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Avaliação – Volkswagen Golf Highline 1.4 TSi Flex 2016

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O melhor. Essa talvez seja a palavra que define o VW Golf de sétima geração. Ele é o melhor Golf de todos os tempos, bem como é o melhor VW fabricado no Brasil e, talvez, seja o melhor hatch médio produzido no Brasil. Ele chegou ao Brasil importado da Alemanha, com motor 1.4 TSI de 140 cv, câmbio DSG de 7 velocidades e suspensão multilink na traseira, entre outros recursos de luxo que um Focus ou Bravo nem sonhavam em ter. Custando em torno de R$ 74.000 (R$ 68.000 na versão manual), o Golf Highline fez estrago com a conta bancária de muita gente.

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Mas trazer o Golf da Alemanha custava caro, então a VW se viu obrigada a subir o preço do carro, culpa também do panorama econômico brasileiro. Eis que então surgiu uma alternativa: trazer o Golf do México. Ele perdeu alguns itens, como o freio de mão eletrônico e, devido aos aumentos de preço, veio em uma versão mais simples, a Comfortline, que ainda assim trazia o mesmo conjunto motor/câmbio da versão Highline por um preço na casa dos R$ 70.000.

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O Golf vendia bem, e a VW viu uma oportunidade de aumentar seus lucros. As escaladas de preço do carro foram enormes, tanto que quem vendia um Golf alemão no mercado de usados recebia o mesmo valor que pagou no momento da compra quando zero. O Golf se tornou um ativo financeiro, ter um na mão era quase um investimento. Só que os preços do Golf zero mexicano já começavam a se tornar altos demais para a realidade brasileira, com a versão Highline básica beliscando os R$ 90.000. Qual a solução? Produzir o carro no Brasil.

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Logo que a produção nacional foi anunciada, os apaixonados pelo Golf torceram o nariz. Saiu o câmbio DSG e entrou o Aisin de 6 velocidades, a suspensão traseira deixou de ser multilink e passou a ser eixo de torção, mas em compensação o motor ganhou 10 cv e passou a ser flex. Ok, tudo bem perder um pouco de dinâmica e agilidade em troca de um preço mais em conta, certo? Sim, pena que não foi isso que aconteceu, pois a VW enlouqueceu com o preço do Golf. No lançamento do Golf VII nacional, a versão Highline já chegou acima dos R$ 90.000 com câmbio automático, um tanto absurdo. Pena que para a VW, não era tão absurdo assim, e os preços continuaram subindo, a ponto de um VW Golf Highline AT custar hoje a partir de R$ 105.870. Achou surreal? Experimente montar igual ao carro que testamos e se prepare para chorar com o preço de R$ 140.138.

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Geralmente eu tento esquecer o aspecto preço ao avaliar um carro, especialmente um carro do nível do Golf, que agrada desde o momento que você coloca as mãos em sua chave presencial. A posição de dirigir é ótima, os bancos apóiam o corpo de maneira agradável, as regulagens de volante e bancos são amplas e o espaço interno é suficiente para 4 adultos. No porta-malas, cabem 313 litros de bagagem, um bom índice para um hatch.

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Manobrar o Golf é tarefa simples com sua direção elétrica e os sensores de estacionamento por todos os cantos da carroceria. A versão testada contava com assistente de estacionamento capaz de parar o carro em vagas perpendiculares ou paralelas ao meio fio, um luxo. Sua visibilidade é muito boa para todas as direções, com total ausência de pontos cegos. O diâmetro de giro é de bons 10,9 metros.

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Ao rodar na cidade, nota-se a solidez do carro ao encarar vias esburacadas, bem como o ótimo trabalho da VW em calibrar a suspensão para o nosso piso. Em comparação com o Golf importado, a versão nacional está mais apta a rodar por nossas ruas que deixariam a superfície lunar com inveja das crateras. O câmbio Aisin não é tão ágil quanto o DSG, mas entende bem as necessidades do motorista e faz um bom conjunto com o motor 1.4 TSI.

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Por falar em motor, estamos lidando com um propulsor 1.4 16V turbo que gera 150 cv de potência @ 4.500 rpm e 25,5 kgfm de torque @ 1.500 rpm com qualquer combinação de gasolina ou álcool no tanque. Com injeção direta, comandos de válvulas variáveis na admissão e no escape, esse motor é uma jóia tecnológica. Sua força é orquestrada pela transmissão automática de seis velocidades e distribuída nas rodas dianteiras. Rápido, esse conjunto fez o Golf acelerar de 0-100 km/h em 8,1 s no nosso teste. Além de rápido, também é econômico. Com etanol, fez 8,3 km/l na cidade e 12,1 km/l na estrada. Já com gasolina, fez 10,7 km/l na cidade e 15,4 km/l na estrada, sempre com ar-condicionado ligado.

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No uso rodoviário, o rodar suave do Golf agrada aos passageiros, e sua dinâmica em quase nada foi prejudicada pela troca da suspensão traseira. Obviamente que no limite em uma curva com alteração de relevo, a suspensão multilink daria um baile na suspensão com eixo de torção, mas na prática, em 90% do tempo você mal sentirá falta da multilink, tão boa é a calibragem feita neste carro. No limite, o Golf tende à neutralidade, com pouca tendência dianteira. Seus freios possuem resposta ideal, com ótimo feedback do pedal. A direção elétrica ganha a progressividade necessária conforme a velocidade sobe.

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Com todos os equipamentos disponíveis, o Golf dá um show de tecnologia, especialmente no ACC (Controle de cruzeiro adaptativo), que mantém a velocidade do carro à frente tornando a condução quase autônoma. Há também detector de fadiga, assistente de luz alta, frenagem automática caso um risco eminente seja detectado pelo carro e mais uma série de recursos. Mas há um grande problema nisso tudo, pois para equipar um Golf Highline com tanta tecnologia, paga-se R$ 28.368 pelo pacote Premium.

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E com isso voltamos ao problema do preço cobrado pelo VW Golf. Não há dúvidas que se trata de um ótimo carro, que mantém grande parte de suas características originais mesmo com a fabricação nacional, mas é fato que seu preço está muito acima de sua realidade. Um Focus Titanium pode não ser tão tecnológico, mas é bem interessante e custa muito menos. O mesmo pode se dizer do Cruze Sport6 que está pronto para sair do forno, também equipado com motor 1.4 turbo e câmbio automático de seis velocidades. Definitivamente o Golf é um carro diferenciado, mas com o preço que é cobrado por ele atualmente, não vale à pena.

CONFIRA NOSSO VÍDEO:

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