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Avaliação – Royal Enfield Himalayan 2019

Fotos: Eduardo Motoca

Sabe a história do patinho feio que depois de um tempo se tornou um grande e belo cisne, então…a Himalayan para quem vê em fotos e reportagens pode aparentar uma moto estranha ou melhor uma moto muito diferente do que temos aqui no Brasil, mas quando se chega perto e observa cada detalhe além de pilotá-la é que se vê o “belo cisne”.

A Royal Enfield Himalayan é uma moto que surpreende e chama a atenção por onde passa, claro que o fato de não haverem muitas por aí contribui para isso, segundo a assessoria de imprensa o primeiro lote está se esgotando. Projetada para o dia a dia e todo tipo de terreno a Himalayan é uma motocicleta “honesta”, ou seja, tem um valor justo pelo que oferece, a Royal acertou em cheio neste item.

Durante o processo de desenvolvimento foram muitas versões para se adaptar a nossa “diversidade de climas e solos” e encontrar a melhor configuração e a que está à venda é a 4º versão, e claro que conforme o uso e experiência dos proprietários serão feitas mais mudanças para aprimorar este excelente produto que com certeza irá levantar a marca no país.

Foi lançada na índia em 2015, chama a atenção pelo jeitão de trail anos 70, sua construção em muito metal dá um ar de robustez, o projeto desenvolvido pelo centro Tecnológico (UKTC – United Kingdom Technology Center) em Leicestershire, no Reino Unido em parceria com a Harris Performance  que desenvolveu o quadro, o motor batizado de LS 410 de exatos 411cm³ foi todo feito do zero, monocilíndrico refrigerado a ar com comando simples no cabeçote (OHC) e cambio de 5 marchas, desenvolve 24,5cv a 6500rpm e 3,2 kgfm a 4250 rpm com o intuito de ser robusto e com baixa manutenção, ou seja pensado para encarar qualquer aventura, comparando com as outras motos vendidas pela Royal no Brasil este motor vibra muito menos.

A Himalayan tem radiador de óleo que segundo a Royal permite que as trocas de óleo sejam feitas a cada 10 mil Km, O câmbio tem engates precisos e macios, e devido ao torque pode andar tranquilamente a 60, 70Km sem mudanças de marcha para manter o motor cheio.

Em parceria com o site CarPoint News (www.carpointnews.com.br) pilotamos mais de 1400km em condições diversas, muita chuva, asfalto, trânsito urbano, estrada, terra e um pouco de lama e grama…foi muito divertido. Agradecemos a toda equipe da Royal Enfield Brasil que nos atenderam de forma muito carinhosa para esta avaliação.

Começamos numa sexta-feira chuvosa em São Paulo, de cara fui jantar em um restaurante na Zona Norte e quando saí estava “caindo o mundo” montei na moto e parti para Zona Sul, na chuva a bolha auxilia a pilotagem, a posição de pilotagem é muito boa e o assento tem um bom tecido que não deixa ficar escorregando, o conjunto de suspensões e freios é muito bom na chuva, gostei principalmente do freio traseiro (usei muito). As pedaleiras dão muita firmeza para mudanças de trajetórias e isso se dá também ao fato de serem posicionadas no meio do quadro

Em meio aos carros apesar de seu peso (191kg) é ágil e fica leve conforme se conhece sua ciclística, no trânsito por sua altura, o guidão acaba passando por cima de alguns retrovisores facilitando seu deslocamento, como o motor privilegia o torque pode-se andar em primeira sem solavancos e até andar em 5º marcha a 40km/h sem “socos”.

No fim de semana fui para região de Santana do Parnaíba, pela estrada dos romeiros até chegar a Usina Hidrelétrica Edgard de Sousa onde segui por uma estrada de terra, mais uma vez a moto passou segurança na estrada que tem muitas curvas, a suspensão dianteira telescópica com 200mm de curso e traseira monoamortecida com link de 180mm copiam bem as irregularidades do asfalto ruim em vários trechos e deixam a moto colada no chão. Neste mesmo fim de semana ainda fui para Santos, Mairiporã e Atibaia.

Em Atibaia fui até a pedra Grande (vale muito a pena conhecer) seguindo pela rodovia Dom Pedro I até a saída 65, depois é só seguir as placas, são 10km de terra, um pouco de lama e muitas pedras soltas, mais uma vez a moto ajudou muito e mesmo um piloto sem experiência em estradas de terra pode ficar tranquilo, confesso que não tenho muita experiência em off Road, no final foi divertido demais.

As suspensões se mostraram mais uma vez excelentes até arrisquei uns saltos, os freios também são ótimos, usei muito o traseiro a moto escorregou um pouco na parte com grama, usando pneus de cravos teria grudado mais, o protetor de cárter é muito eficaz neste ambiente e já vem de série, sua distância livre do solo 220mm também ajuda na transposição de obstáculos.

Vale uma observação, em um off Road mais pesado alguma pedra pode entrar entre a roda e o para-lama e travar sua dianteira, já que ficam muito próximos, mas isso pode ser resolvido substituindo por um mais adequado, claro…depende do seu propósito de uso.

Por falar em andar muito, pilotei por cerca de duas horas e meia sem parar e não me senti cansado, a posição de pilotagem, o assento em gel confortável e antiderrapante, o guidão alto que deixa os cotovelos mais relaxados, a bolha que auxiliar a desviar o vento e sua velocidade de cruzeiro em torno de 110Km me deram a ideia que poderia pilotar por muito mais tempo sem parada.

Seu tanque de 15 litros + 0,5 litros de reserva fez nos testes cerca de 23km/l (estrada/cidade) o que dá uma autonomia média de 345km, deixei a moto abrir a reserva e andei por quase 20km nesta condição até abastecer novamente. Nas laterais e traseira pode se utilizar sua própria estrutura que é muito forte para amarar galões, sacolas, elásticos e tudo que necessitar.

Voltando a São Paulo notei que o pneu estava murchando bem lentamente, fiquei então enchendo a cada 10, 20km até chegar em casa, no outro dia cedo levei a moto na Casa Fernandes de Pneus no Campo Belo e fui prontamente atendido pela equipe que encantada com moto “diferente” me fizeram algumas perguntas. O Sr Francesco (ótimo atendimento e papo) acabou nos premiando com o conserto.

Em todo lugar que passei a moto aguçou a curiosidade das pessoas para saber sobre a marca, de onde é, qual motor, se anda bem, se é cara, uns acharam feia, mas “bruta” outros acharam linda, a cor fosca ajuda e dá uma cara de “topa tudo” uma espécie de Land Rover de duas rodas segundo um taxista em Mairiporã que me parou para conversar sobre a Himalayan.

Motor

Batizado de LS410, é um monocilíndrico, 2 válvulas, refrigerado a ar com 411cc que rende 24,5 cv de potência a 6500rpm e 3,2 kgfm a 4250 rpm, com radiador de óleo, e eixo-balanceiro que ajudar a diminuir as vibrações, o câmbio é de 5 marchas, injeção eletrônica e partida elétrica.

Suspensão e Chassi

O Chassi e do tipo berço duplo projetado pela Harris Performance, a suspensão dianteira telescópica tem 41mm de diâmetro com 200mm de curso, a traseira é monoamortecida (o primeiro a equipar um Royal) fixado por links com 180mm de curso, seu comprimento total é de 2190mm, entre eixos de 1465mm largura 840mm e distância do solo 2200mm, seu peso é de 191kg (em ordem de marcha) e seu tanque tem capacidade para 15 litros e mais 0,5 reserva, poderia ter um pouco mais como 17 litros por exemplo.

Freios e Pneus

Os Freios ABS de duplo canal nas duas rodas (sem opção de desligar) conta com disco de 240mm de diâmetro na traseira e Disco de 300mm na dianteira ambos com pinças de duplo pistão da Bybre (que é da Brembo) que também equipa as Duke 390 e BMW G 310, já vem de série com flexíveis em malhas de aço (aeroquip) que não dilata e mantem a eficiência na frenagem.

Os pneus são Pirelli MT60 de uso misto nas medidas 90/90 aro 21 e traseira 120/90 aro 17, os dois permitem são do tipo tubeless, porém na unidade testada estava com câmara.

Painel e Acessórios

O Painel é completo e com visualização fácil, contém mostradores analógicos e digitais, indicador de marcha, contagiros, relógio, hodômetro parcial e total, velocidade média (trip A e B) e uma bussola, um item que precisa de atenção é o marcador de temperatura que sempre marca de 8 a 10 graus de diferença, possivelmente o sensor fica próximo do motor. Como observação poderia tem um marcador de média de consumo #fica a dica.

A Himalayan oferece ainda bolsas laterais e outros itens como protetores de mãos e seus preços podem chegar a R$3.000,00.

Está a venda nas concessionárias da Royal Enfield que conta com mais uma unidade além de São Paulo e Brasília (que acabou de ser inaugurada) nas cores preto fosco e branco fosco ao valor de R$ 18.900,00.

Resumo

A Himalayan é uma moto de configuração simples e robusta para uso em todo terreno, com preço justo em relação ao que se propõe, de mecânica forte e fácil manutenção. É uma ótima opção para o dia a dia e aventuras no fim de semana, e o mais importante hoje em dia, não será tão visada para roubos.

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