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Avaliação – Volkswagen Saveiro Cross 1.6 16v MSI Flex cab. dupla 2015

Fotos: Marcus Lauria

Fiat Strada e Chevrolet Montana que me perdoem, mas quem faz o melhor papel de carro no segmento das picapes compactas é a VW Saveiro, especialmente na versão Cross. Veja bem que eu disse “carro” e não “utilitário”, afinal a Saveiro possui, em relação às concorrentes, o melhor ajuste de direção e suspensão para o lazer e, o que já era bom antes com o motor 1.6 8V, ficou ainda superior com a adoção do motor 1.6 16V.

Já que falamos sobre o propulsor, vamos começar por ele. A Saveiro Cross é a única versão da picape a contar com o moderno EA211 1.6 16V, que traz bloco e cabeçote em alumínio e duplo comando de válvulas variável apenas na admissão. Com gasolina são 110 cv @ 5.750 rpm de potência e 15,8 kgfm @ 4.000 rpm de torque. Já com etanol, há um expressivo ganho de 10 cv na potência e 1 kgfm no torque, nos mesmos regimes de rotação. Além de ser mais potente que o 1.6 8V que ainda equipa outras versões, ainda consegue ser 15 kg mais leve.

Enquanto na família Fox o motor EA211 vem acompanhado da transmissão de seis marchas MQ200-6F, na Saveiro Cross, assim como no Gol Rallye, as cinco marchas da MQ200 estão lá, abusando da qualidade dos engates e do escalonamento ideal. A VW ainda não disponibilizou transmissão automatizada para a Saveiro, e nesse ponto fica devendo para a Fiat Strada, que conta com opção de Dualogic.

A evolução da Saveiro Cross não ficou apenas no novo propulsor e na opção de cabine dupla, é o que podemos ver na tecnologia embarcada, que traz freios ABS com tecnologia off-road (que dá uma travadinha de leve para formar um montinho de terra na frente da roda e segurar o carro), controles de estabilidade e tração, além do assistente de partida em rampa. E, assim como a Strada traz o Locker, a Saveiro também conta com um dispositivo (EDS) que simula um bloqueio de diferencial, freando a roda com menos aderência em uma aceleração e transferindo o torque para a outra roda, mas ao contrário do Locker, não requer intervenção do motorista e funciona a até 80 km/h, contra 20 km/h do rival. Os freios a disco também na traseira são comuns a todas as Saveiro.

A única mudança visual da Saveiro Cross é a própria cabine dupla, que não traz estranheza ao visual do carro mesmo com o teto elevado para abrigar a cabeça dos ocupantes adicionais. Do lado de dentro continua tudo igual também, com revestimentos em tons escuros, bancos exclusivos da versão Cross e acabamento simples mas bem montado. O motorista encontra sua posição de dirigir com facilidade, pois há ajuste de altura do banco e ajustes de altura e profundidade da coluna de direção. A visibilidade é boa pelos espelhos laterais e à frente, enquanto a caçamba empinada atrapalha a visibilidade traseira, mas graças ao sensor de estacionamento com indicação gráfica, estacionar de ré não é um sofrimento dos maiores.

O espaço interno é o mesmo para os ocupantes da frente, embora eu tenha ficado com uma impressão (não confirmada) que o banco do motorista desce menos do que na versão com cabine estendida. Apesar da VW dizer que cabem três passageiros no banco de trás, o que é reforçado pelos três apoios de cabeça, pessoas com mais de 1.70m terão problemas para acomodar as pernas ali, e caso queira viajar com três indivíduos no banco traseiro que não sejam crianças ou anões, prepare-se para cultivar novos inimigos. E acessar o banco traseiro também é um problema (faz falta a terceira porta igual da Strada), pois apesar da porta generosa, o rebatimento dos bancos dianteiros não ajuda muito.

Em relação à versão com cabine estendida, a Saveiro Cross cabine dupla tem uma capacidade de carga 13 kg inferior, totalizando 607 kg. A caçamba comporta 580 litros, ante 734 litros da versão sem bancos traseiros, dificultando até mesmo a tarefa de carregar bicicletas no bagageiro. Ainda por culpa da cabine dupla, o estepe foi obrigado a morar debaixo da caçamba, enquanto os equipamentos como triângulo e chave de roda ficam guardados em um prático compartimento abaixo do banco traseiro.

Manobrar a Saveiro requer um pouco de espaço e paciência, pois apesar de compacta com seus 4,51 m de comprimento e 1,72 m de largura, o diâmetro de giro de 11,5 m e a distância entre-eixos de 2,75 m atuam como complicadores enquanto sua direção com assistência hidráulica não é das mais leves em manobras.

Quando colocamos a Saveiro Cross em movimento, as boas qualidades do carro começam a se tornar mais evidentes. Em trânsito urbano, o motorista desfruta de bom isolamento acústico, suspensões parrudas que filtram com louvor a buraqueira e as lombadas, além de boas respostas mesmo em baixas rotações, afinal de acordo com a VW, 85% do torque máximo do motor está disponível a partir das 2.000 rpm.

No uso rodoviário, a Saveiro continua a agradar o condutor, com seu ajuste impecável de suspensão, que mantém a picape estável em qualquer situação. Os pneus Pirelli Scorpion 205/60 R15 são de uso misto, mas agarram bem no asfalto e garantem o sorriso do motorista em curvas mais selvagens ou nas frenagens mais vigorosas. Já o motor mostra o seu brilho, com um comportamento instigante acima das 3.500 rpm, aonde o carro passa a puxar com mais intensidade e até mesmo o ronco do motor muda de timbre. Diferente do EA111 1.6 8V que é vigoroso em baixas e médias rotações mas apático em altas, este EA211 responde bem em qualquer rotação e cresce disposto até além das 6.000 rpm, parecendo ter mais do que os 120 cv divulgados.

Em conduções mais empolgadas, a Saveiro pouco demonstra seus 1.133 kg, seja nas acelerações e retomadas vigorosas ou na facilidade com que é possível jogar o carro sem dó nas curvas. Graças ao entre-eixos longo, quando apontamos a Saveiro em curvas de raio longo, a traseira vem junto com a dianteira e o carro abusa de um comportamento neutro e viciante, sem sinal de dianteira espalhando. A dinâmica é tão boa que o controle de estabilidade quase não precisa trabalhar. Sua direção é bem calibrada e os freios são cirúrgicos, com pouca intervenção do ABS.

Outra qualidade do propulsor EA111 é a eficiência, permitindo que a Saveiro viesse a render em nosso teste, com etanol, 8,1 km/l na cidade e 10,9 km/l na estrada. O consumo rodoviário pode não parecer dos melhores, mas precisamos lembrar que a Saveiro possui um Cx de praticamente 0,40. Talvez fosse uma boa opção trazer a sexta marcha da família Fox para deixar o motor girando menos em velocidades de cruzeiro, pois torque em baixa a Saveiro tem de sobra.

Mas como nem tudo na vida são flores, há um detalhe no qual a Saveiro Cross derrapa: o preço. Partindo de elevados R$ 66.990, ela pode chegar a R$ 70.249 se for equipada com todos os opcionais disponíveis, inclusive a pintura laranja canyon do carro testado. Se servir de consolo à Saveiro, a Fiat Strada Adventure Cabine Dupla pode chegar a até R$ 75.929 com câmbio manual ou R$ 79.682 com câmbio automatizado. São valores vergonhosos se comparados aos R$ 51.670 da VW Saveiro Cross cabine estendida mais cara, como a que testamos em Agosto de 2013. Afinal, aonde vamos parar?

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