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Nissan Leaf será vendido no Brasil

Foto: Divulgação

O segmento de veículos elétricos no Brasil anda a passos de Cágado. O Brasil não tem nada a perder, e muito a ganhar com a regulamentação da mobilidade elétrica. No entanto, o governo pouco tem feito para que o país entre para o clube dos fabricantes de veículos elétricos e híbridos.

É verdade que há cinco projetos de  lei em tramitação em Brasília, e recentemente o governo alterou as regras do Inovar-Auto, exigindo 12% de eficiência energética dos motores a combustão interna até 2017. No entanto, tal mudança é muito pouco para que o segmento de veículos elétricos e híbridos ganhe escala no país.

Há interessados em comprar carros elétricos, mas no Brasil o único modelo a venda é o Mitsubishi i-Miev, que custa em torno de R$200 mil. Naturalmente, o cliente não vai querer pagar tanto por um carro elétrico.

No entanto, logo haverá concorrente no mercado nacional. Segundo Anderson Suzuki, Gerente de Novos Negócios da Nissan, o Leaf está em processo de homologação e se tudo ocorrer bem, no início do próximo ano, ele estará disponível na rede de concessionários. Além disso, a marca de carros elétricos Hiriko foi registrada recentemente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI.

Mas, o problema no Brasil, não é apenas a falta de modelos. Falta investimento em infraestrutura (a exemplo de postos de carregamento), incentivo à produção e venda, esclarecimento ao consumidor, incentivo a pesquisa e, principalmente, política tributária adequada. Nada disso será possível sem que o governo regulamente o assunto.

Como no Brasil, aparentemente, são poucas montadoras interessadas no veículo híbrido e elétrico, fica difícil imaginar que a Associação dos fabricantes – ANFAVEA, irá “comprar essa briga”. Daí, resta a opção de cada um defender o seu próprio interesse, e neste caso, a solução poderá demorar.

Perguntado se os veículos elétricos podem estar com os dias contados, já que recentemente tivemos algumas baixas importantes, a exemplo da CODA, Fisker Automotive e Batter Place, Anderson disse que o momento atual é muito diferente, da última tentativa frustrada de comercialização em massa de veículos elétricos. “Atualmente, a indústria tem muito mais recursos tecnológicos para fazer os carros elétricos com as características que o consumidor exige.“ Acrescentou, Anderson.

O fato é que a aliança Renault-Nissan terá papel preponderante para que o Brasil abra as portas para a mobilidade elétrica. A Aliança Renault-Nissan é líder de vendas de carros elétricos, globalmente. A Nissan, mais do que qualquer outra marca, tem dado demonstrações de que o segmento de VE é prioridade para a marca, tanto assim que, em movimento inédito, acaba de nomear o Jean Pierre Diernaz como diretor de carros elétricos para a Europa. A Nissan é a única montadora a ter tal cargo.

Globalmente, a Nissan tem demonstrado claramente que, na mobilidade elétrica, foca o mercado corporativo, frotas de governo e de taxi. A Aliança sabe muito bem que alinhar os seus produtos com imagem de sustentabilidade é fundamental para promover as marcas. Além disso, a estratégia de focar o mercado global, poderá lhe render a escala que tanto precisa para que os VEs tenham preços competitivos.

Também, investir no governo como cliente é no mínimo uma estratégia inteligente, poderosa e que reúne muitas possibilidades de ser bem sucedida, pois nenhuma liderança pública irá querer ficar contra o transporte sustentável. Soma-se a isso o fato dos órgãos públicos terem isenção de alguns impostos e taxas.

Finalmente, para alcançar sucesso no segmento de VEs e híbridos a Aliança Renault-Nissan deve contar com o apoio de outros pesos pesados da indústria automobilística, a exemplo da Toyota, Mitsubishi, Honda entre outras, além da ANFAVEA, é claro. A questão não é mais saber se a mobilidade elétrica vai ou não pegar, mas quando isso ocorrerá no Brasil.

*Escritor, conferencista e Diretor do Instituto das Concessionárias do Brasil

Fonte:  verdesobrerodas.com.br

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