AvaliaçõesHondaTestes

Avaliação – Honda Civic 1.5 Touring Turbo CVT 2017

Fotos: Marcus Lauria

Há um ditado popular que diz que “se não pode vencê-los, junte-se a eles”. A Honda nunca precisou se incomodar muito com a concorrência do Civic (ao menos aqui no Brasil), pois o sedan médio sempre vendeu muito bem, além de ser referência em questão de confiabilidade e valor de revenda, algo que ainda pesa muito para o consumidor brasileiro na hora da compra; entretanto, mesmo tendo um bom conjunto, o Civic já se mostrava defasado quando comparado com outros integrantes da categoria. Era a hora da Honda fazer alguma coisa.
 
 
Foi aí que veio a décima geração, renovando o sedan de uma ponta a outra. Do antigo Civic só sobrou o motor 2.0, e mesmo assim sofreu atualizações e está disponível apenas para as versões de entrada e intermediárias, respectivamente Sport, EX e EXL. O Touring do teste de hoje é o topo de linha, adotando a mesma nomenclatura do mercado norteamericano e é também inteiramente novo. Por hora é a única versão a vir com o inédito motor 1.5 Earth Dreams turbinado de 173cv e 22,4kgfm de torque movido a gasolina, aliado a um câmbio CVT que simula sete marchas e permite trocas pelos paddle shifters atrás do volante.
 
 
A evolução do modelo começa pelo design, totalmente remodelado e mais agressivo do que nunca. Os mais tradicionais podem sentir falta das linhas discretas e retas, mas a nova silhueta que remete a um fastback conferiu um ar futurista ao japonês e o rejuvenesceu, tornando-o capaz de atrair novos clientes. As grandes lanternas invadem o porta-malas, enquanto que as janelas ganharam um friso cromado na parte superior que deixa o desenho geral mais elegante. Os faróis são estreitos como os do modelo anterior, e no caso do Touring são inteiramente em LEDs montados em refletores. Até mesmo os de neblina são em LEDs, corrigindo um antigo erro da Honda em não oferecer um conjunto ótico mais refinado para o Civic que sempre trouxe apenas os faróis halógenos para o Brasil, enquanto a concorrência já trazia sistemas bi-xenon adaptativos.
 
 
Ao entrar no carro, as boas impressões continuam. O tom preto domina a cabine indo do assoalho até o forro do teto, e todos os acabamentos possuem encaixes honestos e arremates bem feitos, apesar de haver muito plástico. O banco do motorista tem ajustes elétricos de série e os passageiros viajam com conforto; a única ressalva fica para o caso de pessoas altas no banco traseiro, pois o caimento do teto devido ao novo desenho pode fazer com que elas raspem a cabeça. O painel é envolvente e agrada a quem gosta de tecnologia, pois traz uma tela multimídia de 7 polegadas sensível ao toque com GPS, espelhamento com smartphones e muito mais, além do ar condicionado digital de duas zonas (outra boa novidade, uma vez que o modelo anterior possuía apenas uma zona) e painel com tela digital multifuncional ao centro dedicada a mostrar velocidade, rotações por minuto, consumo, dados de áudio, navegação GPS e muito mais. O acabamento do interior é em couro nos bancos e porções dos forros de porta de série.
 
 
 
A lista de itens de série continua com seis airbags, controles de tração e estabilidade, teto solar elétrico, assistente de partida em rampas, freio de estacionamento elétrico com função “Hold” (segura o carro sozinho em paradas sem precisar manter o pé no freio, útil para congestionamentos), partida por botão, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, LaneWatch (assistente de ponto cego que utiliza uma câmera no retrovisor direito, jogando a imagem do campo de visão na tela da central multimídia), controle de cruzeiro, volante multifuncional, retrovisor interno eletrocrômico e sensor de chuva (ativa o limpador automaticamente). Tudo isso tem um preço e não é nada barato: a Honda pede R$124.900,00 pelo Civic Touring, tendo como únicos opcionais as cores peroladas.
 
 
O Civic aumentou bastante de valor, mas oferece um conjunto mais completo e sofisticado do que nunca, além de uma experiência de direção superior a do modelo anterior. O novo motor 1.5 turbo consegue combinar boas médias de consumo (aproximadamente 12km/l na cidade e 14km/l na estrada) com um rodar tranquilo (graças às sete marchas simuladas, o Civic se mantém sempre em baixo giro mesmo em velocidades mais altas, como os menos de 1500rpm a 70km/h ou os cerca de 2000rpm a 110km/h) e um bom desempenho.
 
 
O rodar urbano é agradável e seguro graças ao torque integralmente disponível já aos 1700rpm, mostrando que os números inferiores aos da concorrência não significam menos diversão quando necessário. E falando em diversão, o câmbio CVT é odiado pelos que gostam de uma condução mais agressiva, mas mesmo equipado com ele, o Civic Touring sabe ser esperto quando provocado e faz o motorista sorrir com o auxílio dos sons da turbina trabalhando. O 0 a 100km/h acontece em 8,3 segundos e a máxima é de 221km/h.
 
 
Característica sempre elogiada no Civic, o comportamento dinâmico em curvas continua sendo um dos pontos fortes. Os controles eletrônicos de segurança mantém o carro nos trilhos o tempo inteiro mesmo nas curvas mais fechadas, sem sinais de sub-esterçamento (saída de frente), e trabalham em harmonia com a suspensão independente nas quatro rodas. Os pneus 215/50 R17 calçam rodas de 17 polegadas e acabamento de face diamantada com porção interna em preto brilhante; é o mesmo modelo de roda disponível nas outras versões, sem outras opções.
 
 
 
Em suma: o Civic evoluiu por completo, e aprendeu com os concorrentes ao oferecer itens que antes não existiam nem como opcionais e faziam falta ao modelo. Se os R$124.900 pedidos pela Honda valem ou não, fica a cargo do consumidor dizer. O fato é que a geração 10 é a melhor representação do sedan japonês, e tem tudo para conquistar o consumidor que procura um modelo atual com desempenho satisfatório, baixo consumo, bom espaço interno e lista de equipamentos condizente com a categoria.
CONTINUA NA PÁGINA 2
1 2Próxima página
Etiquetas
Mostrar mais

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

Botão Voltar ao topo