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Spyker C8: Vai encarar?

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Nederland. Ou Netherlands. Ou, o mais correto, Neder + Lant, literalmente País Baixo, mais conhecido no idioma lusitano pelo topônimo Holanda, resultado da composição de Holt + Lant, algo como País dos Bosques. A transcrição fonética e o “aportuguesamento” do nome do país bagunçou sua etimologia (mesmo erro cometido com o uso de Inglaterra para se referir a todo o Reino Unido ou Rússia como sinônimo de União Soviética), já que a Holanda consiste em apenas 2 das 12 províncias dos Países Baixos, que tem esse nome por sua baixa altitude, com 27% de sua área situados abaixo do nível do mar. Banhada pelo Mar do Norte e situada entre a Bélgica e a Alemanha, a Holanda nos remete imediatamente à Amsterdã e sua liberalidade, aos moinhos de vento, tulipas, vacas leiteiras, queijo e todo mundo andando de bicicleta. Mas tem mais, muito mais!

Como a Spyker Cars N.V. (Naamloze Vennootschap, Sociedade Anônima), por exemplo. Não, ao contrário do que se pensa, a empresa não tem absolutamente nada a ver com a Spyker de Jacobus e Hendrik-Jan Spijker, que também fabricava carros e aviões, fechada em 1929. O que o multimilionário Victor Roberto Muller fez foi adquirir o direito de utilizar a marca registrada em 1880 para sua nova fábrica, cujo objetivo é construir artesanalmente carros superesportivos sem os “defeitos” que Muller alega sempre encontrar nos modelos concorrentes, uma espécie de “remake” em versão Dutch do descontentamento de um fabricante de tratores com os defeitos de sua Ferrari, que gerou a Lamborghini. Assim, em 1999, com a chegada do projetista Maarten de Brujin, nasceu a Spyker Cars, sediada em Zeewold, Flevoland, com o lançamento do modelo C8, o carro-chefe da empresa até os dias de hoje, com suas variantes Spyder, Spyder T, Laviolette, Laviolette LM85, Laviolette Double 12S, Laviolette Double 12R, Spyder GT2-R, Laviolette GT2-R, Aileron, Aileron Spyder e Aileron GT, todos 2 portas e 2 lugares, variando apenas entre conversível e coupé.

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O C8 Spyder foi o modelo-base para todas as versões, com o início de sua produção em 2.000, sendo as versões Aileron, Aileron Spyder e Aileron GT as três últimas criadas, que apresentam maior distância entre-eixos dos demais C8 produzidos. Com arquitetura RMR (rear mid-engine, rear-wheel-drive, motor traseiro central, tração traseira) e construído em alumínio e fibra de carbono, o C8 Spyder utiliza motor Audi V8 4,2 litros com 400 Cv de potência, acoplado a um câmbio manual de seis velocidades, que o leva rapidamente (4.4s) aos 300 km/h de velocidade máxima, com um estrondo capaz de acordar os vizinhos dos quarteirões mais distantes. O que a Audi esconde a Spyker escancara. Para a versão T do Spyder, o motor ganhou um retrabalho e registra 600 Cv de potência e velocidade máxima de 345 km/h, afinal o carro pesa, em média, 1.250 kg, resultando em uma relação peso x potência de míseros 2.08 kg por Cv. O C8 Laviolette é a versão coupé do modelo, com um elegante teto de vidro, e utiliza o trem de força do Spyder básico, enquanto o Laviolette Double12R foi criado como um carro de corridas especificamente para as 24 Horas de Le Mans, com a variante Double12S sendo a versão “de rua” e atingindo 345 km/h de velocidade máxima. As versões GT2 e LM85 tanto do Spyder quanto do Laviolette e Aileron GT são específicas para as competições.

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O design é praticamente idêntico em todas as versões, com linhas limpas, arredondadas e agressivas (em nenhum momento parecendo a “mistureba” comum aos superesportivos, que sempre parecem agregar pedaços de vários modelos em um só) e elegantes, embora sofra um pouco da síndrome da traseira mal resolvida, com linhas ao estilo ame-ou-odeie.

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Internamente, o Spyker C8 é o que se pode esperar de um superesportivo, revestido com couro da melhor qualidade e, ao contrário da tendência da fibra de carbono por toda parte, seu painel é feito inteiramente em alumínio, com todos os comandos e difusores simulando o cockpit de um avião de caça, uma alusão aos tempos em que a Spyker construía aeronaves.

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Obviamente, como todo superesportivo, não se pode pensar em utilizá-lo no dia a dia normal, porque é barulhento, tem suspensões duras e o nível de conforto, independente do luxo e requinte dos materiais, é exatamente o que se busca em um carro de desempenho absurdo. Assim como o nível de exposição de quem o possui é elevado à 8ª potência, por ser impossível um Spyker C8, em qualquer versão, passar despercebido. E isso tem um preço, que começa em £188.000 – é, cento e oitenta e oito mil Libras, algo em torno de R$ 1.100.000,00 – lá na Europa, onde um helicóptero Robinson R22 custa £150.000…

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