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Histórias a bordo de um Clássico – A Evolução: Variant II

Fotos: Reprodução da internet

Hoje em dia o seguimento das StationWagons ou Peruas está em baixa, com ofertas que se limitam entre duas opções mais fortes consagradas no mercado que se confrontam a um bom tempo à Palio Weekend da italiana Fiat e a Spacefox da Volkswagen travam uma briga pela liderança no seguimento angariando proprietários que buscam espaço, conforto e economia aliados a dirigibilidade de um hatch diferente das minivans e os utilitários esportivos compactos que abocanharam seu publico alvo, mas a um tempo atrás isso era bem diferente.

Logo após a aquisição da DKW pela montadora a Volkswagen havia descontinuado toda a linha dos modelos dois tempos fazendo com que a só restasse a Simca Jangada no mercado, um modelo com uma proposta mais luxuosa do que a Vemaguet que atendia a classe média na época.

Com a descontinuação da perua, a valorização e a procura por um modelo usado disparou pois as famílias queriam um veiculo que atendesse as necessidades de sua família, levando tudo e mais um pouco no porta-malas do modelo sem que o desempenho, conforto e até a dirigibilidade do modelo fosse afetada, nada como prazer em dirigir, claro.

Aproveitando isso, em 1969 a Volkswagen apresentou a Variant, uma perua derivada do excêntrico 1600, o primeiro modelo da marca alemã com quatro-portas apelidado de Zé do Caixão, criatividade brasileira como sempre, pelas linhas retilíneas que lembravam um caixão sendo as maçanetas as alças.

Diferente do irmão, o desenho harmonioso conquistou os órfãos da Vemaguet com o incrível espaço para acoplar as bagagens e mais tralhas da criançada graças ao duplo porta-malas, na frente e atrás graças a instalação do propulsor dentro do carro  em um compartimento que não agradava muito devido ao calor que o motor exalava e o alto nível de ruído, além do que estávamos acostumados nos tradicionais Volkswagen. As entradas de ar ocupavam as laterais traseiras fazendo com que o desenho delas se tornasse uma das características marcantes dessa primeira geração.

O interior trazia o básico para se guiar um automóvel, o acabamento seguia uma linha mais sofisticada se comparada ao Fusca e Kombi. Com painel que imitava madeira nobre, claro, um mero aplique, e bancos com uma anatomia muito melhor do que se costumava encontrar na gama da marca. Mas mesmo assim, a simplicidade dominava na montagem das peças um dos pontos críticos do modelo.

O propulsor 1600 com dupla carburação era suficiente para levar a Variant com esmero durante o trajeto do dia a dia, mas em viagens e o carro carregado não era o que se esperava de um modelo familiar mas chegava-se ao destino sem que houvesse dor de cabeça no caminho.

Com o passar dos anos, a Variant se tornou um automóvel muito bem vendido e adorado tanto pelas mulheres, quanto por seus maridos e quem diria seus filhos que tinham amplo espaço no interior. Com a concorrência chegando ao inicio dos anos 70, as montadoras foram se interessando por esta fatia do mercado, a Ford apresentou a Belina em 1970, uma stationwagon baseada no pop-star Corcel que veio para fazer frente à perua da Volkswagen, deixando uma briga acirrada durante décadas.

O ano de 1978 foi decisivo, depois de quase nove anos no mercado a Variant vinha perdendo terreno para a concorrência, a Belina acabara de ganhar uma nova geração junto ao Corcel II aperua da Ford estava anos luz a frente, não só esteticamente, mas todo o projeto trazia soluções modernas e respostas a problemas antigos sem contar o recém apresentado motor CHT que seria usado no Escort alguns anos na frente.

Para não ficar a trás, a Volkswagen tratou de apresentar a Variant II, uma evolução do modelo original com uma solução para a maioria das criticas a simplicidade do modelo e suas soluções ultrapassadas.  Com visual emprestado da Brasília, as linhas retas predominavam no desenho do modelo, notava-se a modernidade logo de cara principalmente o ganho de proporção, colocando na régua a Variant II ficou cinco centímetros mais larga do que a primeira geração, esse ganho foi convertido em mais espaço no interior, sem contar a imensidão nos dois porta malas.

Vista de lado ela era uma variante da Brasília, a Volkswagen associou a imagem da Variant à da Brasília. De tão parecidas a imagem de modernidade e de um automóvel que ditava tendências na época essa associação entre os dois modelos teve bons frutos na evolução da perua, com a mesma identidade visual, a Variant II seguia na onda da modernidade pois as pessoas a viam com os mesmos olhos e com a ideia de sofisticação que a marca procurou trazer nesta nova faze do modelo.

As mudanças eram de saltar os olhos, o interior seguia a risca a modernidade da Brasília e deixava para trás a fama de espartano, começando pelos bancosque ficaram mais largos trazendo agora um encosto alto e cinto de segurança de três pontos além do tecido de curvim. O painel era composto por instrumentos retangulares, com uma boa visibilidade graças ao volante de fina empunhadura que facilitava o contato com o painel repleto de instrumentos, entre eles conta-giros, velocímetro, luz de aviso do óleo e uma serie de itens opcionais dentro do catalogo comoventilação forçada, limpador e lavador elétrico do vidro de trás, relógio e o rádio estéreo AM/FM. Quem ia atrás não tinha do que reclamar, o banco com 13 centímetros mais largo do que o anterior acomodava confortavelmente três passageiros, cachorros, gatos, passarinhos e por ai vai.

Um bom exemplo de como a Variant II era um coração de mãe, onde sempre cabe mais um ficou claro em um dos primeiros anúncios domodelo que trazia o slogan “Variant II, um carro para Pais e Filhos”e realmente os dois porta-malas eram de fazer inveja, com o banco traseiro na posição normal, eram 467 litros se ele fosse rebatido, esse espaço aumentava para 954 litros, sem contar os 137 litros extras no porta-malas dianteiro. Mas se antes ela tinha a maior capacidade de bagagem, desta vez ela ficava atrás da Belina e da Caravan.

Um dado interessante na história da Variant II é que ela é o ultimo projeto da Volkswagen equipado com o motor boxer a ar na traseira, alias, o propulsor 1600 de quatro cilindros totaliza 67 cavalos de potencia, apenas dois a mais do que a anterior, obtidos com um novo comando de válvulas e duas saídas de escapamento, assim como na Brasília.

O grande trunfo de engenharia estava na suspensão, antes usando barras de torção, agora com McPherson e molas helicoidais na dianteira, atrás havia suspensão independente de dupla articulação e braços semiarrasadosque deixavam o sistema mais rígido além dos pneus radiais, uma configuração nunca antes vista em um Volkswagen nacional, mas sim no Porsche 911, seu esquema básico de suspensão é bem parecido ao esportivo alemão e bastante semelhante ao 924/944 .

A dirigibilidade estava afrente de qualquer outro Volkswagen em seu ano de lançamento, se por fora ela era idêntica a Brasília, ao dar partida e engatar as marchas ela se mostrava muito mais divertida e bem mais acertada, garantindo uma direção segura e muito estável dando um banho na concorrente. No dia a dia, a leveza da direção e a precisão nos engates eram trunfos que o modelo trazia que caíram no gosto dos consumidores, sem falar no conforto, graças a nova suspensão e a economia de combustível, segundo o comparativo da revista Quatro Rodas em janeiro de 1978, a Variant se mostrou a mais econômica diante da Belina e da Caravan. Com vendas que desapontavam, ela durou pouco no mercado saindo em 1982 junto a Brasília que seria substituído pelo Gol, o mais novo lançamento da marca, meses depois chegaria a Parati que seguiria o legado deixado pelo modelo.

Contatos do autor: Júnior Almeida – www.esporteautomotor.blogspot.com

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