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Coluna Fernando Calmon | Tropeço dos elétricos nos EUA e Europa pode atrasar eletrificação

Para alguns pode significar apenas uma freada de arrumação, para outros há preocupações com a velocidade que a migração de motores a combustão interna (MCI) para elétricos pode ocorrer em dois dos maiores mercados mundiais de automóveis e veículos comerciais leves. De fato, acelerar o passo pode não ser a melhor estratégia.

As manchetes dos sites no exterior indicam claramente a segunda hipótese. Algumas já questionam se a Europa vai mesmo confirmar o prazo fatal de 2035 de proibir as vendas de veículos novos movidos por MCI. Os comentários desde agora é que haveria exceção para os híbridos que conjugam MCI e motor elétrico com baterias menores e mais em conta.

Veja alguns dos comentários:

  • Ford atrasará investimentos de US$ 12 bilhões que incluíam uma nova fábrica de baterias no estado americano de Michigan. Para complicar, legisladores dos EUA querem investigar quatro empresas chinesas envolvidas na produção daquelas baterias por suspeitas de ligações com militares chineses, segundo o site Automotive News.
  • Jim Farley, CEO da Ford, disse que compradores não estão aceitando os preços altos dos VEBs (veículos elétricos a bateria). E espera quadriplicar a produção de híbridos, em especial de picapes.
  • GM adiará por um ano a nova fábrica para a picape Silverado elétrica. Como a Ford, também apontou um recuo das vendas dos VEBs no último trimestre de 2023, embora pretenda avançar com os novos Blazer e Equinox, sem fazer previsões.
  • CEO da GM, Mary Barra, sempre afirmou que a empresa só lançaria novos VEBs, porém admitiu voltar a produzir híbridos plugáveis. Nos EUA a participação total dos VEBs em 2023 foi de apenas 7,7%.
  • Tesla reivindicou que tanto governo americano quanto europeus criassem taxas extras sobre os elétricos chineses. O dono, Elon Musk, afirmou que estes vão “demolir” a maioria dos outros fabricantes, mas não inclui a Tesla entre os ameaçados. Estranho uma marca defender alguns de seus concorrentes e outros não, além de se achar estar a salvo.
  • Uma semana atrás Akio Toyoda, CEO da Toyota, previu que apenas 30% do mercado mundial será de BEVs. O restante híbridos e motores convencionais movidos a hidrogênio ou gasolina.
  • Volkswagen, líder no mercado europeu, além de adiar a construção de uma nova fábrica de elétricos, cancelou o plano de abrir o capital (IPO, sigla em inglês) de sua subsidiária de baterias PowerCo. Também alegou queda de vendas.
  • Segunda maior marca europeia, Renault desistiu de um IPO de sua subsidiária Ampere dedicada à pesquisa e desenvolvimento de modelos VEBs. Apontou dificuldades no mercado de capitais.

Por fim, a cereja no bolo. Segundo a agência Bloomberg, a trilionária Apple e maior empresa do mundo listada em bolsa de valores, anunciou que vai adiar para depois de 2028 o seu aguardado modelo elétrico. Por mais de uma vez chegou a desmentir o projeto, quando na realidade só suspendeu os planos. Em um segundo momento, voltou atrás e os retomou.

Duas coisas são certas. Os híbridos voltaram ao jogo e de pouco adianta trocar uma maratona por uma corrida de 100 m rasos.

Porsche 718 Cayman GTS é escolha prazerosa

A Porsche foi o primeiro fabricante a adotar um motor turbo viável. Antes houve tentativas da Oldsmobile e da BMW que não deram certo. Até que chegou o Salão de Paris de 1974 e o lançamento do 911 Turbo de 3 litros com “apenas” 264 cv. Já o 718 Cayman GTS é um cupê esporte raiz de dois lugares com motor central traseiro lançado em 2005.

Até a geração anterior à atual o motor era um turbo, agora substituído por um 6-cilindros horizontais opostos três a três de aspiração natural, 4-litros, 400 cv a 7.000 rpm e 42,8 kgf·m entre 5.000 e 6.500 rpm com câmbio manual de seis marchas. Acelera de 0 a 100 km/h em 3,9 s, ótima marca.

Em poucas palavras, o oposto da maioria de hoje com motores turbo e câmbios automáticos até em carros esporte. E essa é a primeira ótima impressão do Cayman. O motor sobe de giros parecendo não ter fim até o corte automático a 7.800 rpm. A precisão do câmbio manual com ótimos engates só empolga. Se o motorista gosta de efetuar curvas muito rápidas se sentirá totalmente à vontade. Pode-se escolher entre quatro modos de condução por meio de um botão rotativo logo abaixo do raio direito do volante: normal, sport, sport plus e individual. Sport plus é para quem sabe muito bem o que explorar em um automóvel.

O quadro de instrumentos tem ótima visibilidade. Já o comando do freio de estacionamento fica do lado esquerdo, ao lado da chave de ignição e partida, porém sem o recurso do auto-hold, a ativação automática nas paradas. Volante, de dimensões perfeitas, comanda uma caixa de direção incrivelmente precisa e com assistência elétrica ideal.

Retenção do banco do motorista ajuda muito em curvas e o grau de dureza é o necessário para qualquer tocada rápida e longas viagens. Em capítulo à parte estão a potência e precisão dos freios, sempre ponto de honra para a Porsche. Por fim, há dois porta-malas: dianteiro, de 150 litros e traseiro, de 120 litros. Para viagens curtas e médias dão conta do recado.

Preço: R$ 680.000.

Territory evoluiu e agora, um verdadeiro Ford

O SUV médio fabricado na China pela Jiangling, uma associada da Ford, realmente é outro carro. A começar pelas dimensões. Comprimento (4.630 mm) permitiu um porta-malas de 448 litros e entre-eixos (2.726 mm), espaço ligeiramente maior para os passageiros do banco traseiro. O estilo também mudou: nada das linhas generalistas de antes. Territory ganhou em imponência, faróis de LED, rodas de 19 pol. e traseira também redesenhada com defletor de teto robusto. Teto solar panorâmico continua de série.

Internamente chama atenção a tela única (inspirada nos Mercedes-Benz). Tanto o quadro de instrumentos quanto o multimídia têm 12,3 pol. Mas não é tão prático de manusear, exigindo sair do espelhamento do celular (Android Auto e Apple CarPlay) para mudar o modo de condução ou a temperatura do ar-condicionado. O acabamento muito bom inclui superfícies agradáveis ao toque e transmite refinamento. Seletor de câmbio tem botão rotativo e há também freio de imobilização automática no para e anda do trânsito.

Motor 1,5-L turbo a gasolina ganhou 19 cv, saltando para 169 cv e também 2,6 kgf·m passando a 25,5 kgf·m. Abandonou a insossa caixa de câmbio CVT e agora há uma automatizada de duas embreagens em banho de óleo e sete marchas. Trata-se de um conjunto com diferenças bem marcantes em relação ao trem de força anterior e respostas imediatas ao acelerador. Aceleração de 0 a 100 km/h em 10,5 s pelo velocímetro Google Maps. Preço atraente frente aos principais rivais: R$ 209.990.

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