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BMW: Ser M ou não Ser?

Fotos: Divulgação e Renato Pereira

As principais montadoras européias tem um hábito semelhante, que é manter uma divisão esportiva sob sua batuta, afim de incrementar seus próprios modelos com kits de carroceria e motorização, transformando normalmente em excelente o que já é muito bom. Porém, existem muitas oficinas que “transformam” os modelos originais nos esportivos apenas com uma maquiagem e os vendem como se fossem realmente montados nas divisões das montadoras. Quem compra se estrepa, porque a diferença de valor costuma ser astronômica. Uma das divisões esportivas mais desejadas pela excelência de seus produtos é a M, da BMW e, não por acaso, também é uma das mais pirateadas, exigindo do comprador muita prudência antes de fechar um negócio e não ser feito de tonto. Vamos conhecer um pouco do mundo BMW M?

A BMW AG – Bayerische Motoren Werke AktienGesellschaft – foi estabelecida como uma entidade empresarial durante a reestruturação da fábrica de aeronaves Rapp Motorenwerke em 1917 quando, após o fim da I Guerra Mundial, a BMW foi forçada a abandonar a produção de motores de aeronaves pelos termos do Tratado de Versailles, mudando sua produção para as motocicletas, e só passou a produzir automóveis em 1928, sendo seu primeiro sucesso o Dixi, baseado no Austin 7, licenciado pela britânica Austin Motor Company. Com o rearmamento da Alemanha na década de 1930, a BMW voltou a produzir motores  aeronáuticos para a Luftwaffe e, finda a 2ª Guerra Mundial, entrou em imensas dificuldades financeiras até 1958, quando uma assembléia geral foi realizada para decidir seu futuro, optando pelo boom de carro econômico pós-guerra, e começou a produzir o italiano Iso Isetta, motorizados com unidades modificadas dos motores de motocicletas, obtendo um sucesso moderado que ajudou a empresa a se reanimar e, em 1958, a família Quandt tornou-se a acionista majoritária e controladora da BMW AktienGesellschaft. Esse é um resumo da ópera da BMW.

A BMW M GmbH – Bayerische Motoren Werke Gesellschaft mit beschränkter Haftung –,  anteriormente BMW Motorsport GmbH, é a Divisão esportiva da BMW AG, criada inicialmente.

Para viabilizar o programa de corridas da BMW, muito bem sucedido na década de 1960 e 1970 e que catapultou a montadora ao status de potência e luxo que hoje detém. Com o passar do tempo, a Divisão M começou a equipar alguns modelos de série da montadora até que entre 1972 e 1988 cresceu de 35 para 400 funcionários e iniciou as mudanças completas – carroceria, interior e, principalmente, performance (motor, transmissão, suspensão e freios) – que a tornou conhecida e seus modelos desejados em todo o mundo. Estreou no segmento em 1978 ao apresentar o modelo M1 no Salão do Automóvel de Paris. O M1, no entanto, era tão formidavelmente bom que tornou-se mais um carro de corridas do que um modelo esportivo para uso cotidiano. Esse é um resumo da ópera da Divisão M.

O objetivo da Divisão M começou a ser alcançado apenas um ano depois, quando do lançamento, em 1979, do modelo M535i, sua visão e leitura do popular sedan Série 5 de tamanho médio de alto luxo. Assim como todos os modelos de série da BMW AG, os Divisão M recebem grande upgrade mecânico e itens de segurança diferenciados para o mercado norte-americano. Sim, todos os BMW comercializados em todo o mundo são diferentes dos comercializados nos Estados Unidos, que são menos potentes. No Brasil, na hora da compra,  confira diversos detalhes em todo o carro, principalmente a plaqueta de identificação do motor e, por via das dúvidas, leve o carro até uma consessionária que, com todas as numerações que possuem, podem te garantir a autenticidade de um legítimo Divisão M. Uma calotinha, uma asa traseira, mini-saia ou spoiler dianteiro não são garantias de se tratar de um legítimo Divisão M.

Atualmente, a BMW M oferece versões modificadas de quase todos os modelos convencionais BMW, exceto os Série 1, o sedan Série 7 e os crossover compactos X1 e X3. Oficialmente, não existe uma versão M do Série 7 porque a montadora não queria que seu emblemático sedan agigantado utilizasse um motor de alta rotação, as recentes versões de alto desempenho (geralmente o BMW 760Li) têm motores V12 e são considerado muito pesados para o segmento esportivo. No entanto, como Divisão M está focada nos motores superalimentados, há rumores de que existe um BMW M7 em desenvolvimento. Por sua vez, os BMW X5 e X6 ganharam suas versões M de 2010 em diante. Foram os primeiros modelos Divisão M com xDrive (tração nas quatro rodas e transmissão automática com 6 marchas), e também seus primeiros modelos SUV. Só que, na verdade, o X5 e X6 M foram desenvolvidos pelo BMW AG e não pelo BMW M, que só deu “um tapinha” estético.

Até 2010, todos os modelos M nunca utilizaram supercharges, turbocompressores ou câmbios automáticos. Todos eram equipados com motores aspirados e câmbios manuais ou sequenciais com embreagem dupla. Porque essa discriminação? Simples: Inteligência e foco. A BMW M tem enfatizado seus projetos apenas nos veículos com “Agilidade Lateral”, como os Série 3, Série 5, e Roadsters. Assim sendo, um carro M tem que ser ágil e fundamentalmente tão estável quanto excelente para acelerar. Os motores mais famosos da Divisão M são os aspirados de alta rotação, com um rugido característico, particularmente o V10 S85 do M5 e M6 e o S65 6 cilindros em linha do M3. Estes são os motores BMW mais potentes já construídos sem superchrarger ou turbo, com uma potência de 100 Cv por litro de deslocamento.

No entanto, no final dos anos 2000 as regulamentações internacionais sobre a redução das emissões de CO2 e consumo de combustível direcionaram, a contragosto, a montadora bávara no desenvolvimento de novas tecnologias e materiais para aposentar os aspirados e migrar para os motores superalimentados para todos os modelos, e a Divisão M entrou na dança junto. De cara, o N54 twin-turbo 6 cilindros em linha que estreou em 2007 no BMW 335i oferece um desempenho quase equivalente ao dos E46 e E90 V8 do BMW M3, sendo também muito mais prático e econômico. O X5 M e X6 M passaram a utilizar os motores F15 e F16, e no novo M5, a BMW introduziu o S63 twin-turbo, que não só produz mais potência e torque, mas também é mais eficiente do que o V10 S85 anterior.

Essa nova tecnologia de motores superalimentados não é assim tão nova; a própria BMW, quando fabricante de motores aeronáuticos, era dona dos melhores propulsores (depois bastante copiada, claro), porque descobriu como resolver o problema crônico que assolava os aviões de caça: em suas manobras alucinantes e piruetas, quase sempre acontecia uma falha da injeção de combustível e, em manobras de subida vertical, era o motor inteiro que falhava em determinada altitude. A instalação de um turbocompressor e a injeção direta de combustível resolveu os dois problemas. Logicamente o sistema era rudimentar, assim como os próprios motores, mas deu mais do que certo.

O turbocompressor em seu sistema mais conhecido, aquele “caracol” que faz o motor “espirrar” quando se troca de marchas, por si só não adianta grande coisa, uma vez que depende do volume dos gases queimados para começar a funcionar, e isso só acontece acima de uma rotação mais elevada do motor. Resolveu-se o problema com a adição de um supercharger, que é um compressor tipo Root, que funciona acoplado diretamente ao virabrequim, ou seja, está ativo desde o momento em que se liga o motor, mas que só tem utilidade até certo número de rotações, depois seu funcionamento se anula. Com essa “dupla dinâmica” em ação, quando um está perdendo o efeito o outro está assumindo a função, o motor está sempre sobrealimentado e a injeção direta de combustível mantém a alimentação correta continuamente. Tecnologia antiga, aperfeiçoada e silenciosa, importada da indústria aeronáutica e que é a base de todos os motores moderníssimos da indústria automobilistica alemã atual.

Vamos conferir todos os modelos e versões – como já mencionado, o que se consome da Europa não é o mesmo que se consome nos Estados Unidos, país de origem da maioria dos veículos importados por comerciantes particulares brasileiros –, e é isso que diferencia os modelos que, embora pareçam idênticos, são menos potentes e criam problemas na hora da revenda desses veículos, porque a diferença de valor é muito alta. Os modelos BMW AG preparados oficialmente pela Divisão M, com nomenclatura correta, codificação do motor e ano de produção são esses:

1M Coupé = E82 Coupé – 2011

Motor: N54, 6 cilindros em linha, Turbo, 340 Cv

Motor: S55, 6 cilindros em linha, 3.0 litros, Turbo, 425 Cv

M1 = E26 Coupé – 1978 a 1981

Motor: M88, 6 cilindros em linha, 3.5 litros, Aspirado, 273 Cv

M3 = E30 Coupé e Conversível – 1985 a 1992

Motor: S14, 4 cilindros em linha, 2.3 litros, Aspirado, 192 Cv

Motor: S14, 4 cilindros em linha, 2.3 litros, Aspirado, 212 Cv

M3 = E36 Coupé, Sedan e Conversível – 1992 a 1999

Motor: S50, 6 cilindros em linha, 3.0 litros, Aspirado, 282 Cv

Motor: S50, 6 cilindros em linha, 3.2 litros, Aspirado, 316 Cv

Motor: S52, 6 Cilindros em linha, 3.2 litros, Aspirado, 240 Cv (USA)

M3 = E46 Coupé e Conversível – 2000 a 2006

Motor: S54, 6 cilindros em linha, 3.2 litros, Aspirado, 343 Cv

M3 = E92 Coupé e Conversível – 2007 a 211 Sedan, 2013 Conversível

Motor: S65, 8 cilindros em V, 4.0 litros, 420 Cv

M3 = F80 Sedan – 2013 até hoje

M4 = F82 Coupé – 2014 até hoje

Motor: S55, 6 cilindros em linha, 3.0 litros, Turbo, 431 Cv

Motor: S63, 8 cilindros em V, 4.4 litros, Turbo, 575 Cv

Motor: S63, 8 cilindros em linha, 4.4 litros, Turbo, 560 Hp

M5 = E12 535i Sedan – 1980

Motor: M88, 6 cilindros em linha, 3.5 litros, Aspirado, 282 Cv

Motor: M88, 6 cilindros em linha, 3.5 litros, Aspirado, 256 Cv (USA)

M5 = E28 Sedan – 1985 a 1988

Motor: M88, 6 cilindros em linha, 3.5 litros, Aspirado, 282 Cv

Motor: M38, 6 cilindros em linha, 3.5 litros, Aspirado, 256 Cv (USA)

M5 = E34 Sedan e Touring – 1989 a 1995

Motor: S38, 6 cilindros em linha, 3.8 litros, Aspirado, 335 Cv

Motor: S38, 6 cilindros em linha, 3.6 litros, Aspirado, 311 Cv (USA)

M5 = E39 Sedan – 1998 a 2003

Motor: S62, 8 cilindros em V, 4.9 litros, Aspirado, 394 Cv

M5 = E60 Sedan – 2004 a 2010

Motor: S85, 10 cilindros em V, 5.0 litros, Aspirado, 500 Cv

M5 = E61 Touring – 2007 a 2010

Motor: S85, 10 cilindros em V, 5.0 litros, Aspirado, 500 Cv

M5 = F10 Sedan – 2011 até hoje

M6 = E24 M635 CSi Coupé – 1983 a 1989

Motor: M88, 6 cilindros em linha, 3.5 litros, Aspirado, 282 Cv

M6 = E24 Coupé – 1983 a 1989

Motor: M88, 6 cilindros em linha, 3.5 litros, Aspirado, 282 Cv

M6 = E63 – Coupé – 2005 a 2010

Motor: S85, 10 cilindros em V, 5.7 litros, Aspirado, 500 Cv

M6 = E64 – Conversível – 2005 a 2010

Motor: S63, 10 cilindros em V, 5.7 litros, Aspirado, 500 Cv

M6 = F12 Grand Coupé, Coupé e Conversível – 2012 até hoje

M8 = E32 850CSi Coupé – 1991 a 1999

Motor: M70, 12 cilindros em V, 6.0 litros, Aspirado, 550 Cv

X5M = F15 SUV – 2014 até hoje

Motor: SAV, 8 cilindros em V, 4.4 litros, Turbo, 575 Cv

X6M = F16 SUV – 2014 até hoje

Motor SAV, 8 cilindros em V, 4.4 litros, Turbo, 575 Cv

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