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Ford GT, o mito voltou renovado

Fotos: Renato Pereira

Vem aí o novo GT, esportivo da Ford Motor Company mundialmente admirado que criou fama e angariou uma legião de fãs ao vencer as 24 Horas de Le Mans em 1966, tendo ocupado, também, o segundo e o terceiro degraus do pódio da mais prestigiosa corrida de longa duração do mundo. Convenhamos, um feito e tanto!

O novo GT integrará a “família” de esportivos da montadora norte-americana vem preparando, junto ao Focus RS, a re-edição das versões Shelby GT350 e GT350R do Mustang (os modelos preparados por Carrol Shelby, na década de 1960, foram preponderantes para a imagem da Ford como fabricante de modelos poderosos) e até da pick-up full-size F150 Raptor. O novo GT, que estará no mercado em 2016 para homenagear o aniversário de 50 anos na histórica corrida, tem uma história interessante, que vale a pena ser conhecida.

O “Comendador” Enzo Ferrari sempre foi famoso por sua genialidade na criação de carros de corridas lendários na mesma proporção de seu temperamento irascível, o que tornava sua vida empresarial um bocado difícil por não aceitar sugestões ou críticas de espécie alguma. Logo, sua vida financeira também fica desconfortável porque não era – nem é – nada fácil sobreviver exclusivamente da venda de carros esportivos baseados em carros de corridas, e a prepotência de Ferrari não o ajudava em nada a conquistar amizades e investimentos em sua fábrica.

Sabendo disso (o mundo automotivo é mais cheio de “Candinhas” do que pode-se supor…), e querendo firmar-se na Europa, a Ford Motor Company começou um “namoro” com a Ferrari S.p.A. (Società per Azione,  Sociedade Anônima). Por conhecer a filosofia européia de que carros esportivos mostram suas qualidades nas pistas de corridas antes de chegarem às ruas, nada melhor do que começar vencendo em Le Mans e, para conseguir isso, nada melhor do que ter à disposição toda a tecnologia necessária, no caso, a da Ferrari que, não por acaso, andava financeiramente mal das pernas. As coisas correram mais do que bem, e Enzo Ferrari aceitou a proposta de vender sua empresa para a montadora norte-americana.

Então, as coisas correram mais do que mal para a Ford quando a diretoria da FIAT (Fabbrica Italiana Automobili Torino) soube da negociação, e com o conhecido ego italiano inflamado, alegando que a Ferrari era um patrimônio da Itália e do país jamais deveria sair, interromperam a negociação e tentaram assumir o controle acionário da Ferrari, coisa que Enzo não aceitou e a coisa ficou na base de 50/50%.

Irritada com a perda da fábrica que já era praticamente sua, a Ford resolveu que iria buscar tanto a vitória em Le Mans quanto a fatia do mercado europeu que tanto a interessava. Mas começou com o pé esquerdo.  Havia em Huntingdon , Inglaterra, um engenheiro chamado Eric Broadley que, desde 1958, fabricava bons carros de corridas, para várias categorias, em sua empresa, a Lola Cars International Ltd. Um de seus modelos de sucesso era o coupé Lola Mk.6 equipado com o motor… Ford V8! Com seus 7,2 litros e 403 Cv de potência, obtinha excelentes resultados… na Inglaterra. Após várias tentativas desastrosas, o carro britânico foi redesenhado por Caroll Shelby que, seguindo os regulamentos técnicos da época, que determinavam entre outras coisas que os carros não poderiam exceder a 1 metro de altura, acabou criando o Ford GT40, uma vez que 40 polegadas equivalem a 1 metro e vem daí a origem do nome do carro que, como anteriormente mencionado, conquistou as três primeiras colocações na edição de 1966 das 24 Horas de Le Mans.

Para homenagear os 40 anos do histórico feito, o Ford GT, com design praticamente idêntico ao carro-lenda, porém construído com materiais e tecnologia de ultima geração e recheado como que de melhor podia haver na década de 2000, como o motor V8 5,4 litros Supercharger com 558 Cv de potência, câmbio manual de 6 marchas e em torno de 330 km/h de velocidade máxima em sua versão “civilizada” de rua, com 4.038 unidades produzidas. Nas pistas fez história novamente, vencendo diversas provas na categoria GT1 do FIA GT Championship e na categoria GT3 no European Championship (levou o título de 2008), GT3 Brasil (venceu os campeonatos de 2008, 2010 e 2011) e Blancpain Endurance Series.

Agora, em uma nova homenagem ao idolatrado modelo, a Ford se prepara para o lançamento de sua terceira geração, com um redesenho na carroceria que o trás aos dias atuais, embora sem perder suas linhas de origem, o que deve ter dado bastante trabalho para o pessoal do design e da engenharia. E pretende estrear a nova versão exatamente nas pistas de corridas, como fez Henry Ford em 1901, quando apresentou e venceu com seu primeiro carro, o que entusiasmou os financiadores a investirem na Ford Motor Company e eternizou seu slogan, que dizia: Vença uma corrida hoje, venda muitos carros amanhã”!

O coupé 2 portas Ford GT 2016 terá a mais nova geração dos motores da linha EcoBoost, um motor V6 Turbocharged 3,5 litros, 4 válvulas por cilindro, injeção direta de combustível dupla, com 600 Cv de potência, instalado longitudinalmente no meio do carro, acoplado a uma transmissão tipo Dual Clutch automática com 7 velocidades com paddle-shift e tração traseira, freios com discos de cerâmica-carbono escondidos por rodas em liga de 20 polegadas e calçadas em pneus Michelin Pilot Super Cup2.

Todo o carro é construído em alumínio de nova geração Anticorodal®120 alloy EN-AW6060, EN-AW6016, EN-AW6009, EN-AW5182, Ecodal®608 EN-AW6181A etc (em todas as partes da estrutura – plataforma, colunas, painéis), fibra de carbono e demais composites leves e resistentes oriundos em sua maioria da engenharia aeronáutica, o que garante impressionantes redução de peso e aumento de resistência, maior rigidez, flexibilidade e uma aerodinâmica avançada ativa, proporcionando também uma das melhores relações peso-potência possíveis.

Bancos em concha de competição, painel de instrumentos completo digital, com display configurável e sistema de conectividade SYNC3 constituem o interior deste pequeno e potentíssimo esportivo, cuja velocidade máxima estima-se em 402 km/h, a um preço bastante acessível, algo em torno de R$ 600.000,00 lá, nos Estados Unidos…

 

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