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Avaliação – Smart fortwo 1.0 Turbo Coupé 2015

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Não vai caber. O pensamento recorrente acompanhou este gordo de 1,90 m de altura até a entrega do smart fortwo coupé turbo (assim mesmo, tudo com letra minúscula) para avaliação do blog. Sabe de nada, inocente; não só cabe como surpreende.

São só 2,69 m de comprimento (distância entre-eixos de muito carro), 1,56 m de largura e 1,54 m de altura. Mas o acesso é excelente; as laterais são quase completamente tomadas pelas portas. As pernas, se não viajam totalmente esticadas, também não se espremem; os bancos contam com bom apoio de cabeça, ainda que fixo, e bons suportes laterais. Se a cabine não é tão larga, também não tem itens ocupando espaço desnecessário; tudo é racionalmente encaixado e funcional. Parte da curtição em avaliar o smart, aliás, foi ver a cara de surpresa de quem imaginava ao volante um yuppie magrinho com roupas fashion ou uma menina carregando um yorkshire no banco do passageiro, mas viam desembarcar o Shrek.

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É paradoxal começar a falar de um microcarro urbano abordando justamente o espaço interno. Mas uma das coisas mais bacanas do smart é justamente isso, ser prático e confortável, racional e fashion, tudo ao mesmo tempo. Vá lá que “confortável” é um termo meio inadequado para avaliar a suspensão, por exemplo; é justíssima, curso curto, quase incômoda. Mas até com isso se acostuma, sabendo escolher o percurso, escolhendo vias mais bem conservadas e andando sem pressa pra conseguir ver qualquer buraco. E, claro, se conformar com a pancada seca, que até dói na coluna, se cair em um.

O lado fashion se revela no ambiente legalzinho que a gente encontra na cabine. O revestimento interno do smart que nos foi cedido é mais discreto – o que é bom, porque atenua o amarelo piu-piu da carroceria. Há predominância de preto com detalhes cinza ou imitando alumínio. Mas não espere requinte: tecido recobre os bancos, parte das portas e as seções superior e inferior do painel, e o resto é plástico. Os para-sóis, por exemplo, são lâminas de plástico puro sem qualquer cobertura. O design dos instrumentos não é coisa de outro mundo e já deixou de ser novidade, mas permanece interessante, talvez pela inteligência. Velocímetro, computador de bordo e luzes-espia atrás do volante; conta-giros e relógio analógico no alto do painel, ao centro. Tudo fácil de visualizar. Para carregar os cacarecos há redes nas portas e atrás dos bancos, mais o porta-luvas, um porta-copos ou garrafas embutido abaixo do painel e uma prateleira abaixo do velocímetro. É suficiente.

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Falando em levar coisas, o porta-malas é bem adequado para 2. São 220 litros para acomodar sossegado 2 sacolas de viagem, 3 mochilas ou 4 sacolas com roupas da lavanderia. O acesso, inclusive, é facilitado pela tampa que abre em dois estágios: só o vidro, para pegar coisas pequenas rapidinho, ou a parte inferior também para tirar bagagem. Legal pra quem gosta de fazer viagens curtas – mesmo porque viagens longas já seriam demais pro smart. Não que ele não seja capaz de encarar um bom percurso, especialmente por ser bastante econômico, mas há situações na estrada em que o tamanho reduzido joga contra. Uma delas é a necessidade de segurar bem o volante para evitar que o carrinho saia da trajetória com o fluxo de ar deslocado por caminhões. Se não cansa pra dirigir, cansa pra ficar corrigindo o rumo.

Desconsidere isso e se deleite com as características dinâmicas do smart. Os 84 cv e 12,24 kgfm de torque do pipocante motor 1.0 turbo de 3 cilindros precisam empurrar apenas 770 cv. O câmbio automatizado de 5 marchas entrega trocas suaves, ainda que lentas, e trancos minimizados. Pensando bem é bom que seja assim, ou o smart seria arisco demais pra dirigir. Mesmo assim, quem gosta de ter o carro mais à mão pode usar as borboletas atrás do volante ou a própria alavanca para as trocas manuais. E o melhor é que esta saúde chega com pouca bebedeira. Ao final da avaliação o computador de bordo registrou 6,2 l consumidos a cada 100 km, ou, numa medida à qual estamos mais acostumados, 16,12 km/l de média entre cidade e estrada.

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A estabilidade é excelente, auxiliada por mais de um fator. A bitola traseira mais larga (1.385 mm contra 1.283 mm da dianteira) ajuda a manter o bichinho na trajetória, mas se ele quiser desgarrar os controles eletrônicos de estabilidade, tração e torque vão trabalhar. Se na cidade a direção elétrica torna “mamão-com-açúcar” as já fáceis manobras, na estrada ela ganha peso como de carro grande, deixando o smart sempre na mão. Parar não é problema: há freios ABS (tambores nas traseiras e discos ventilados na dianteira) com auxílio a frenagens de emergência que estancam o carro com ímpeto.

Claro, contratempos sempre acontecem. Para proteger os 2 ocupantes o smart foi concebido para ser uma super-bolha de proteção. O Tridion Safety Cell, estrutura sobre a qual são montadas as chapas de plástico da carroceria, é feito de aço reforçado e conta ainda com zonas de deformação programadas. Há airbags para motorista e passageiro, e este pode ser desligado manualmente caso haja uma cadeirinha infantil, por exemplo. Para ela o banco do passageiro conta com Isofix e Top Tether.

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Tudo isso, óbvio, tem seu preço. Mas o cool smart não é só uma sopa de letrinhas de tecnologia e segurança. O pacote de itens de conveniência de série é bem recheado: ar condicionado, vidros, travas e retrovisores elétricos, computador de bordo, sistema multimídia com tela touch, volante revestido em couro com botões do controlador de velocidade, sensor de luminosidade, auxílio de partida em rampas, rodas de liga leve, luzes diurnas em led, kit de reparo para pneus (ele não tem estepe), limpador e desembaçador do vidro traseiro, abertura elétrica do porta-malas (aliás, ele só abre assim) e teto panorâmico.

O smart que a gente testou custa R$ 72.900,00. Se você pensar que ele é de nicho, importado com dólar alto, completinho, com desempenho bom e comprador muito seleto, até que dá pra aceitar bem o preço. E se o cara não quiser gastar tanto tem versão mais barata, a mhd, por R$ 55.900,00. O que pega aqui são os relatos de despreparo da rede de assistência, feita nas concessionárias Mercedes-Benz, e o alto custo de manutenção. De tão bacana e diferente o smart teria tudo para se tornar uma das melhores opções de deslocamento urbano também por aqui, como sempre foi na Europa, se a marca quisesse.

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O smart lá fora já mudou; tem desenho novo e é praticamente um Twingo da Mercedes, compartilhando plataforma e várias soluções mecânicas. Enquanto ele não chega é este aqui que está à disposição, que mesmo desatualizado chama a atenção como se fosse novidade. Seria legal se, neste fim de vida, a Mercedes resolvesse reduzir o preço, trabalhar a rede para melhorar a assistência e divulgar. O ogro aqui teria um.

Fonte: http://racionauto.blogspot.com.br/2015/08/smart-fortwo-turbo-coupe-avaliacao.html

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