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Por que o carro elétrico ainda não pegou, como o celular?

Foto: Divulgação

Não raro aparece alguém para afirmar que o carro elétrico não pegou. Normalmente, esse tipo de alegação se baseia na baixa participação das vendas de veículos elétricos e híbridos. Afinal de contas, juntos eles representam menos de 3% das vendas.

Aliás, há quem compare o sucesso das vendas de outros produtos, para prever que os VEs não terão sucesso. Por exemplo, vez por outra ouço alguém perguntar: por que os VEs não estão tendo o mesmo sucesso de vendas que tiveram os computadores e aparelhos de celulares?

É necessário algumas considerações. Primeiro, há poucas ofertas de modelos de carros elétricos disponíveis no mercado. Atualmente, temos meia dúzia de carros 100% elétricos fabricados em massa, contra mais de três mil modelos a combustão interna. Se não há oferta, como esperar que os clientes comprem. É preciso ainda levar em conta que há globalmente, em torno de duzentas montadoras produzindo veículos de combustão interna, contra menos de meia dúzia de fabricantes de carros elétricos.

Como se não bastasse, fica parecendo que a indústria quer que os clientes comprem o carro elétrico antecipadamente e por valor superior aos concorrentes a combustão interna.  Se for isso mesmo, não faz nenhum sentido, faz? Afinal de contas, tal fato não acorreu com os celulares, computadores ou qualquer outro produto. Naturalmente, enquanto não houver ampla oferta de modelos, infraestrutura adequada e grande interesse, dificilmente vamos ter uma participação expressiva dos veículos elétricos e híbridos nas vendas globais.

Também, é preciso considerar que nos casos dos computadores e celulares os modelos que estavam sendo ofertados não sofriam concorrência predatória. O que quero dizer é que não havia outros modelos na gama de produtos da empresa competindo em condições privilegiadas, como ocorre com os VEs, já que no caso o produto best seller é o carro de combustão interna, com mais de um século no mercado.

Não se deve generalizar, mas fica parecendo que o carro elétrico é como se fosse o “filho feio” da indústria automobilística. Agora eu pergunto: se o carro elétrico fosse a única ou a melhor opção dos fabricantes, você acha que as vendas estariam no patamar que estão ou nas alturas? Se houvesse o mesmo número de fabricantes de carros 100% elétricos e a combustão interna, estariam os VEs com os atuais volumes de vendas?

*Escritor, conferencista e Diretor do Instituto das Concessionárias do Brasil

Fonte: verdesobrerodas.com.br

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