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Avaliação – Fiat Toro Volcano 2.0 diesel AT9 4×4 2017

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Fotos: Marcus Lauria

A Fiat ousou ao lançar a Toro. Sua chegada só não foi mais marcante pois a Renault inaugurou o segmento das picapes intermediárias com a Oroch, mas ainda assim a Toro chocou o mercado, e com razão. Para começo de conversa, não há como compará-la com a Oroch, visto que sua versão mais barata equivale ao preço da versão mais cara da picape Renault, e especialmente nessa versão testada, com motor turbodiesel e tração integral, a Toro pode até roubar vendas do segmento de cima (leia-se: Chevrolet S10, Ford Ranger, Toyota Hilux). Será que ela consegue?

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Antes de responder à pergunta, convém dedicar alguns instantes ao visual externo da Toro. É realmente interessante, com elementos visuais que lembram um pouco Jeep Cherokee e Ford EcoSport, mas um toque de exclusividade que a torna bem chamativa, especialmente no segmento das picapes. Com carroceria monobloco, seu estilo é mais automóvel do que aquele encontrado nas concorrentes do andar de cima, e para quem pretende se aventurar com a Toro apenas nas rampas de shopping, esse é um ponto positivo.

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Por baixo da carroceria bonitinha há também uma boa dose de mecânica refinada, a começar pela plataforma compartilhada com o Jeep Renegade, um carro conhecido por sua solidez impecável. Com suspensão traseira independente multibraços e McPherson na dianteira, a Toro entrega rodagem mais próxima de um SUV ou carro de passeio do que qualquer picape média, mesmo com sua seção traseira reforçada para aguentar até 1 tonelada de carga na caçamba de 820 litros. Essa capacidade de carga é apenas 48 kg inferior à capacidade da S10, mas a caçamba tem um volume 241 litros menor.

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Do lado de dentro, a Toro traz visual bem similar ao visto no Renegade, com acabamento um pouco inferior, caso dos painéis de porta e apliques no painel com excesso de plástico rígido. No centro do painel, as saídas de ar também são diferentes, e a tomada de 127V na parte traseira não está disponível nem como opcional. Seu espaço interno na dianteira é ótimo, enquanto na traseira é apenas razoável para passageiros maiores que 1,80 m, e o encosto do banco traseiro é mais ereto que o desejável, comparado a um carro de passeio.

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No tocante ao nível de equipamentos, a Toro satisfaz, especialmente quando a versão Volcano é equipada com os opcionais da versão testada, que são: bancos em couro (R$ 2.186), kit Techno com sensor de chuva, partida remota, paddle shifters e afins (R$ 3.167) e o kit safe, composto por airbags laterais, de cortina e joelho, banco elétrico para o motorista e TPMS (R$ 4.371). Há ainda teto solar elétrico (R$ 3.833), mas não estava incluso no carro testado, cuja conta fecha em R$ 131.906, incluindo a pintura metálica (R$ 1.512). Achou caro? Calma, falaremos disso depois.

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Fato é que a Toro Volcano “básica” já vem bem equipada, com ar-condicionado automático de duas zonas, controles de tração e estabilidade, central multimídia, trio elétrico e outros itens. Seu preço básico é de R$ 120.670. Se esse valor for comparado à média dos carros nacionais, é um valor elevado, mas quando comparamos com a Toyota Hilux Diesel mais barata (versão SR A/T de R$ 152.700), por exemplo, o preço da Toro se torna uma pechincha. Claro que as duas não podem ser comparadas quando se trata de trabalho pesado, mas, para rodar a maior parte do tempo na cidade e encarar uma trilha boba a caminho do sítio de vez em quando, a Toro cumpre bem o seu papel.

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Um dos detalhes que torna a Toro atraente é o seu motor 2.0 turbodiesel, que rende 170 cv @ 3.750 rpm de potência e 35,7 kgfm @ 1.750 rpm de torque. Orquestrado pelo câmbio ZF automático de 9 velocidades, o motor cumpre bem o papel de carregar os 1.871 kg da picape, e entrega boa força às quatro rodas quando necessário, especialmente quando a reduzida é acionada. Não tem os vários modos de tração que encontramos no Renegade, mas é suficiente para a proposta da picape. Novamente comparada às concorrentes maiores, o motor da Toro fica devendo em potência e torque, mas se iguala no ruído de caminhão.

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Outro ponto no qual a Toro se iguala às maiores é na dificuldade para manobra-la. Seu diâmetro de giro de 12,9 m é maior do que o da S10 por exemplo (12,7 m), e seus 4,91 m de comprimento, 1,84 m de largura e 2,99 m de entre-eixos parecem ainda maiores em garagens apertadas. Mesmo com sensores de estacionamento nos quatro cantos, bons retrovisores e câmera de ré, manobrar a Toro requer cuidado.

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Em uso urbano, a picape vai bem, filtrando sem dificuldade as irregularidades do asfalto crocante e conferindo ao motorista uma boa visibilidade graças à altura de rodagem elevada. Comparada às picapes maiores, dirigir a Toro se assemelha mais a um SUV moderno, e sua suspensão traseira multibraços pula muito menos do que suas concorrentes médias com a caçamba vazia. Ela é tão confortável em rodagem como uma Fiat Strada, por exemplo. Já o powertrain é mais do que suficiente, e há sobra de força em todas a situações. Observei 8,7 km/l de consumo no ciclo urbano.

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Já em uso rodoviário, é possível extrair melhor a força do motor turbodiesel, contando com trocas de marcha bem rápidas e suaves, além de um torque em baixa que entrega ótimo desempenho em retomadas e ultrapassagens. Dá para abusar da Toro nas curvas, pois ela tem uma dinâmica afiada e um ajuste de suspensão excelente, e os controles de estabilidade/tração quase não se mostram presentes. Viajei também com um pouco de carga na caçamba (cerca de 400 kg) e, nessa situação, a Toro não mostrou qualquer instabilidade em curvas, enquanto o carro ficou mais dócil ao passar por ondulações, sem prejuízo para o desempenho ou para os freios. O consumo rodoviário com a picape vazia foi de 14,6 km/l.

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Também testamos a capacidade off-road da Toro com um breve percurso de areia, aonde o carro sequer demonstrou sinais de cansaço. O seletor de tração permite usar a força nas rodas dianteiras, nas quatro rodas ou ainda usar a tração integral com reduzida, e a troca é feita de forma simples, sem dificuldades. Há também um assistente de descida em rampas, útil para pisos inclinados com pouca aderência. Seus pneus Pirelli Scorpion ATR de uso misto e medida 225/65 R17 cumprem bem seu papel tanto no asfalto quanto fora dele.

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Por fim, vamos responder à pergunta feita lá no começo: será que a Toro consegue encarar de frente as concorrentes do andar de cima? A resposta é: Depende. Depende do tipo de uso que o dono da Toro irá necessitar. Se a ideia é rodar na cidade vendo outros carros de cima, impressionar vizinhos com barulho de caminhão, levar peso na caçamba de vez em quando e pegar uma estrada de terra de vez em quando, a Toro é suficiente, e até superior às rivais. Mas se a ideia é trabalho bruto de verdade, com trilhas inóspitas e necessidade de carregar coisas maiores na caçamba, melhor investir em uma daquelas picapes que aparecem nos clipes de música sertaneja, lugar aonde a Toro dificilmente irá aparecer.

CONFIRA NOSSO VÍDEO:

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