Avaliação – Renault Sandero Stepway 1.6 8V Easy-r 2015

Fotos: Marcus Lauria

A julgar pela receptividade nas ruas, pode-se dizer que a Renault acertou a mão na reformulação do Sandero Stepway. Lançado em 2008, a variante aventureira do Sandero sempre teve visual bem resolvido, dispensando aberrações como estepe pendurado na traseira ou excesso de plásticos, o carro sempre respondeu bem nas vendas, mantendo em média 1/3 das vendas observadas para o hatch.

Com o facelift, a versão aventureira continua a se distanciar das versões civis ao adotar suspensão mais alta e recalibrada (19 cm do solo), máscara negra em faróis e lanternas, para-choques diferenciados e exclusivos, além de um aplique plástico que dá a volta em todo o carro, atuando também como saias laterais e cobre os para-lamas, contribuindo para o aumento de massa muscular do Stepway. Barras longitudinais no teto e “skid plates” na dianteira e traseira completam a roupagem aventureira.

Do lado de dentro, nota-se que a Renault preferiu não exagerar na ousadia, representada apenas pelos bancos com revestimento exclusivo em relevo e pelos apliques em laranja no painel e no cluster. Além disso, estão presentes as ótimas atualizações recebidas pela nova linha Sandero, como o ar-condicionado automático, o controle de cruzeiro e a central multimídia Media Nav, que entre outros recursos, também ajuda o motorista a conduzir o carro de forma mais econômica por meio de aplicativos.

Enquanto a versão anterior combinava câmbio manual de cinco marchas ou automático convencional de quatro velocidades com um motor 1.6 16V, o Stepway atualizado traz a mesma receita dos irmãos civis: motor 1.6 8V com 106/98 cv @ 5.250 RPM de potência e 14,5/15,5 kgfm @ 2.850 RPM (gasolina/etanol). O câmbio pode ser manual de cinco velocidades ou o Easy R automatizado, também de cinco velocidades, como a versão avaliada. Falaremos mais sobre o casamento entre motor e câmbio mais à frente.

 

Entrando no carro, a primeira coisa que se observa é o amplo espaço, mesmo para 5 passageiros corpulentos. Sobra espaço para joelhos e cabeça, e o porta-malas também não fica devendo, com seus suficientes 320 litros de capacidade. O acabamento interno evoluiu de forma considerável, com superfícies bem encaixadas e de visual agradável, transmitindo um ligeiro requinte ao carro, algo que faltava na versão anterior.

Não há dificuldades para encontrar uma boa posição de dirigir no Sandero Stepway, embora o volante continue sem oferecer regulagem em profundidade. De qualquer forma, os bancos dianteiros evoluíram e apoiam melhor os passageiros, enquanto o volante tem boa pegada, embora seu raio seja ligeiramente grande. Os comandos estão todos à mão, não sendo necessário um longo tempo de aprendizado antes de colocar o carro em movimento. Quanto à visibilidade, tanto os grandes retrovisores quanto a posição elevada de dirigir praticamente eliminam pontos-cegos.

Manobrar o Sandero não é complicado, mesmo com a direção hidráulica um pouco pesada, mas o diâmetro de giro de 10,5 m facilita a vida em garagens apertadas. Seus 4,09 m de comprimento, 1,75 m de largura, 1,58 m de altura e 2,59 m de distância entre eixos pouco são sentidos pelo motorista. Além da boa visibilidade para trás, o modelo testado vinha equipado com câmera de ré, que projetava suas imagens na central multimídia. Para completar, o câmbio automatizado Easy R traz a função de avanço lento (creeping), facilitando a vida quando precisamos de movimentos curtos em manobras de estacionamento.

Ao colocar o Sandero Stepway em movimento na cidade, percebe-se que a evolução na calibragem da suspensão deixou o carro ainda melhor, filtrando buracos sem dificuldade, além de oferecer conforto aos ocupantes. Há novos coxins e buchas, além de bitolas maiores na dianteira (33 mm) e traseira (25 mm). O ganho de 4 cm em relação ao solo frente à versão civil faz com que o Stepway devore dejetos viários (lombadas e afins) com louvor. O isolamento acústico é bom, assim como o sistema de som, e o carro se torna um bom companheiro para o deslocamento diário.

Uma hora eu teria que falar do câmbio Easy R, o calcanhar-de-aquiles do modelo. A transmissão não é ruim, mas seu funcionamento é moroso em modo D (Drive), com certa dificuldade em entender kick downs ou aquelas tiradas de pé quando queremos marcha ascendente. A solução para isso seria um modo S (Sport), como visto na concorrência. No caso das trocas sequenciais, o sistema tem bom funcionamento, desde que o motorista se acostume a aliviar o pé nas trocas e entenda que o tempo de resposta do câmbio não é tão rápido quando a sua vontade de subir ou descer marcha. Não há paddle shifters, mas há aceleração interina nas reduções comandadas pela alavanca.

Convém ao motorista compreender que a preguiça do câmbio forma um belo casal com a morosidade do propulsor. A oferta de torque é boa em baixas rotações, o que deixa o carro até esperto em trânsito urbano, mas, para uso rodoviário, o motor é apenas cumpridor, sem nada em especial acima dos 3.500 RPM, como acontecia no finado 1.6 16V. De qualquer forma, a vida na estrada é interessante, pois a estabilidade do carro melhorou de forma considerável, graças aos pneus 205/55 R16 de asfalto. Os freios também são bons, e param os 1.117 kg do carro com tranquilidade, sem sustos. Controles de tração e estabilidade não estão disponíveis, assim como ocorre em grande parte dos carros nacionais.

Com a ajuda dos aplicativos Eco-Coaching e Eco-Scoring da central Media Nav, bem como a calibragem suave de motor e câmbio, é fácil conseguir boas médias de consumo com o Sandero. Observamos cerca de 8,2 km/l de etanol na cidade, mesmo com trânsito cruel, e bons 12,4 km/l na estrada, sempre com ar-condicionado ligado. Isso faz com que o Sandero Stepway reforce uma de suas principais qualidades: o custo x benefício.

No momento em que este teste é escrito, um Sandero Stepway Easy R igual ao testado sai por R$ 55.890, uma pechincha diante dos R$ 64.810 do VW CrossFox básico, seu principal concorrente, que pode beirar os R$ 70.000 quando equipado com rodas aro 16 e central multimídia. O refinamento mecânico do VW é superior (e adoraríamos experimentar na prática), mas não compensa a diferença de preço para o Renault. Quer um aventureiro com bom espaço interno e bem equipado mas não pode partir para os SUVs compactos? Não pense duas vezes, leve o Sandero Stepway.

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