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Avaliação – Fiat Mobi FireFly Drive 1.0 Flex 2017

Quando o Mobi foi lançado, confesso que não entendi muito bem a estratégia da Fiat para o carro. Compacto, discreto, moderno, ágil, teria tudo para ser um carro com vendas interessantes para quem precisa de um modelo para rodar na cidade, mas a opção pelo motor 1.0 Fire de 4 cilindros não fez muito sentido. Lento e pouco econômico, o motor ficava devendo bastante, mesmo considerando o baixo peso do Mobi.

Eis que a Fiat corrigiu seu erro, e colocou sob o capô do compacto seu motor 1.0 Firefly de 3 cilindros e 6 válvulas, motor que estreou primeiro no Uno. Rendendo 72/77 cv @ 6.250 rpm de potência e 10,4/10,9 kgfm @ 3.250 rpm (G/E), o pequeno motor vai na contramão da concorrência ao oferecer 2 válvulas por cilindro ao invés de 4. A vantagem dessa característica é o torque mais abundante em baixas rotações, o maior entre os 1.0 de 3 cilindros, dando um desempenho bem interessante ao Mobi.

A prova desse desempenho interessante vem no teste de aceleração de 0-100 km/h, aonde fizemos 12,2 s em nossa avaliação. Como comparação, o Mobi com motor de 4 cilindros fez a mesma prova em 15,7 s. O consumo também é um ponto altamente positivo desse novo motor: 9,8 km/l no trajeto urbano com ar-condicionado ligado e 12 km/l na estrada, e esses números foram atingidos com Etanol no tanque. Já com Gasolina não rodamos o suficiente para um teste detalhado de consumo, mas o carro faz marcas próximas a 20 km/l na estrada sem dificuldade.

Vendida a partir de R$ 40.650, a versão Drive já traz ar-condicionado, direção elétrica (hidráulica no Mobi com motor 4 cilindros) e outros itens triviais da categoria. Para ter um Mobi Drive como esse que testamos, é necessário adicionar R$ 5.400 dos kits tech e tech live on, totalizando R$ 46.050 pelo carro. Esses opcionais incluem farol de neblina, rodas de liga leve, caixa para objetos no porta-malas e o rádio Live On, que não traz uma interface no painel como estamos acostumados, e depende do celular e de um App para que suas funções sejam utilizadas.

O App Live On permite aos ocupantes do Mobi selecionar entre rádio, músicas do próprio celular, bem como acompanhar alguns recursos do carro e utilizar seu GPS de preferência (que precisa estar instalado no celular). Há um suporte para o celular ficar na horizontal e uma porta USB escondida, que serve apenas para recarregar o celular, visto que toda a conexão é feita por Bluetooth. O lado negativo é que a qualidade do áudio via Bluetooth é inferior ao áudio quando transmitido via USB, e nesse caso torna a tarefa de ouvir músicas do celular no Mobi um verdadeiro tormento. Se o celular não estiver conectado, ainda é possível ouvir rádio, controlando suas funções pelos botões no volante e usando a tela do computador de bordo como interface. Minha sugestão? Escolha o kit Connect por R$ 1.480, que traz um rádio convencional.

O espaço interno do Mobi é acanhado. Seu porta-malas leva apenas 215 litros e a vida não é fácil para quem viaja atrás, enquanto na frente os bancos são estreitos e incomodam um pouco a motoristas e passageiros mais corpulentos. De qualquer forma, é possível dirigir o Mobi por longos trajetos sem sofrimento. A coluna de direção é regulável em altura, assim como os bancos, e a posição de dirigir é um pouco elevada, mas é boa. Os retrovisores proporcionam ótima visibilidade, assim como a boa área envidraçada do carro. Há sensor de estacionamento na traseira com indicador gráfico de proximidade e, com isso, manobrar o Mobi é algo bem fácil.

Em movimento na cidade, é agradável rodar com o Mobi Drive, graças à abundância de torque em baixa. O carro está sempre disposto, mesmo com ar-condicionado ligado, e nem parece que debaixo do capô há um motor 1.0. Seu câmbio possui engates suaves e a embreagem é bem leve, enquanto a direção abusa de ser dócil, especialmente acionando o modo City (que reduz ainda mais o peso da direção até 40 km/h). A suspensão do carro tem calibragem boa para lidar com buracos, e suas dimensões contidas tornam todas as vagas maiores do que realmente são.

Já na estrada o motor Firefly brilha. As relações do câmbio são suficientemente longas para o motor ronronar perto das 3.000 rpm a 100 km/h, enquanto o propulsor é bem elástico, e as retomadas ocorrem de forma decidida, com boa segurança até mesmo em ultrapassagens. A suspensão mostra boa calibragem para lidar com curvas sem oscilações excessivas da carroceria, entregando um comportamento relativamente neutro no limite. Os freios dianteiros são a disco sólido, mas não mostraram tendência ao fading, graças aos baixos 945 kg do compacto.

Na prática, o Mobi Drive com câmbio manual se mostra um bom companheiro tanto na cidade quanto na estrada. Suas limitações de espaço são culpa de sua proposta citadina, mas ele cumpre bem o papel que lhe foi dado, entregando economia, facilidade de uso e até mesmo um bom desempenho. Definitivamente o motor Firefly era tudo o que o Mobi precisava para conquistar o seu lugar ao sol.

CONFIRA NOSSO VÍDEO: https://www.youtube.com/watch?v=apZZFR_SMXI

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