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Avaliação – Fiat Strada Working CS 1.4 Flex 2015

Fotos: Marcus Lauria

Quando pensamos em um carro voltado para o trabalho, geralmente a racionalidade vem em primeiro lugar. Tal racionalidade inclui visual discreto, comportamento honesto e boa aptidão para a vida dura. E basta um contato visual rápido com a Fiat Strada Working para ver que a moça dá duro no batente. Sua pintura branca é um ode à simplicidade, e os plásticos pretos que revestem as extremidades da carroceria ajudam a ocultar pequenos arranhões que são “ossos do ofício”.

Claro que a Strada Working pode vir em outras cores, mas o branco dessa versão de testes é praticamente um uniforme de trabalho para carros utilitários. E do lado de dentro é de se esperar a mesma simplicidade, portanto confesso que até me espantei ao encontrar computador de bordo (de série) e bancos ligeiramente confortáveis com boa regulagem em altura (opcional), além da regulagem de altura na coluna de direção (outro opcional). Ouso dizer que a posição de dirigir é melhor do que encontrei na Strada Adventure, embora fique aquém do que oferece a VW Saveiro.

E uma vez instalado dentro do veículo, o motorista precisará regular bem os retrovisores laterais, pois a visibilidade traseira é muito ruim por conta da caçamba arrebitada, e a falta de sensor de estacionamento torna cruel fazer uma baliza ou estacionar de ré, sob pena de ferir o carro alheio com os estribos traseiros de metal presentes na picape. A cabine simples traz ótimo espaço para o motorista, e um pouco menos de espaço para o carona, culpa do estepe que reside atrás do seu banco.

Mas o espaço reduzido no habitáculo se traduz em uma caçamba de respeito. E, a partir da linha 2014, a Fiat Strada passou a contar com um acessório da Mopar que permite ampliar a área útil da caçamba até o limite da tampa aberta, por meio de uma grade que traz suporte para placa e adesivos reflexivos, tudo dentro da lei. Na prática, a caçamba pula de 1220 litros para 1520 litros, tomando-se apenas o cuidado de respeitar o limite de 50 kg de peso sobre a tampa da caçamba. Polivalente, o acessório da Mopar também serve de rampa para facilitar o carregamento de motos na caçamba (limite de 180 kg) ou, quando fechado, pode servir para separar cargas na caçamba.

Colocando-se a picape em movimento, nota-se imediatamente quão honesto é o motor 1.4 8V de 86 cv @ 5750 rpm de potência e 12,5 kgfm @ 3500 rpm de torque para o uso urbano e sem carga. Há boa oferta de torque em baixa rotação e as resposta são até interessantes, embora o câmbio padrão Fiat não colabore com o rendimento. Ao contrário do que poderia se esperar, a picape pula pouco com a caçamba vazia, embora sua suspensão traseira tenha sido projetada para rodar bem mesmo com 705 kg nas costas. Já quando colocamos cerca de 400 kg na caçamba para teste, as reações do motor se tornaram bem mais morosas e o câmbio desagradável precisou ser mais trabalhado.

Em uso rodoviário, com o veículo carregado, ponto positivo para a resposta dos freios, que trabalham sem oferecer perda de eficiência devido ao fading. Novamente o motor se mostra apenas honesto, demorando para embalar mas mantendo bem a velocidade em ritmo de estrada, fruto do escalonamento bem pensado do câmbio. A estabilidade também é boa, e apesar de eu não ter abusado muito nas curvas, dá pra ver que um condutor respeitoso não sofrerá sustos com a Strada.

No retorno para casa, com a picape vazia, resolvi conduzi-la de modo mais selvagem, apenas para testar seus limites, embora definitivamente este não seja um carro pensado para andar rápido. Logo que comecei a atacar as curvas, os pneus Pirelli Chrono 175/70 R14 não apenas cantavam, eles definitivamente me xingavam em alto e claro “pneulês”. No começo a tendência é dianteira, mas quando pisamos no acelerador, a picape segue neutra e deliciosa. Não recomendo soltar o pé no meio da curva de forma bruta, pois o peso da traseira vai embora e leva junto a dita cuja, forçando um (leve) contraesterço para colocar tudo no lugar.

Mas para ser contratado, não basta que o funcionário tenha apenas força e boa aptidão para o batente, afinal ele também precisa ser comedido nos gastos, especialmente os etílicos. E nesse ponto a Strada manda bem: carregada ela fez 8,1 km/l com etanol na cidade e 11,3 km/l na estrada, enquanto vazia foram 8,7 km/l na estrada e 12,6 km/l na estrada, medidos no computador de bordo da picape. Ela deixa bem claro que não trará problemas relacionados à bebida.

Quanto aos custos, contratar a Strada para a sua empresa sai por R$ 37.070 na versão básica, que não traz sequer direção hidráulica, e é a versão mais vendida do modelo. Mas caso você seja um patrão benevolente e pense no bem-estar daqueles que vão conduzir a picape, a versão completa sai por R$ 43.435 e traz ar-condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos, faróis de neblina e rádio com MP3, além de outros itens supracitados. Um custo razoável para um bom carro utilitário.

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