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Avaliação – Jeep Compass 2.0 TDI Trailhawk 4WD 2020

O campeão de vendas dos SUV´s médios preparado para te levar em locais cujo acesso é para poucos

Fotos: Marcus Lauria e Arnaldo Bittencourt

Confesso que o teste deste carro foi bem divertido. Tive a oportunidade de testar um Jeep Compass Trailkhawk no asfalto, mas também no fora de estrada! Já testei outros modelos do Compass, mas nunca havia colocado as mãos na versão preparada para trilhas (“trail rated”).

A Jeep informa que os modelos não ganham o selo “Trail Rated”. Eles conquistam! Sim, o carro precisa passar por uma bateria de testes em uma trilha localizada no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, denominada “Rubicon Trail”.  Há cinco tipos de desafio que o carro precisa vencer: tração em terrenos difíceis, imersão em água, manobrabilidade para desviar de obstáculos, articulação suficiente na suspensão para permanecer estável e com as rodas no chão em caminhos difíceis e boa altura da carroceria em relação ao solo, com ótimos ângulos de entrada e saída.

Em suma, o selo “Trail Rated” não é só um enfeite. É uma garantia para o proprietário que o carro dele é, de fato, capaz de chegar em locais onde a maioria não chega.  Quando iniciei o teste do Jeep Compass Trailhawk Diesel, pensei: bom, esse daí não posso testar apenas no asfalto, tenho que encontrar locais difíceis para testar a capacidade “offroad” do modelo.

Pois bem, assim foi feito. Com o apoio de um amigo de infância que curte fazer um fora de estrada, nos embrenhamos em algumas trilhas na região serrana do Rio de Janeiro. Nada muito pesado, claro… Mesmo com toda a preparação do carro, continua sendo um veículo com monobloco e pneus de uso misto. Para encarar aquelas trilhas realmente difíceis que vemos em vídeos na internet, o carro precisaria de pneus voltados especificamente para o offroad. Precisaria também de um motorista mais experiente nesse tipo de terreno!

Enfim, com bastante bom senso, enfrentamos muita lama, buraco, pedras soltas e subidas escorregadias. Fomos em locais que um carro comum ou um SUV sem tração 4×4 é incapaz de chegar. Nos momentos mais complicados, bastava tirar a chave seletora da tração do auto e colocar na posição “MUD” (lama) ou na exclusiva posição “ROCK” (pedra) para tirar o carro do sufoco. Com sensibilidade no acelerador, tração acionada na função correta e diferencial bloqueado, nenhum obstáculo conseguiu nos vencer.

Ainda bem, pois estávamos sozinhos, se ficássemos presos em algum lamaçal estaríamos realmente encrencados. É como naquela música: “ninguém por perto, silêncio no deserto, deserta highway”. Para complementar, não havia sinal de celular. É por isso que não se deve fazer trilha sozinho, principalmente quando não se tem experiência com esse tipo de atividade! No nosso caso, contamos com a experiência desse meu amigo e tivemos o bom senso de não mergulhar em locais em que enxergássemos o risco real de ficarmos agarrados. Tínhamos também cabos de tração na mala. “Vai que (…)”, né… Mas correu tudo bem, o Jeep se mostrou um ótimo companheiro nas trilhas, nos divertimos, vimos paisagens maravilhosas e tiramos boas fotos.

Dirigindo o Compass, não importa o terreno, você percebe porque o modelo é um sucesso de vendas. Para começar, há modelos para uma grande gama de bolsos: do mais básico (versão Sport Flex), que parte dos R$128 mil, ao mais top (verão Serie S Turbodiesel), que parte dos R$ 217 mil.

A versão testada parte dos R$199 mil, mas pode alcançar R$218 mil se você adicionar o maravilhoso teto panorâmico (R$ 9 mil) e o pack High Tech (também R$9 mil), que inclui controle de cruzeiro adaptativo (ACC), aviso de mudança de faixas (LDW), comutação automática de faróis, aviso de colisão frontal com frenagem de emergência, sistema de som Premium Beats de 506 W (8 alto-falantes + subwoofer), abertura eletrônica do porta-malas e banco elétrico para o passageiro.

A versão Trailhawk testada não tinha o teto, mas tinha esse pack high tech. De tudo o que ele oferece, o item mais interessante a meu ver é o som assinado pela Beats. Quem não gosta de um som mais caprichado no carro, não é mesmo? Graves reforçados, potência e alta qualidade sonora serão sempre muito bem-vindos em qualquer ocasião.

Logo nos primeiros quilômetros do teste, o carro se mostrou ágil, bom de dirigir, cheio de recursos tecnológicos capazes de encantar os consumidores mais exigentes. As criticas ao modelo costumam vir da turma que dirigiu a versão flex. Sim, a versão flex vende muito, mas deixa na cabeça do povo a impressão de que o carro é beberrão.

De fato, grande parte da liderança do Compass no mercado de SUV’s médios se deve às locadoras de veículos, que compram diversas unidades do carro. Os feedbacks que recebi após postar as primeiras fotos do Compass nas redes sociais foram de pessoas que alugaram o carro. Nenhuma delas adquiriu o modelo, seja zero km ou usado.

Deve haver uma diferença significativa de performance entre as versões flex e diesel, ou então estou pouco exigente com um carro que custa na faixa dos R$200 mil, pensei. Pois bem, comparando as fichas técnicas da versão diesel e da versão flex, percebe-se que as principais diferenças estão no peso e no torque. A versão flex pesa 1.547kg, e o motor “Tigershark” 2.0 atmosférico entrega aproximadamente 166cv no etanol e 20kgfm de torque a 4000 rpm. Já a versão diesel pesa 170kg a mais, principalmente devido à tração 4×4, inexistente na versão flex, totalizando 1.717kg de peso. O sofisticado motor Multijet II, projetado pela Alfa Romeo e importado da Itália, entrega bons 170cv e 35.6kgfm de torque (!!!) a meros 1.750 rpm.

Para complicar ainda mais, as duas versões apresentam números de desempenho parecidos: 0 a 100km/h em torno de 10 segundos, velocidade final entre 190 e 200km/h. Qual a origem das melhores respostas da versão diesel, afinal? Bom, na versão diesel os 170cv de potência podem ser percebidos cedo, a baixas rotações. O motor girando pouco já entrega toda a potência do carro. Além disso, graças ao torque elevado (35.6 kgfm), sobra força para enfrentar obstáculos encontrados no fora de estrada (lama, areia, ladeiras íngremes). Já na versão flex é necessário esticar as marchas para acessar os 166cv de potência (ou 159cv, se abastecido com etanol).

Na verdade a versão flex anda bem, mas para acessar a potência máxima do Tigershark o motorista precisa precisa fazer o motor girar bastante. Isso explica as críticas de “esse carro não anda nada” manifestadas pelos internautas nas redes sociais. Em suma, o Compass diesel é mais ágil do que o flex, mesmo se os números de desempenho são parecidos (0-100, velocidade final). Essa agilidade é facilmente percebida no anda e pára das cidades.

Deixando essa polêmica de lado, vamos logo ao que interessa…. O que eu achei do Compass Trailhawk Diesel no uso cotidiano (asfalto)? O carro passa uma sensação de solidez muito grande, coisa de carro bem construído. O motor Multijet de 2a geração é excelente, como já mencionado, e o câmbio de 9 marchas casa muito bem com esse motor, apresentando trocas rápidas e a possibilidade de escolher marchas pelas aletas atrás do volante. Nas ruas da cidade, o Compass ignora completamente as imperfeições do asfalto, é como se praticamente não existissem, isso graças à boa construção, mas também à suspensão de curso longo típica dos SUV’s de verdade e às rodas de grande diâmetro (aro 17, podendo chegar a 19 nas outras versões).

O acabamento é premium, bem bonito mesmo. O espaço interno é ótimo, inclusive no porta-malas, com 390 litros de capacidade. As demais versões do Compass contam com porta-malas ainda maior: 410 litros. No Trailhawk a capacidade é reduzida por conta do estepe full size posicionado no assoalho. Em termos de tecnologia, o carro dá show, ainda mais a unidade testada, equipada com o pack “High Tech”.

Olhando de fora, as rodas pretas aro 17 com pneus 225/60 “All Terrain” desenvolvidos exclusivamente para o modelo, as luzes diurnas e lanternas em led, a pintura cinza com bela faixa em preto fosco no capô, bem com os emblemas “Trail Rated” nas laterais, oferecem ao modelo um visual bem interessante. Destaca-se também o teto em uma cor diferente do carro, na cor preta.

O Compass não é um SUV grande (apesar de oferecer um ótimo espaço interno). Isso é positivo, pois facilita as manobras nos diminutos espaços tão comuns nas grandes cidades brasileiras. Dentro do carro, o ótimo acabamento impressiona, principalmente nos dias de hoje, em que há uma tendência nas montadoras de rechear os carros com tecnologia e, buscando reduzir custos, economizar no acabamento. No Jeep não tem dessa, o carro é completo e bem acabado.

Bater com o Jeep Compass equipado com o pack high tech é praticamente impossível. Com o controle de cruzeiro adaptativo ativado, basta definir uma velocidade através dos botões no volante e deixar o carro fazer o resto. O Compass, sozinho, andará no ritmo do trânsito, bastando conduzir o volante. Não é necessário acelerar ou freiar. O carro acelera até o limite de velocidade estabelecido e para sozinho, sempre que necessário. Graças ao sistema de controle de faixa, até pequenas correções no volante o carro faz, com vistas a manter o carro dentro da faixa em que se encontra. Mas cuidado, o sistema não corrige a direção do carro de forma contínua. A ideia é corrigir pequenas distrações do motorista, e não dirigir o carro de forma autônoma.

Mesmo com o controle de cruzeiro adaptativo desativado, o carro continua freando sozinho graças ao assistente de frenagem de emergência. É uma frenagem forte, de emergência, não é suave como a frenagem proporcionada pelo controle de cruzeiro.  Há no manual, inclusive, um alerta… O sistema não deve ser colocado a prova, devendo ser utilizado apenas em situações excepcionais, extraordinárias. É o último recurso contra o acidente. Para evitar mal uso, o sistema funciona por até 5 vezes a cada vez que o motor é ligado.

Seis airbags (frontal, lateral, cortina) e airbag para joelho, assistente de ponto cego, assistente de partida em rampa, assistente de descida de rampa (útil no offroad), controle de tração, controle de estabilidade, alerta luminoso e sonoro de colisão, assistente de frenagem em situação de pânico (visa a extrair o máximo da capacidade de frenagem do carro em situação de emergência), assistente de estabilidade para quando o carro está puxando um reboque, assistente anti-capotagem, tudo isso o motorista encontra no Compass.

Mas não é só… Há também um interessante assistente de estacionamento, que oferece ao motorista a possibilidade de estacionar o carro operando apenas o câmbio de acordo com instruções que serão dadas pelo computador de bordo. Um espetáculo ver o volante girando sozinho, sem dúvida. Acredito, entretanto, que um motorista com habilidade razoável não vai ter paciência de usar esse sistema, pois é capaz de estacionar o carro em muito menos tempo, sem grandes estresses.

O show de tecnologia ainda não acabou… O pack High Tech é sinistro!  Associado ao kit multimídia super completo e rápido nas respostas de tela, há um sistema de som projetado pela famosa Beats. São 506W empurrando 8 alto falantes e 1 subwoofer. Nada mal, a qualidade sonora é muito boa, realmente.

Por falar em tela, ela tem 8.4 polegadas e uma ótima definição. A multimídia é compatível com Android Auto e Apple Car Play, como não poderia deixar de ser. Através dela é possível acessar todos os comandos do ar condicionado dual zone disponível no Compass, que também oferece comandos físicos externos. Isso é interessante, pois simplifica a operação do ar condicionado. Nada de ficar procurando menus, basta dirigir a mão ao console e dar ao sistema o comando desejado.

Pensa que acabou? Nada disso… O porta-malas abre sozinho, bastando um toque em um botão interno, ou então através de um outro botão localizado na chave do carro (que é presencial, obviamente). Através da chave é possível ligar o carro à distância. No carro podem ser encontradas várias entradas USB e tomadas 12v (inclusive no porta-malas). Há também uma tomada 127v para os passageiros do banco traseiro.

Outros recursos tecnológicos encontrados em carros nessa faixa de preço estão disponíveis nesse carro, tipo sensor crepuscular e de chuva, espelhos rebatíveis eletricamente, retrovisor fotocrômico, freio de estacionamento elétrico. A Jeep não esqueceu de nada, o leitor pode ficar tranquilo quanto a isso.

Como fica o Jeep Compass Diesel em relação à concorrência? O modelo é ideal para quem dispõe de algo em torno de R$200 mil e pretende rodar bastante e fazer fora de estrada. O Compass tem ótimos ângulos de ataque e saída, além de tração própria para essa situação. Quem se enquadra nesse perfil não vai achar opção melhor.

Quem não pretende fazer fora de estrada já pode pensar em alternativas como um Chevrolet Equinox Premier (mais barato, gasolina, AWD, mais rápido, entretanto beberrão) ou quem sabe um Toyota Rav4 Hybrid (confiabilidade Toyota, mais barato, híbrido, AWD, ótimo desempenho graças ao funcionamento em conjunto dos motores a combustão e elétrico, alta eficiência em termos de consumo). Graças à tecnologia híbrida embarcada no Toyota, o Rav4 consegue ser tão rápido quanto o Chevrolet Equinox e mais econômico do que o Jeep Compass Diesel.

Como pontos positivos do Jeep Compass Trailhawk, destaco: (i) motor diesel eficiente e econômico, projetado pela Alfa Romeo; (ii) suspensão excelente, bem calibrada, tornando o uso nas nossas cidades esburacadas bem confortável; (iii) recursos tecnológicos em abundância, com destaque especial para o controle de cruzeiro adaptativo (ACC), que transforma o Compass em um veículo semi-autônomo; (iv) ótimo espaço interno.

Em relação aos pontos negativos, menciono: (i) preço de aquisição; (ii) preço elevado do seguro, agravado pelo fato de ser diesel; e (iii) muitos recursos tecnológicos aumentam os custos de reparação.

*FICHA TÉCNICA:

Mecânica

Motorização 2.0

Combustível             Diesel

Potência (cv)            170

Torque (kgf.m)         35,7

Velocidade Máxima (km/h)           194

Tempo 0-100 (s)      10

Consumo cidade (km/l)      9,8

Consumo estrada (km/l)    11,4

Câmbio          automática com modo manual de 9 marchas

Tração           4×4

Direção          elétrica

Suspensão dianteira          Suspensão tipo McPherson e dianteira com barra estabilizadora, roda tipo independente e molas helicoidal.

Suspensão traseira            Suspensão tipo McPherson e traseira com barra estabilizadora, roda tipo independente e molas helicoidal.

Freios            Quatro freios à disco com dois discos ventilados.

Dimensões

Altura (mm)   1.660

Largura (mm)           1.819

Comprimento (mm)             4.416

Peso (Kg)      1.736

Tanque (L)    60

Entre-eixos (mm)     2.636

Porta-Malas (L)        390

Ocupantes    5

*Dados do fabricante

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