No consumo a diferença é gritante, pelos números que consegui, estou fazendo uma economia bastante significativa e justificando a troca. Seguem os dados:

Consumo na cidade, com gasolina comum, relevo acidentado de Minas Gerais, ar condicionado ligado 80% do tempo, duas pessoas, um trajeto de 50km/dia (só levando em conta a ida e volta para o trabalho):

 

 

Focus: média de 8km/l

 

Up! TSI: média de 14km/l

 

Consumo na estrada, duas pessoas, dois cachorros que somam 50kg, bagagem, com gasolina comum, relevo acidentado de Minas Gerais, ar condicionado ligado 100% e andando a uma velocidade de cruzeiro em torno de 110/120 km/h.

 

Focus: média de 10,5km/l

 

Up! TSI: média de 18km/l

 

De resto, questões como falta de sensor de chuva, sensor crepuscular, partida sem chave e outros pormenores, não tiraram meu sono.

Minha conclusão final é que a troca foi positiva. Colocando na balança os prós e contras, perdi o câmbio AT, o espaço de porta malas, um comportamento dinâmico elogiável e alguns mimos de conforto, em compensação ganhei em desempenho, na economia de combustível que me poupa em torno de R$ 400,00/mês, meus pneus serão a metade do preço, a manutenção é mais em conta e o seguro foi R$ 800,00 mais barato. Se você compra carro apertando painel ou contando quantos porta-objetos tem, se gosta de ver um festival de luzes acesas, se gosta de um carro com visual arrebatador para ter status, você vai torcer o nariz para o Up!. Se você compra um carro pensando no prazer em dirigir sem que este carro lhe custe um rim, se pensa em custo benefício, se não tem necessidade de espaço, o Up! É uma excelente compra.

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