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Entrevista com a Jornalista e apresentadora Estefânia Farias

Fotos: Arquivo pessoal

Em uma série de entrevistas que vamos fazer esse ano, focando nas mulheres que trabalham em nosso segmento automotivo, seja como jornalista, piloto, youtuber, empresária etc, vamos iniciar com a jornalista Estefânia Farias, mais conhecida por ser a apresentadora principal do programa Vrum, exibido nas manhãs de domingo em todo o Brasil pelo SBT.

Estefânia é de Belo Horizonte, da “montanhosa Minas Gerais”, como ela mesma diz. A apresentadora decidiu seguir a profissão de jornalista influenciada pelo seu pai, jornalista cultural e esportivo, e pela sua mãe, professora de língua portuguesa.

Morando atualmente em Miami, na Flórida, Estefânia Farias mantém um canal de sucesso no Youtube (Youtube.com/EstefaniaFarias), que está no ar desde outubro de 2015, que tem os carros como tema principal, com um toque “lifestyle”. Com multifunções, ela mesma produz e roteiriza os vídeos com avaliações leves dos carros que testa, além de experiências com alguns modelos que viaja, eventos automotivos que frequenta e belos cenários que encontra pelo caminho.

Junto com seu marido que é repórter cinematográfico, ajuda na direção das imagens da maioria dos vídeos, que são de excelente qualidade e muito bem editados. Estefânia criou recentemente o quadro “Pronto Mostrei”, onde ela mesma grava tudo e edita. Nesse quadro a apresentadora não dirige os carros, apenas mostra o veículo na hora, “junto com as pessoas que me assistem. E a resposta do público tem sido bem legal”, segundo ela.

O canal soma um total de quase 8 milhões de visualizações. Está sendo premiado pelo “YouTube Creator Awards”, pela conquista de 100 mil inscritos. E basta uma breve visita às publicações para notar como o engajamento do público é alto! Lá tem vídeo rumo a 1 milhão de visualizações, como o do Novo Toyota Corolla Hatchback. Outro sucesso do momento é o vídeo do Lamborghini Urus. Quase meio milhão de views em 1 semana. Outro quadro novo é a série “Carros de Rua”, que entra quase todo domingo à noite, para os inscritos relaxarem enquanto assistem imagens de belos lugares e carros pelas ruas de Miami e região. “A ideia é, num futuro próximo, fazer esse quadro por todos os EUA, mostrando os carros de rua de vários lugares”, acrescenta Estefânia. Outros programas novos estão por vir e devem estrear em breve. Sempre com a proposta de entreter!

 Estefânia Farias tem uma pomposa trajetória profissional. Antes do YouTube, foi apresentadora, repórter e redatora, durante quatro anos, do programa especializado em veículos, Vrum, exibido nas manhãs de domingo em todo o Brasil pelo SBT. Com o término do programa em junho de 2015, decidiu criar um blog de temas variados e depois o canal atual no Youtube focando nos carros. Antes, trabalhou por 12 anos como apresentadora e repórter nas emissoras Rede Super e Rede TV! (regional e nacional).

Perguntas:

1 – De que forma seus pais te influenciaram para ser uma Jornalista?

Imagine você, ainda criança, chegando à redação de um jornal com seu pai, jornalista auto-didata, e vendo aquele tanto de máquina de escrever (sim, eram máquinas de escrever) e a mesa dele cheia de revistas, livros, revistas em quadrinhos… Agora pense nessa criança chegando à uma editora e podendo escolher as revistas que quisesse pra levar pra casa. E eu levava. Todas as vezes…rsrs E se seu pai também a levasse a algumas coletivas de imprensa com músicos, cantores, apresentadores que, naquela época, há quase 30 anos, reuniam pouquíssimos jornalistas por não haver tanto veículo de comunicação como hoje… E essa criança, desde que se entende por gente, visitava o Mineirão na tribuna de imprensa com o pai e assistia aos jogos (principalmente) do time do coração da família? Lembro ter perguntado para o papai assim: mas onde está o moço que apresenta o jogo na TV? A gente não consegue ouvir ele explicar o que está acontecendo no gramado? Sim. Meu pai foi meu influenciador real…rsrs Hoje ele tem 96 anos e continua um apaixonado pela profissão que o escolheu. Porque eu digo que o jornalismo o escolheu. Papai diz até hoje que foi do tempo do lápis. Trabalhou por quase 60 anos no Jornal Estado de Minas. Certa vez Assis Chateaubriand encostou nas costas do meu pai enquanto ele escrevia com um lápis uma matéria e disse: “Muito bem, menino! Seja intenso nas palavras que escolher. Você está contando histórias!”

E sobre minha mãe, pedagoga e professora universitária de Língua Portuguesa, resumo a trajetória profissional dela em duas palavras: dedicação e coragem. Pois foi assim… a paixão pela arte de me comunicar, e hoje de me conectar com o mundo, foi despertada em mim bem cedo. Acho que não havia outro caminho a seguir não…rsrs

2 – O que te incentivou a optar em focar seu trabalho nos automóveis?

 Minha relação  maior, desde pequena, foi com as áreas de Cultura e Esportes. A Toca da Raposa fica a 5 minutos da casa dos meus pais. O Mineirão, idem. Sempre acompanhava o papai. Quanto aos carros, venho de uma família de classe média, assalariada, que sempre teve carros populares. Mas meu pai, um fã de Ford, se preparava financeiramente quando era época de trocar de carro. Sempre organizado, comprava à vista o modelo zero quilômetro lançado naquele ano. Eu adorava ver os carros dele chegarem lá em casa com cheirinho de novo! Quase sempre sedãs. Minha mãe é da turma dos que compram semi-novo. E eu curtia dar pitacos na hora dela escolher. Mas algo que me marcou na infância e na adolescência foi a convivência com amigas de famílias com poder aquisitivo alto. Isso porque nas casas delas o lugar que eu adorava conhecer era a garagem ou, posso dizer, salão. E sempre recheados de possantes requintados! Cada modelo importado mais legal que o outro! E quando andava no banco de trás, sentindo aquele cheiro do couro dos bancos e admirando aquele painel como de um avião, era o máximo! Uma delas tinha um galpão em casa com carros antigos que volta e meia eram alugados para comerciais. Tinha não, eles têm belíssimos clássicos até hoje. Já na casa de outra amiga, havia na garagem dois Chevrolet Omega CD, um BMW vermelho conversível que não me lembro o modelo, uma van da Mitsubishi, onde o motorista dela levava a gente pra escola de balé, e um Ford Taurus… Aliás, assim que esse Taurus chegou eu fui correndo ver de perto o interior e me debrucei na janela, com os olhos no vidro. Resultado: fiz o “favor” de tocar o carro, disparando o alarme pela primeira vez. Vieram todos da casa saber o motivo e quando me viram ali, foi uma piada…rsrs E naquela casa também havia uma joia: um Rolls Royce antigo deslumbrante!

Mas nunca tinha pensado em trabalhar no segmento automotivo. Eu curtia, lia às vezes algumas revistas e pronto. Até que veio o convite da direção da TV Alterosa, afiliada do SBT em Minas Gerais, e do editor-responsável pelo programa Vrum, Boris Feldman. Eles queriam uma jornalista de TV que pudesse dar leveza à linguagem técnica dos engenheiros do programa e que tivesse domínio de todo o processo de execução e coordenação de produção de um programa nacional. Foi aí que dei o start rumo ao segmento de automóveis na área jornalística.

3 – Conte um pouco da sua experiência como repórter do Vrum, o que mais você curtia fazer nessa época?

Como repórter e apresentadora do Vrum, o que eu mais amava fazer eram os lançamentos de carros Brasil afora. Depois de 2 anos no programa, passei a cobrir alguns eventos de novos modelos! A partir daí comecei a praticar o olhar criterioso que aprendi a ter no Vrum. Um dos lançamentos à imprensa que pude participar foi realizado em Punta Del Este, Uruguai. Um SUV chinês, que chegava ao mercado latino com boa expectativa. Mas senti que o design não carregava algo genuíno e, ao dirigir, o som do motor me incomodava na cabine ainda em baixas rotações. Essas ponderações foram ao ar, mas, claro, sem qualquer desrespeito à marca. Em outro lançamento, dirigi por 12 horas (6 em um dia e 6 no outro) o Range Rover Vogue, pela Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Que experiência legal! Na ida, fui com o modelo a gasolina. A Land Rover montou um acampamento sensacional com trailers. Na volta, guiei o modelo a diesel. Então, cada carro traz uma bagagem que nos ensina muito!

4 – Antes de trabalhar com carros no Vrum, você foi apresentadora e repórter nas emissoras Rede Super e Rede TV!, nessa época você já planejava trabalhar nessa área?

Nos tempos de apresentadora de hard news, bancada de jornal, ou em entrevistas no estúdio ou externas, meu foco era ser imparcial e contar notícias da forma mais agradável e natural possível a quem me assistisse. Realmente os carros não estavam nos meus planos profissionais. Só mesmo minha contínua admiração por automóveis bem desenhados, bem equipados…

5 – Como é encarar uma câmera de TV em rede nacional?

Fascinante! Ao vivo então, ainda melhor! Gosto de toda aquela movimentação de TV, equipe de produção, tempo pra entrar no ar, entrevistados a postos, script sendo atualizado ao vivo enquanto um VT está no ar, microfone sendo testado, câmeras e luzes, muitas luzes, à frente… Mas nunca tive qualquer dificuldade ou receio de entrar ao vivo. Na TV Tede Super, em Belo Horizonte, um dos programas que apresentei era ao vivo de meia em meia hora. Isso eu tinha 19 anos. Já no Vrum a correria pra encarar uma câmera em rede nacional era diferente. Gravávamos o programa de 3 a 2 dias antes de ir ao ar. E mesmo sendo mega agitado por conta das viagens que eu fazia também, do script (roteiro de todo o programa) que eu tinha que fechar (escrever), não havia aquela adrenalina do ao vivo de um jornal como o Rede TV News, em São Paulo, que durava 1 hora, e o Leitura Dinâmica, que era apresentado o tempo todo em pé.

6 – Tem alguma marca ou carro que você tem preferência?

Minha categoria preferida é a dos SUVs. Marcas? As norte-americanas de luxo são grandiosamente admiráveis. As alemãs, fascinantes. E a magia dos britânicos Bentley e Rolls Royce é inesquecível!

7 – Trabalhar com carros nos EUA é mais fácil que no Brasil?

Os EUA são o paraíso para os apaixonados por carros. Há uma imensa variedade de marcas e veículos, cenário muito distante do nosso país. E acredito que não é uma questão de ser mais fácil. Como há muitas opções, você tem um leque maior de possibilidades pra aprender e transmitir essa bagagem ao público. Mas posso garantir que tanto no Brasil quanto aqui, a relação das fábricas com a imprensa é muito positiva e incentivadora. Isso enriquece muito o trabalho! E quando você tem como base de qualquer publicação o respeito com a marca, o cuidado em criar um conteúdo de qualidade e verdadeiro, as portas se abrem. E quando digo verdadeiro refiro-me inclusive às críticas que faço, quando necessário, claro.

8 – Os carros que você filma e testa nos EUA são oferecidos pelas montadoras ou as próprias concessionárias que cedem os carros para teste?

Os dois. Varia muito. São carros de imprensa que ficam uma semana comigo, carros de empresas que me enviam para um dia de gravação, também de concessionárias que me avisam quando os lançamentos chegam às lojas para o público. Aqui também existem companhias que prestam serviço de concierge e entregam os modelos recém-chegados das fábricas/montadoras para jornalistas. E eu estou sempre em busca de novos contatos, apresentando meu conteúdo no YouTube às marcas que ainda não conhecem os vídeos que produzo ou que ainda não tive a oportunidade de gravar. O retorno tem sido muito positivo.

9 – De todos os carros que você já testou até os tempos atuais, qual (ais) o (s) que você mais curtiu?

Ainda é difícil precisar o que mais curti. Mesmo porque há um universo à minha frente que ainda estou descobrindo, conhecendo, estudando. Mas posso citar aqui os modelos elétricos da Tesla porque eu sempre digo que quanto mais o carro fizer por mim, melhor. Sou dessas. Amo tecnologia! E a direção semi-autônoma é algo incrível.

10 –Qual a dica que você daria para quem quer começar com essa vida de Youtuber?

Bom, no ramo em que atuo, penso assim: seja você mesmo. Seja natural. Tenha um bom equipamento, um bom roteiro e vontade! O ideal é ter dedicação! E, de preferência, dominar o conteúdo que vai fazer e falar. Eu posso dizer que sou privilegiada porque tenho em casa mesmo um diretor e cinegrafista…rsrs Meu marido, Warley, é meu maior incentivador, principalmente com as críticas que faz, pontuando sempre algo que preciso melhorar. Ele saiu da emissora que trabalhava no Brasil pra me ajudar e focarmos em produções para o YouTube aqui nos EUA. É uma rotina intensa, pois temos uma bebêzinha de 1 ano e 5 meses e que ainda amamenta. Mas cremos que para tudo há um tempo e um propósito. Em breve, faremos coberturas de lançamentos de automóveis pelos EUA.

*Agradecemos a Estefânia Farias por nos conceder essa entrevista e estar sempre pronta a nos antender quando precisamos.

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