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Avaliação – Fiat Bravo 1.4 T-Jet 16v turbo 2016

Fotos: Marcus Lauria

Bravo, em nossa língua Portuguesa, pode ser um adjetivo que significa “intrépido”, “heroico”, “corajoso”, ou uma interjeição que significa “digno de aplausos”. Enquanto as versões à paisana do Fiat Bravo não são exatamente dignas de qualquer um dos sentidos supracitados, a situação se inverte na versão T-Jet, que enxerga o mundo com sangue nos olhos, enquanto a adrenalina flui livre em suas veias.

Ok, sejamos menos hiperbólicos. Seu motor 1.4 é turbinado, e entrega belos 152 cv @ 5.500 rpm, além de um torque de 21,1 kgfm entre 2.250 e 4.500 rpm, mas em um primeiro contato, fica mais fácil enxergar o Bravo T-Jet apenas como a versão top de linha do Bravo, e não exatamente como um esportivo. Felizmente há uma tecla “OVB” no painel e, uma vez pressionada, cutuca o lado mais bravo do carro, merecendo um parágrafo à parte.

Com o Overbooster acionado através da tecla “OVB”, o motor passa a entregar 23 kgfm de torque @ 3.000 rpm. Parece pouco para jogadores de Super Trunfo e comentaristas de internet, mas a forma como essa força é sentida nas vísceras do motorista é a mágica do negócio. Além do torque extra, a direção fica bem mais pesada e a resposta do acelerador se torna insanamente rápida, a ponto de provocar saltos indesejados até o pé direito se acostumar. Não fosse o suficiente, o silvo da turbina se torna mais audível, e acelerar além dos 3 mil giros se torna um vício.

Os ursos-polares que me perdoem, mas essa é a forma correta de dirigir o Bravo T-Jet. É assim que o carro vai da imobilidade aos 100 km/h em 8,7 segundos, conforme divulgado pela Fiat, e atinge os 206 km/h de velocidade máxima, não aferidos por motivos óbvios. Mas não é necessário correr muito para elogiar os predicados do carro: sua solidez é exemplar, quase germânica! O isolamento acústico está de parabéns. A suspensão, mesmo com eixo de torção na traseira, faz tudo certo nas curvas. E o câmbio? Ah, meu amigo, em uma utopia, todos os modelos da Fiat usam este câmbio de seis marchas com escalonamento ideal e engates honestos.

Mas desligando o Overbooster e voltando ao mundo real, o Bravo mostra suas qualidades também em uso civilizado. O motorista não tem dificuldade para encontrar boa posição de dirigir, pois há regulagens amplas para o volante (altura e profundidade) e o assento. Dentro do carro, você se sente em um Punto, para o bem e para o mal. O bem fica por conta do bom acabamento, do cluster com visualização correta, da posição de dirigir perfeita e do conforto para o motorista. Já no lado ruim, o carro peca em espaço traseiro e fere a visibilidade com alguns pontos-cegos, mesmo com bons retrovisores.

Manobrar o carro não é tarefa complexa, pois os sensores de estacionamento por todos os lados estão lá para ajudar. E ele não é tão grande, são 4,36 m de comprimento, 1,79 m de largura e 2,60 m de distância entre os eixos. As rodas esterçam bastante e a direção (sem o OVB acionado) é bem suave.

Em uso urbano, o carro mostra sua suspensão bem acertada ao filtrar bem imperfeições, mesmo com pneus 215/45 R17. Os bancos confortáveis mostram seu valor, enquanto o ar-condicionado automático de duas zonas faz um bom trabalho. Sua dinâmica fica levemente prejudicada por um certo turbo lag abaixo dos 2.000 rpm, mas acima disso, só alegrias. Quanto ao consumo, dá para obter médias entre 8 e 9 km/l no trânsito urbano, caindo para 6 em caso de engarrafamento.

Já em rodovias, dá gosto usar o carro, que entrega ótimas acelerações e retomadas vigorosas. O acerto dinâmico do Bravo é fantástico, e isso se traduz em frenagens seguras (bons freios a disco nas quatro rodas), tendência praticamente neutra nas curvas e rolagem de carroceria praticamente nula. A solidez é digna de aplausos, e o resultado é um carro pouca coisa menos refinado que Ford Focus e VW Golf. Seu consumo de combustível é ligeiramente elevado, em torno de 11 km/l andando de forma civilizada, lembrando que o Bravo bebe apenas gasolina.

Até aqui o Bravo se saiu muito bem, mas tudo muda de figura quando olhamos a tabela de preços. Básico, ele custa R$ 81.420, e com esse valor dá para levar um VW Golf Comfortline manual com pacote Elegance (R$ 80.380), um Ford Focus SE 2.0 AT (R$ 78.900), equipados de forma semelhante ao Bravo. Nossa versão testada é ainda mais cara, e inclui o pacote com seis airbags (R$ 3.788) e itens de comodidade como sensor de chuva, crepuscular, etc (R$ 2.900), totalizando caros R$ 88.108, tão caro quanto um Golf Highline (R$ 84.690) ou Focus Titanium (R$ 86.900), muito mais equipados. Quer mais? Totalmente completo, o Bravo T-Jet sai por surreais R$ 100.022, valor digno de vaias, por mais que o Bravo seja realmente bravo, em todos os sentidos.

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