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Avaliação – Peugeot 2008 Griffe 1.6 16V 2020

Um SUV compacto cheio de atributos para conquistar o mercado

Fotos: Marcus Lauria 

Bom produto que poderia vender muito mais caso não houvesse a já conhecida má vontade do mercado com a PSA. Após a atualização no design da dianteira, o carro ficou alinhado à nova identidade da Peugeot, e afastou qualquer tentativa de enquadra-lo em categoria diferente daquela planejada pela montadora francesa, a saber: SUV compacto. O casamento da caixa automática de 6 velocidades (EAT6, da japonesa AISIN) com o já conhecido motor 1.6 16v (EC5) funciona bem, garantindo respostas rápidas aos comandos do acelerador.

Gosto muito do design dos carros da Peugeot. Quando garoto, admirava as linhas dos modelos que a marca trouxe para o Brasil na década de 90 (106, 205, 306, 405, a picape 504 a diesel e o sedan de luxo 605). É por essa razão que, quando tive a oportunidade de comprar meu primeiro carro, optei por um Peugeot 405 GLi (modelo mais simples, mas espaçoso e dotado de uma suspensão bem macia, super confortável).

É necessário reconhecer que o Peugeot 206 revolucionou o mercado de compactos na Europa e no Brasil. Até hoje as linhas dele chamam a atenção nas ruas. Vendeu muito, surpreendendo as expectativas da própria Peugeot. As concessionárias da marca não estavam preparadas para o sucesso do carro e por isso começaram a “pisar na bola” com os clientes. Esse fato (dentre outros) “queimou” a imagem da marca no mercado, obrigando a Peugeot a convocar um “recall” da marca para reconquistar a confiança da clientela.

Agora deixe-me apresentar o carro que testei. O automóvel da vez foi o Peugeot 2008 Griffe 1.6 16v AT6 2020, portanto pós-facelift. A cor da unidade avaliada (vermelho Rubi) é muito bonita, chama a atenção por onde passa, isso é fato. A versão 2020, montada em Porto Real (RJ) sob a plataforma PF1, recebeu um para-choque dianteiro novo, ao qual foi acoplada uma nova grade dianteira. Essa modificação estética deu ao carro um aspecto mais robusto, mais SUV, afastando para bem longe os argumentos daqueles que tentam enquadrar o 2008 como uma perua, uma station wagon.

Todo o resto segue igual, sem modificações. Veja bem, isso não é ruim, afinal o carro ainda possui atributos que o transformam numa opção bastante interessante, senão vejamos. O teto panorâmico é um “show à parte”. Aumenta a luminosidade dentro do carro, passa uma sensação de amplitude, espaço aberto.

O Peugeot i-cockpit, outro detalhe do carro, é um conceito que atua principalmente no volante, no painel de instrumentos e na posição de condução. Em linha com esse interessante conceito, o volante assume um tamanho diminuto, capaz de garantir respostas rápidas do veículo. O painel de instrumentos, de ótima visualização, fica elevado, acima do volante. A posição de dirigir é muito boa, facilitando muito a vida do motorista no trânsito.

Partindo de R$ 69 mil (versão Allure), o Peugeot 2008 traz ar condicionado, 4 airbags, faróis com luzes de condução diurnas (o famoso “DRL”, ou “Daytime Running Light”), vidros elétricos dianteiros e traseiros, limitador e regulador de velocidade, controles do carro no volante, multimidia com tela de 7”, rodas aro 16 (em aço, mas com uma bela calota, daquelas que parecem roda de liga leve), barras no teto (detalhe estético que simula um bagageiro), e moldura em plástico nas caixas de roda. A motorização é 1.6 16v (EC5), que apresenta bons números de consumo e desempenho, tanto no álcool quanto na gasolina (118cv e 16,1 kgfm de torque no álcool). A versão seguinte é a Allure Pack, que custa a partir de R$79 mil. Essa entrega ao proprietário, adicionalmente, faróis de neblina, volante revistido em couro, câmera de ré, rodas 16 de liga leve, e alarme perimétrico.

A versão seguinte é a Griffe 1.6 16v AT, cujo preço inicia em R$ 89 mil. Bem mais equipada, a versão traz para o carro mais dois airbags (totalizando 6), ar condicionado digital dual zone, o maravilhoso teto panorâmico, sensor de chuva, sensor crepuscular, sensor de estacionamento traseiro, freio de mão estilo aviação (bonito, mas são poucos os manobristas que sabem desarma-lo), e bancos em couro (o banco é meio tecido, meio couro, fica muito bonito).

A última versão, a Griffe THP, que custa a partir de R$ 99 mil. O grande destaque dessa versão é motor 1.6 16v turbo (THP), que apresenta um desempenho acima da média, capaz de impressionar até os motoristas mais experientes. Antes do facelift, essa versão era vendida apenas com câmbio manual, mas agora esse “problema” foi resolvido. O câmbio manual foi substituído pela caixa automática de 6 marchas da PSA. Além disso, a versão dispõe de grip control, que nada mais é do que um controle de tração ajustável ao tipo de terreno que o carro se encontra (asfalto, areia, lama, neve).

Se comparado a um dos líderes de venda do segmento (Nissan Kicks), vemos que o Peugeot 2008 revela-se uma proposta bastante competitiva. Custando R$ 89 mil, somos levados a comparar o Peugeot 2008 Griffe objeto do teste ao Nissan Kicks SV, que custa R$ 92 mil. A versão superior do Kicks (a SL) custa por volta de R$ 100 mil, transformando o carro em rival do Peugeot 2008 Griffe THP.

Aí complica bastante para o Kicks, pois a versão do Peugeot 2008 Griffe THP tem 173cv e quase 25 kgfm de torque. A diferença em matéria de desempenho fica abissal. Arrisco-me até a dizer que a comparação fica injusta. Dois belos carros, certamente, super equipados, entretanto o francês traz um motor turbo que entrega um desempenho acima da média. Voltando ao embate Peugeot 2008 Griffe vs. Nissan Kicks SV, percebe-se que ambos apresentam desempenho bastante similar. Apesar de mais potente, o 2008 é quase 100kg mais pesado do que o Kicks, daí a semelhança na performance.

Em matéria de câmbio, o Peugeot vem como uma caixa convencional de 6 marchas, fabricada pela japonesa AISIN. Capaz de dar boas respostas aos comandos do motorista, há ainda o modo manual, que é acionado com um toque na lateral da alavanca de marcha. Já o Kicks vem como transmissão CVT capaz de simular 6 marchas. Tecnologicamente falando, o Kicks leva vantagem, mas há que se considerar que muita gente não curte o comportamento típico do câmbio CVT. Há quem diga que o CVT tira a graça de dirigir, passando uma sensação de embreagem patinando por quase não permitir a variação de giro do motor.

Quando o assunto é consumo, o Kicks leva vantagem, apresentando números melhores. Em termos de autonomia, entretanto é o Peugeot que leva vantagem, afinal vem equipado com um tanque de 55 litros, o que lhe confere uma autonomia de 588km na cidade e impressionantes 715 km na estrada (se abastecido com gasolina). O Kicks, a seu turno, vem equipado com um tanque de 41 litro, sendo capaz de rodar 467km na cidade e 561km na estrada (também na gasolina). No etanol a diferença é igualmente grande.

Em tamanho, os dois ficam muito próximos, com uma ligeira vantagem para o Kicks, que apresenta uma distância entre 2610mm, contra 2542 do Peugeot.Em matéria de equipamentos, o Peugeot 2008 se destaca por oferecer teto panorâmico, ar digital dual zone, acendimento automático dos faróis e limpadores, DRL, porta-luvas climatizado e luz traseira de neblina. O Peugeot também oferece o completo painel do sistema i-cockpit, que traz marcador gradual de temperatura do motor (item cada vez mais raro nos dias de hoje, infelizmente) e indicador de temperatura externa.

O Kicks SV, apesar de não oferecer nada disso, contra-ataca as investidas do Peugeot oferecendo ao consumidor itens importantes como controle de tração e estabilidade, chave presencial, e como opcional os bancos forrados em couro.  A briga é boa, e a impressão que fica é que ambos disputam o mercado pau a pau. Na prática, não é bem assim que funciona…

Por conta do preconceito injustificado contra a Peugeot, o 2008 vendeu, no mês de novembro de 2019, apenas 813 unidades. Já o Kicks vendeu impressionantes 5.500 unidades, sendo esse o seu recorde mensal de vendas. Essa distância nas vendas de um modelo em relação ao outro é de chamar a atenção de qualquer um. Seria devido a uma diferença na qualidade dos carros, como sempre dizem por aí? Posso assegurar ao leitor que o motivo não é esse.

Há de se reconhecer que a Peugeot vem trabalhando para mudar a percepção do brasileiro em relação à marca. Lançou, por exemplo, o Programa Peugeot Total Care, que garante ao cliente o direito de não pagar o valor da fatura correspondente à mão de obra, caso não fique satisfeito com a qualidade do serviço realizado. Há ainda outros compromissos da marca associados ao Programa. Espero que esse “recall” da marca Peugeot dê certo, pois a montadora oferece bons produtos e, por isso, merece uma participação mais expressiva no mercado nacional de automóveis.

*FICHA TÉCNICA:

Mecânica

Motorização 1.6

Combustível             Álcool            Gasolina

Potência (cv)            118     115

Torque (kgf.m)         16,1    16,1

Velocidade Máxima (km/h)           186     185

Tempo 0-100 (s)      12,4

Consumo cidade (km/l)      7,4      9,4

Consumo estrada (km/l)    8,6      11

Câmbio          automática de 6 marchas

Tração           dianteira

Direção          elétrica

Suspensão dianteira          Suspensão tipo McPherson e dianteira com barra estabilizadora, roda tipo independente e molas helicoidal.

Suspensão traseira            Suspensão tipo eixo de torção, roda tipo semi-independente e molas helicoidal.

Freios            Quatro freios à disco com dois discos ventilados.

Dimensões

Altura (mm)   1.583

Largura (mm)           1.739

Comprimento (mm)             4.159

Peso (Kg)      1.248

Tanque (L)    55

Entre-eixos (mm)     2.542

Porta-Malas (L)        355

Ocupantes    5

*Dados do fabricante

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