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O jipe Russo Niva é sua evolução

Fotos: Divulgação e Renato Pereira

A história conta que, ao final da Segunda Guerra Mundial, a Europa estava em ruínas e, em uma divisão de irmãos que se detestam, foi ocupada pelos exércitos dos Estados Unidos e Rússia, cujos poderes sobre o restante do mundo eram tão abismais que se transformaram  em um sistema global centrado em suas decisões, sempre contraditórias. Os norte-americanos bonzinhos insistiam na economia capitalista, argumentando era a representação da democracia e da liberdade. Os russos malvados queriam o comunismo, jurando estar assim defendo o proletariado e a solução dos problemas sociais.

Desse jeito, influenciado por duas doutrinas totalmente díspares, o mundo foi dividido em dois blocos liderados cada um por uma das superpotências, ficando assim: Europa Ocidental, América Central e América do Sul nas mãos dos Estados Unidos; Leste Asiático, Ásia central e Leste europeu sob a batuta da Rússia. Polarizaram o mundo em em duas ideologias opostas: o Capitalismo e o Comunismo.

Estes casamento natimorto tanto não podia dar certo que criou-se, então o que ficou conhecido como Guerra Fria, aquele longo período histórico de disputas estratégicas e conflitos indiretos entre os Estados Unidos e a União Soviética. A designação Fria é porque não houve de fato guerra nenhuma entre os países, tudo se resumiu a armações, mentiras, engambelações e ameaças infundadas. Mas ambas as nações participaram (e criaram) ativamente de guerras entre diversos países sob suas “proteções”. Durante este período, a disputa ideológica entre os dois blocos foi acirrada, e as duas superpotências fizeram grandes esforços de propaganda política no intuito de conquistar o apoio mundial, concentrando sua propaganda política-ideológica em duas frentes: desacreditar a ideologia e as ações do adversário e, ao mesmo tempo, convencer a opinião internacional de que seu sistema político, econômico e sócio-cultural era o melhor.

Mas o tempo passou, gastaram-se Himalaias de Dólares e Rublos, nada deu muito certo, o mundo ficou de saco cheio com esses caras e então, em 1989, Mikhail Gorbachev mandou as favas as idéias estapafúrdias de Josef Stálin e apertou a mão do não menos maluco Ronald Reagan, abriram a Cortina de Ferro e os dois países ficaram amiguinhos de infância. De mentirinha, claro, porque ambas as nações continuam se detestando. E lá vem a pergunta: e o que diabos tudo isso tem a ver com automóveis, uma vez que o Car Point News é um veículo de comunicação especializado nesse assunto? Simples:

Voltando no tempo 1: Em 1908 William Crapo Durant fundou a General Motors Company em Flint, Michigan, empresa que em 1911 era dona das marcas Cadillac, Buick, Pontiac, Oldsmobile e da fábrica criada em conjunto com Louis Chevrolet. Como todos os carros produzidos nos Estados Unidos, seus modelos eram enormes, confortáveis, luxuosos, com excelente acabamento, beberrões, excelentes no asfalto mas nem tanto na lama e na neve, os veículos norte-americanos sempre foram desejados em todo o mundo, inclusive pelos habitantes do bloco soviético.

Voltando no tempo 2: Em 1960, em colaboração com a italiana Fiat, o governo da União das Repúblicas Soviéticas fundou a VAZ – Volzhsky Avtomobilny Zavod – que, dada a impossibilidade de se pronunciar esse nome, ficou comercialmente conhecida como Lada. O mundo automobilístico se lembra bem dos Lada. Tanto que a empresa foi, novamente, rebatizada, agora como  AvtoVAZ – Avtomobili Volzhskogo Avtomobilnogo Zavoda, ou seja, complicou ainda mais do que antes. Beleza, conforto, luxo e bom acabamento jamais fizeram parte do dicionário russo no que diz respeito à indústria dos transportes em geral. Navios, aviões, tratores, caminhões e automóveis variam entre medonhos e horríveis, não estimulam o desejo de compra em ninguém, mas funcionam em qualquer condição.

Avançando no tempo: Em 1998, aquela animosidade toda, aquela intolerância ampla, total e irrestrita entre os “Ianques” e os “Ivans” foi pras cucuias, e criou-se a GM-AvtoVAZ, uma joint venture Russa-Norte Americana entre a AvtoVAZ e a General Motors, que produz o Chevrolet Niva (esqueça aquela tranqueira que importaram para o Brasil, é outro carro, mas com o mesmo nome) na fábrica em Tolyatti, divisão federal de Samara, na margem esquerda do Rio Volga,distante pouco mais de 1.000 quilômetros de Moscou. Mas o que será que levou dois povos que se detestam e querem mais que o outro se dane a se juntarem em uma empreitada de milhões de Dóares? Simples: Os milhões de Dólares!

O dinheiro aqui falou alto, muito alto, e aquela teoria leninista de que ser pobre e degradado é o ideal foi para o ralo. Para que a GM-AvtoVAZ se tornasse realidade, a General Motors e a AvtoVAZ entraram com U$ 99.1 milhões de Dólares cada uma, detendo respectivamente 41,61% das ações da companhia, enquanto o EBRD – European Bank for Reconstruction and Development (Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento) complementou o orçamento com U$ 40 milhões de Dólares, detendo 16,78% das ações e liberando uma linha de crédito de U$ 100 milhões de Dólares. Assim, mais de 1.500 funcionários russos descobriram como é bom trabalhar e receber um salário digno que os permita viver como seres humanos civilizados.

O primeiro produto saido das linhas de montagem da GM-AvtoVaz foi o Chevrolet Viva, uma espécie de Opel Astra “russilizado”, que acabou não dando certo, vendeu menos de 5.000 unidades e chega, é hora de parar com o prejuízo. Então, veio a acertada ideia de unir o útil ao necessário e agradável. Na maior parte do Leste Europeu, quando não está chovendo está nevando. Logo, nada melhor do que um modelo SUV para encantar os consumidores ávidos por um veículo que consiga levá-los de A a Z sem surpresas desagradáveis. E o modelo escolhido foi o Chevrolet Niva, inicialmente batizado como VAZ-2123, pequeno utilitário esportivo muito conhecido aqui no Brasil, primeiro como Suzuki Gran Vitara e posteriormente como Chevrolet Tracker.

Desde seu lançamento, o Chevrolet Niva utiliza o antigo motor VAZ 2121 4 cilindros em linha, 1,7 litros, aspirado, a gasolina, atualizado com a eliminação do carburador e a adição de injeção eletrônica de combustível. Uma versão com motores Opel Ecotec 1,8 litros foi cogitada, mas parou por aí quando a linha de montagem dessas unidades, na Hungria, foi desativada. A transmissão manual de 5 marchas, tração seletiva nas 4 rodas e demais conjuntos mecânicos do antigo Niva permaneceram, o que acabou por conferir uma capacidade off-road exemplar, superior a muitos SUV mais modernos e caros, por ter sido concebido para superar terrenos pouco recomendáveis para trafegar. Vestido com a nova carroceria, o Chevrolet Niva agradou em cheio! Em 2009, o modelo teve uma pequena atualização feita pelo estúdio Bertone e algumas pequenas modificações técnicas, além de as versões GLS e GLC receberem melhorias na segurança, com a adição de freios ABS e airbags dianteiros duplos. O Chevrolet Niva 5 portas, com 4,056mm de comprimento, 1,800mm de largura e 1,690mm de altura, com distância entre-eixos de 2,450mm descrito permanece em produção, exatamente igual, até hoje.

Finalmente, uma Segunda Geração do modelo está em cogitação nas instalações da GM-AvtoVAZ. O Chevrolet Niva Concept, desenhado por Ondrei Koromaz, traz o motor PSA EC8, 4 cilindros em linha, aspirado, com 135 Cv montado longitudinalmente na dianteira, tração nas quatro rodas em tempo integral, dupla embreagem (com duas transmissões parciais, manual com 5 marchas) e suspensão traseira de eixo rígido. O design é radical, lembrando os jipes lunares, o que é um assombro em se tratando de um veículo originado em um país que prima por criar alguns dos automóveis mais feios do planeta, e seu lançamento está previsto para o ano de 2016.

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