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Muito Além de Rodas e Motores | Picapes Rampage estabelecem marca inédita e rodam por 24 horas

No último dia 24 de novembro participei de um evento inédito que trouxe de volta a emoção de um test-drive diferente, atraente e que, em parte, resgata ações de impacto que já foram muito realizadas pelas montadoras de veículos em pistas brasileiras, mas que deixaram de ser promovidas.

Com a chancela da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) e promovido pela Stellantis, a iniciativa “Rampage 24 Horas” foi realizada no Circuito Panamericano, no interior do estado de São Paulo, no qual quatro veículos Ram Rampage R/T rodaram ininterruptamente por 24 horas e percorreram juntas mais de cinco mil quilômetros em um dos maiores e o mais exigente test-drive já realizado no Brasil para uma picape.

A Rampage R/T que mais rodou completou, em 24 horas, 1.856,4 quilômetros em 546 voltas no principal traçado do Circuito Panamericano de 3,4 quilômetros, extremamente técnico e que demandava ritmo de competição, exigindo muito da parte mecânica, sobretudo pneus e freios.

Os condutores convidados, entre jornalistas, pilotos e amantes da marca Ram, se revezaram ao comando das quatro unidades, alguns dirigindo por 20 minutos, outros por até duas horas. Ao todo, foram trocados dois pares de pneus dianteiros e um par traseiro, além de ter sido usado um jogo de pastilha de freios após cerca de 12 horas de prova.

Segundo Ricardo Dilser, gerente de Imprensa Produto da Stellantis, essas trocas não tiveram ligação direta com o consumo dos componentes, mas sim para garantir total segurança. Ou seja, após a análise dos fiscais e técnicos da Ram, mesmo que os pneus ou pastilhas de freio ainda estivessem em condições reais de uso, eram preventivamente trocados para garantir segurança aos pilotos.

Além do estabelecimento de marcas inédita, os carros submetidos ao teste em pista de velocidade comprovaram os padrões de resistência e robustez que possuem. Durante o evento as características técnicas originais das Rampage R/T foram mantidas, inclusive a calibragem dos pneus, dentro dos níveis recomendados no manual de orientação do veículo.

Para atingir este marco histórico foi necessária uma incrível operação que envolveu mais de 200 pessoas, entre pilotos, técnicos, equipes de manutenção e profissionais de logística.

Dentro da pista, quatro estações de trabalho funcionaram mais de 30 horas ininterruptas. Uma dedicada à equipe de cronometragem e auditagem da CBA, que validou os números da prova; uma segunda estação voltada à área de inspeção e manutenção das picapes, dedicada aos técnicos e mecânicos que checavam itens de desgaste e segurança, como pneus e freios; o terceiro site trocava os pneus; e, a última unidade de trabalho, monitorada por bombeiros, se dedicava ao abastecimento das unidades.

O inédito teste foi uma ideia do jornalista Ricardo Dilser, que contou com o apoio do vice-presidente de comunicação corporativa da América do Sul, Fabrício Biondo, modernizando os padrões dos testes realizados pelas empresas em lançamentos de novos produtos e ampliando o formato tradicional em que o jornalista convidado tem a oportunidade de conhecer o novo veículo sem o compromisso de analisar de forma mais acurada as reais características dos produtos.

O programa também contou com uma gentil homenagem a jornalistas considerados pioneiros no País, como o mineiro Bóris Feldman, Fernando Campos, que trabalhou muito para a construção do Autódromo de Goiânia; Fernando Calmon, que divulga o automobilismo desde os tempos da revista Cruzeiro; Douglas Mendonça; Emílio Camanzi; o multicompetente Bob Sharp e eu, todos por reconhecidos serviços prestados ao automobilismo brasileiro. Todos curtiram muito a tarde em deliciosos minutos de volta à juventude.

O teste das picapes Rampage me fez lembrar dos primeiros test-drives realizados pela indústria automobilística brasileira e menciono alguns dos quais participei logo após a instalação da indústria automobilística brasileira desde o final da década de 1960.

Lembro bem da apresentação do Ford Corcel, em 1968, em que a Willys realizou o teste na avenida ao lado do Jóquei Clube de São Paulo, na distância pouco superior a 1.000 metros e o mesmo ocorreu com o Dodge Dart, na praia da represa do bairro de Santo Amaro e o esquema foi mantido até os anos de 1970, quando me transferi para a Ford e realizei o primeiro otest-drive de longa distância entre Recife e João Pessoa, com distância total de 180 quilômetros.

A partir desse novo formato, transformamos o test-drive em viagens, como as ocorridas entre São Bernardo do Campo e Assunção, no Paraguai, em apoio da Ford ao programa do álcool como combustível; a viagem entre Porto Alegre e Montevidéu, para lançamento da picape Courier no mercado uruguaio e outros eventos para que os jornalistas tivessem longo contato com os carros e poderem avaliar todos os sistemas dos novos modelos.

Agora, com a paixão que Ricardo Dilser tem pelos carros e um campo de provas como o circuito Panamericano Pirelli o automobilismo brasileiro ficou mais enriquecido em formas de avaliação de novos veículos.

Acesse nossos podcasts clicando aqui.

Crédito das imagens: Crédito Divulgação Ram

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