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Avaliação – Volkswagen Virtus 200 TSI Comfortline Aut. Flex 2018

Fotos: Marcus Lauria

O lançamento do VW Polo sacudiu o mercado. Com um nível elevado de segurança e tecnologia, o carro logo caiu nas graças do povo, e praticamente ofuscou a existência do Fiat Argo, um de seus principais rivais. Mas, embora o Polo tenha espaço suficiente para uma família pequena, é sabido que brasileiro tem paixão por carros com muito espaço, e para isso nasceu o Virtus.

Até a coluna central, Virtus e Polo são a mesma coisa. Porém, a situação começa a mudar dali para a traseira, aonde de cara percebe-se o ganho expressivo de 8,6 cm entre os eixos, totalizando 2,65 m, mesma medida do Jetta. Mérito da plataforma MQB A0, esse maior espaço entre as rodas se resume principalmente em espaço para as pernas de quem viaja atrás. Tanto espaço que eu, com 1,90 m, me sinto melhor no banco traseiro do Virtus do que no banco traseiro do VW Jetta, por exemplo.

As linhas exclusivas do sedã estendem-se ainda à linha do teto, que flui para a traseira como em um cupê, dando ao Virtus o DNA esportivo que acompanha os sedâs VW e Audi da modernidade. Por falar em Audi, o desenho das lanternas traseiras lembra bastante os carros de Ingolstadt, especialmente o Audi A3 Sedã. São belas linhas, que aproximam o Virtus mais do Jetta do que do espartano Voyage.

Com 4,48 m de comprimento, o Virtus se impõe até mesmo diante da concorrência, igualando o comprimento do Chevrolet Cobalt, superando um pouco o Honda City (4,45 m) e superando de longe o Chevrolet Prisma (4,28 m) e o recém-lançado Fiat Cronos (4,36 m). No generoso porta-malas cabem 521 litros, mais do que os 510 litros do Jetta, por exemplo. Seu banco traseiro é bipartido, e permite a acomodação de bagagens mais compridas, caso elas passem pela boca do porta-malas.

Do lado de dentro do carro há bom espaço em qualquer assento. Na dianteira, há bancos com bons apoios para as coxas e apoio lombar praticamente inexistente, que causam dor na coluna em usos prolongados. O acabamento é simples, porém correto. Não há materiais macios ao toque, mas há diferentes texturas nos plásticos do painel e das portas. O cluster convencional tira um pouco do brilho do interior, que fica mais atraente na versão Highline com todos os opcionais. No console central há um apoio de braço bem baixo que serve de porta objetos, e há também saídas de ventilação para o banco traseiro.

Debaixo do capô da versão Comfortline (intermediária) está o competente 1.0 TSI 12V turbinado, que rende 116/128 cv @ 5.500 rpm (G/E) de potência e 20,4 kgfm @ 2.000-3.500 rpm de torque. Esse motor vem combinado a uma transmissão automática de seis velocidades, com trocas sequenciais na alavanca ou por paddle shifters atrás do volante. É um conjunto forte, que entrega bom desempenho ao sedã, que pesa 50 kg a mais do que o Polo.

Rodando na cidade, nota-se a solidez do carro, cuja estrutura transmite segurança e sensação de qualidade aos ocupantes. O câmbio conversa bem com o motor, embora o conversor de torque seja um pouco afoito, obrigando o condutor a pisar firme no freio em semáforos por exemplo. As suspensões filtram os buracos apenas de forma regular, e algumas ondulações mais agressivas transmitem desconforto aos ocupantes do carro. Seu consumo urbano é de 12,4 km/l com gasolina.

Na estrada a suspensão firme se transmite em dinâmica correta, com uma aptidão excelente para contornar curvas de qualquer raio, mesmo em velocidades mais altas. Além do bom equilíbrio do carro, há também recursos eletrônicos como o bloqueio eletrônico do diferencial (EDS), que freia a roda interna à curva, ajudando o carro a apontar na direção certa. E se algo der errado, há controles de tração e de estabilidade, enquanto freios a disco nas quatro rodas se encarregam de frear o carro até mesmo em condições bem adversas. E seu consumo é bom, 16,5 km/l com gasolina.

Um detalhe que merece um parágrafo é a aptidão do carro para lidar com chuvas intensas. Tanto quando testei o Polo quanto agora com o Virtus eu encarei uma chuva realmente forte, e ambos os carros se comportaram de forma irrepreensível. A aquaplanagem é quase inexistente, há sistemas para secar discos e pastilhas de freio e uma série de recursos eletrônicos de segurança ativa que deixam o motorista realmente confiante no carro que tem nas mãos.

Por fim, o detalhe mais desagradável do Virtus: seu preço. Por R$ 73.490 é possível levar um Virtus Comfortline para casa, mas um carro igual o que testamos custa R$ 77.440, preço do opcional Tech II e da pintura vermelha. Se você não precisa de tanto espaço quanto o Virtus oferece, sua melhor compra está dentro da própria VW: o Polo.

*FICHA TÉCNICA:

Mecânica

Motorização 1.0

Combustível             Álcool            Gasolina

Potência (cv)            128     116

Torque (kgf.m)         20,4    20,4

Velocidade Máxima (km/h)           194     187

Tempo 0-100 (s)      9,6   

Consumo cidade (km/l)      7,8      11,2

Consumo estrada (km/l)    10,2    14,6

Câmbio          automática de 6 marchas

Tração           dianteira

Direção          elétrica

Suspensão dianteira          Suspensão tipo McPherson e dianteira com barra estabilizadora, roda tipo independente e molas helicoidal.

Suspensão traseira            Suspensão tipo eixo de torção, roda tipo semi-independente e molas helicoidal.

Freios            Quatro freios à disco com dois discos ventilados.

Dimensões

Altura (mm)   1.472

Largura (mm)           1.751

Comprimento (mm)             4.482

Tanque (L)    40

Entre-eixos (mm)     2.651

Porta-Malas (L)        521

Ocupantes    5

*Dados do fabricante

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