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Avaliação – Renault Captur Intense 2.0 16v Aut. 2018

Fotos: Marcus Lauria

O Captur é um carro muito importante para a Renault. Em pleno crescimento no mercado brasileiro, a marca francesa vê no Captur uma ótima chance de fazer frente aos mais recentes SUVs/Crossovers do mercado. Sim, o Duster ainda existe, e ele faz um bom papel duelando com o Ford EcoSport, mas é fato que o Duster pouco pode fazer diante de Honda HR-V, Hyundai Creta e outros, por melhor que ele seja.

Para o mercado brasileiro, o Captur se valeu da plataforma do Duster, mas há tanta modernidade visual na carroceria que se torna quase impossível traçar parentescos com o Duster, exceto pelo emblema da marca. Na dianteira, o Captur traz a nova identidade visual da marca, bem harmônico, e conta ainda com DRLs na lateral dos para-choques.

Seu estilo é parrudo, seus ângulos de entrada/saída (23/31 graus) são generosos, bem ao estilo SUV, mas os pneus 215/50 com as vistosas rodas diamantadas aro 17 deixam bem claro que o Captur prefere asfalto, tanto que não possui (até o momento) versão 4WD. Já na traseira está o único elemento que remete ao Duster, o nome do carro na moldura cromada da placa, mas é só isso, pois as lanternas são exclusivas e igualmente harmoniosas.

Do lado de dentro faz falta a ousadia visual vista no exterior. O painel tem layout simples e plásticos duros, mas bem encaixados. A central multimídia é a completa MediaNAV, mas ainda fica devendo Android Auto/Apple CarPlay. Os bancos são confortáveis, e seriam mais bonitos se fossem revestidos em couro (opcional de R$ 1.500). A ergonomia poderia ser melhor se houvesse regulagem em profundidade da coluna de direção, mas a posição de dirigir é aquela que se espera de um carro moderno. Há um bom espaço interno no carro, tanto na dianteira quanto na traseira. O porta-malas abriga bons 437 litros.

Bem equipado, o Captur Intense 2.0 traz itens interessantes, como controles de tração/estabilidade, 4 airbags, partida sem chave, cruise control e ar-condicionado automático. Seu preço é de R$ 91.900, e bem que o carro merecia itens adicionais de segurança ativa, como frenagem automática ou freios a disco na traseira. Airbags de cortina também seriam interessantes.

A posição de dirigir é elevada, e isso faz com que a visibilidade seja muito boa, tanto pela área envidraçada quanto pelos retrovisores. Há câmera de ré e sensores de estacionamento para auxiliar as manobras. O diâmetro de giro de 10,7 m é digno de carros menores, e ajuda na tarefa de manobrar o Captur, mas a direção eletro-hidráulica não é das mais leves.

Na versão que testamos, o Captur traz sempre a combinação entre o motor 2.0 16V F4R (que rende 143/148 cv @ 5.750 rpm de potência e 20,2/20,9 kgfm @ 4.000 rpm de torque) e a transmissão automática de 4 velocidades, que embora seja suave e esperta nas trocas, fica aquém do que espera-se de uma caixa automática nos dias de hoje. Em paralelo, a versão Intense 1.6 conta com transmissão CVT, e não por acaso é nela que a Renault aposta a maioria de suas fichas.

O motor 2.0 conta com as melhorias que a linha Duster/Oroch recebeu no final do ano passado, que são os componentes internos com menor atrito, uso de lubrificante mais fino, sistema de recuperação de energia para carga do alternador e função ECO para consumir menos combustível. Na prática, o câmbio antiquado joga contra o Captur, que teve rendimento de 5,8 km/l de etanol na cidade e 9 km/l na estrada em nosso teste. E o desempenho também fica prejudicado, levando 12,2 s no 0-100 km/h.

Rodando com o Captur na cidade não se nota as deficiências do câmbio. O carro flui de forma suave, acelerando de forma decidida caso necessário. Seu isolamento acústico é ótimo, deixando os ocupantes do carro alheios ao que ocorre no mundo exterior. Suas suspensões são bem calibradas para o asfalto castigado de nossas cidades, mas há um pouco de aspereza em lombadas, talvez culpa dos pneus de perfil baixo e rodas grandes.

Já na estrada, o motor se mostra suficiente para carregar o Captur, mas o câmbio fica um pouco indeciso em subidas (algo amenizado por trocas sequenciais). O bom ajuste de suspensão se traduz em equilíbrio exemplar, com pouca rolagem de carroceria e aptidão excelente para contornar curvas de raio variado. Os freios são eficientes mesmo com tambores na traseira. Porém, há uma falta grave no carro, que são os golpes dados pela direção no braço do motorista, sempre que há asfalto ruim ou ondulações em uma curva. Alguns desses golpes são muito fortes, e podem ser um problema para mulheres e/ou idosos.

De forma geral, o conjunto do Captur é agradável, e a vida a bordo dele é boa, tanto no quesito conforto quanto no quesito status, algo que os donos de SUVs/Crossovers tanto prezam. Mas devido ao preço elevado e ao câmbio antiquado, a melhor opção do Captur tende a ser o 1.6 com câmbio CVT, que esperamos avaliar em breve.

CONFIRA NOSSO VÍDEO: https://www.youtube.com/watch?v=Yc74vt6A-hM

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