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Lubrificante mais viscoso pode não ser a melhor opção para o motor do veículo

Fotos: Divulgação

* Por Marcelo Beltran

O consumidor brasileiro, em sua maioria, ainda tem em mente que o lubrificante mais viscoso é o melhor. Criou-se uma cultura de que, quanto mais espesso, maior sua eficiência, porém, na maioria das vezes, ocorre o contrário. Por outro lado, o lubrificante menos viscoso tem melhor performance na partida à frio, pois chega mais rápido às partes superiores do motor. Esse filme mais “fino” retira menos energia do motor e da transmissão, possibilitando a redução do consumo de combustível. O que melhora a qualidade do lubrificante não é necessariamente a quantidade de aditivos adicionados, mas a tecnologia de cada um deles. Um exemplo é a tecnologia “low saps” que busca a redução de aditivação antidesgaste convencional, visando minimizar a emissão de gases nocivos ao meio ambiente através do aumento da vida útil do catalisador (sem prejudicar o motor), assim como os aditivos modificadores de atrito na tecnologia “fuel economy”, visando a economia de combustível.

Os lubrificantes com a faixa mais baixa de viscosidade, estão em linha com a tendência de “fuel economy” (economia de combustível). Estas viscosidades são normalmente encontradas entre as faixas SAE 5W20 e SAE 10W30, e estão dentro das exigências da norma ILSAC GF-5. Em parceria com empresas de lubrificantes, cada fabricante de veículo (OEM) desenvolve um óleo adequado para cada veículo e modelo, de acordo com as necessidades do projeto. É de fato uma tendência global o consumo de lubrificantes menos viscosos nos próximos anos, tanto pela indicação dos OEMs no manual do veículo, quanto pelo aumento da conscientização e o poder aquisitivo do consumidor final. Ainda que minoria, haverá aumento percentual gradativo no consumo de lubrificantes de alta performance, tanto no consumo de óleos básicos sintéticos, quanto na redução da viscosidade dos mesmos. Sabemos que levará tempo para que de forma geral o consumidor  quebre o paradigma de que o lubrificante mais viscoso, nem sempre é melhor. É bom lembrar que viscosidade é diferente de índice de viscosidade, que é a característica físico-química do óleo de manter a viscosidade em função do aumento da temperatura. Infelizmente, na prática, o que manda no mercado nacional, na maioria das vezes, ainda é o preço, mas com o crescimento da economia brasileira este cenário deve ser minimizado através da renovação da frota e do aumento no poder aquisitivo do consumidor final.

*Marcelo Beltran é gerente técnico da TOTAL Lubrificantes do Brasil, empresa integrante do Grupo TOTAL, multinacional francesa posicionada como uma das maiores companhias globais de gás e óleo.

 

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