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Terá a indústria global que descobrir novas formas de fabricar e vender carros elétricos?

Foto: Divulgação

Fabricantes e governos de diversas partes do mundo dizem que, apesar dos esforços, as vendas de carros elétricos não decolam. Os principais motivos apontados para a baixa participação de mercado são: preço elevado dos VEs, baixa autonomia da bateria, tempo longo de recarga e falta de infraestrutura nas cidades (poucos pontos de abastecimento).

Naturalmente, para cada item acima apontado, há boas explicações e ninguém duvida de que elas procedem. Naturalmente, a iniciativa privada precisa gerar lucro e os governos condições adequadas para a sociedade e organizações. A indústria alega precisar de grandes volumes de vendas para reduzir custos e os governos desejam ver os carros nas ruas para implementar a infraestrutura necessária.

É mais ou menos neste contexto (do ovo e da galinha) que o carro elétrico vem tentando ganhar as ruas em maior volume. Mas, será mesmo que todos os envolvidos estão fazendo o máximo para que o VE seja maioria? Pode ser que sim ou não, isso só o tempo dirá.

No entanto, é inegável que governos, a exemplo dos Estados Unidos, alguns países da Europa, Ásia e Oceania estão investindo e agindo para que haja infraestrutura compatível. Igualmente, há também fabricantes que aparentemente se dedicam mais do que outros para alcançar a meta de tornar os VEs comercialmente viáveis. Como é, por exemplo, o caso da aliança Nissan-Renault e Tesla. Elas dominam as vendas e a mídia global de carros elétricos.

Naturalmente, muitas outras montadoras têm projetos e até carros elétricos sendo comercializados. Porém, será que essas empresas dão ao carro elétrico tratamento de produto best seler ou é ele apenas mais um item na linha de montagem? Se o carro elétrico é realmente importante porque até hoje não existe um padrão universal de tomadas? Se ele é realmente prioridade como explicar o interesse de apenas meia dúzia de montadoras entre mais de cem existentes?

Ainda que tivéssemos respostas convincentes para as questões acima, ainda assim poderíamos questionar: se o carro elétrico fosse a única opção da indústria, será que depois de 150 anos estaria no estágio que está? Naturalmente não, mas se há outros produtos mais rentáveis e que exigem menos esforços, é nele que serão concentrados todas as energias. Nada anormal, pois afinal de contas, é assim mesmo que as coisas funcionam no mundo capitalista.

Saindo do campo da produção para examinar a política comercial, podemos indagar: estão os apelos de marketing alinhados com os novos conceitos do VE? Estará sendo destinado ao VE verba compatível aos grandes lançamentos da indústria automobilística global? O marketing do carro elétrico é tão inovador quanto o produto ou obedece métodos tradicionais?

É natural que nenhuma organização com fins lucrativos vai direcionar volumosos recursos para criar anúncios com grandes apelos e investir na mídia se não há produção e preço de venda adequados. Então, se é assim, será que o carro elétrico veio como solução definitiva ou algo passageiro que logo será esquecido como ocorreu em pelo menos duas outras ocasiões?

Seja qual for o pensamento predominante, é preciso considerar que as vendas de VE, apesar de reagirem lentamente, estão crescendo. Basta constatar que na Europa foram vendidos no três primeiros meses de 2013, 3.785 unidades de carros elétricos, contra 2.723 no mesmo período do ano anterior, representando crescimento de 39%. Além disso, em quase todas as partes em que o carro elétrico está sendo comercializado, as vendas têm crescido.

Diante deste quadro, os governos precisam decidir se o carro elétrico é ou não prioridade, e trabalhar em conjunto com a iniciativa privada, pois sozinha dificilmente uma das partes poderá fazer dele um sucesso de vendas.

Afinal de contas, o desenvolvimento de nova tecnologia exige elevado investimento em pesquisa, desenvolvimento, infraestrutura e com o carro elétrico não será diferente. Logo, os governos que realmente apostarem no veículo elétrico precisam regulamentar o assunto indicando as diretrizes e políticas públicas adequadas, para que a iniciativa privada tenha segurança em investir. Foi assim com os carros equipados com motores de combustão interna, que com mais de cem anos de existência, continuam contando com incentivos de alguns governos.

*Escritor, conferencista e Diretor do Instituto das Concessionárias do Brasil

Fonte: verdesobrerodas.com.br

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