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Histórias a bordo de um clássico – Transparência entre rodas

Fotos: Divulgação

Já imaginou como seria ter um automóvel onde as portas sejam verdadeiras janelas, trazendo uma experiência totalmente inusitada ao transitar pelos centros urbanos a bordo de um carro com mobilidade urbana graças aos pouco menos de 3 metros de comprimento, teto rígido e de lona e um propulsor dois cilindros opostos refrigerado a água capaz de render 25km/L este é o Motomachine, a Gurgel reinventando o automóvel.

João Gurgel, além de Industrial e Engenheiro foi um verdadeiro patriota, um brasileiro que acreditou no potencial de seu pais ao projetar o primeiro automóvel legitimamente brasileiro em serie, em uma época onde a economia era instável, a inflação subia disparadamente chegando a números surpreendentes com consequências selvagens durante boa parte da década de 1980 e meados da década posterior.

Com o lançamento do BR-800, o sonho de produzir um automóvel estritamente urbano, uma tendência já aplicada por outras fabricantes fora do Brasil principalmente no Japão de onde João extraio a possibilidade de motorizar a nação brasileira com seu city-car.

O propulsor desenvolvido pela Gurgel, um projeto único no mundo. O motor fundido em liga de alumínio-silício foi batizado como Enertron, com uma ignição controlada por um microprocessador, que tinha garantido de cinco anos e não havia necessidade de distribuidor, pois o disparo era simultâneo nos dois cilindros, o motor bi cilíndrico reunia alguns aspectos surpreendentes, podia ser levado a praticamente 6.000 rpm sem flutuação de válvula, diferente do propulsor Volkswagen.

A economia era sua maior estratégia, com um alto indicie de quilômetros por litro, com uma média de 21km/L na estrada uma média inacreditável ainda hoje. Com uma criação inteiramente brasileira, a suspensão dianteira não podia ser diferente e usava amortecedores criados pela Gurgel, os springshock. Era uma mola capsulada dentro de um cilindro blindado cheio de fluído viscoso, ou seja, ao invésde amortecedor hidráulico separado, os dois componentes eram reunidos em uma unidadesó, já na traseira feixes de molas que garantia uma boa dose de conforto para o uso urbano, sua proposta principal.

No Salão do automóvel de 1990, Gurgel trouxe ao publico sua maior novidade em locomoção urbana. O Motomachineveio para trazer um novo olhar sobre o que é dirigir e trafegar pela cidade de um modo no mínimo inusitado, pelo menos ao primeiro olhar.

Era possível fazer praticamente tudo, ou melhor, transforma-lo em tudo, com ele vinha uma capota de lona e outra de fibra de vidro removível. Era possível rebater o para-brisa para cima da área do teto oferecendo a liberdade e a emoção de uma moto, com o conforto e a segurança de um carro e o charme que só ele poderia trazer.

Mesmo sendo pouco menor do que o BR-800, ele possui espaço suficiente para dois ocupantes, eu já estava esquecendo, há um banco atrás, ao estilo 2+2, mas só se você for transportar anões ou um dog alemão, por que normalmente o espaço também é utilizado como porta malas. As portas de acrílico são realmente uteis, ao estacionar não há nenhum ponto cego no carro, pois tudo é transparente e é fácil observar tudo ao seu redor e todos iram te observar, por que ele não passa despercebido.

Guiar o Motomachine é ainda mais divertido, com a distribuição de peso menor, a agilidade já aparece nos primeiros metros com o pequeno, mas não espere um alto desempenho, esqueceu que ele é um urbano com apenas 34cv. A direção leve e o cambio de quatro marchas demonstra precisão, tudo o que se é necessário no transito paulista, mais o charme de ter um na garagem.

Com cerca de 177 unidades fabricadas, a exclusividade foi uma de suas marcas mas o passo da fabricante foi maior, ele serviu como um laboratório para a introdução do Supermini em 1992, a evolução do city-car do Gurgel, tema para uma próxima conversa.

Contatos do autor: Júnior Almeida – www.esporteautomotor.blogspot.com

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