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Avaliação – Chevrolet S10 2.8 CTDI CD High Country 4WD Aut. 2020

Linha 2020 vem com tudo para ganhar espaço no aquecido mercado das picapes médias

Fotos: Marcus Lauria e Arnaldo Bittencourt

No último sábado à tarde estava eu meditando sobre o breve passeio de moto que fiz pela manhã quando o telefone tocou. Atendi imediatamente e, do outro lado da linha, ouvi a voz do Diretor de Redação do site CarPoint News. Superadas as saudações iniciais, me perguntou se eu teria disponibilidade para testar a nova Chevrolet S10 High Country. Aceitei sem pensar duas vezes, pois havia tempo que estava querendo pôr as minhas mãos em uma das versões mais recentes da Chevrolet. A oportunidade apareceu mais cedo do que eu poderia imaginar, sendo que ainda me ofereceram a versão mais completa, com todos os opcionais, de fazer inveja a qualquer amante de picape. A proposta era irrecusável! Pois bem, parti imediatamente para o endereço onde o carro estava estacionado, apanhei a chave e, com a empolgação de uma criança, aproximei-me da S10.

A S10 chegou no Brasil em 1995, dando início ao segmento de picapes médias. Foi também a primeira picape nacional a ser dotada de injeção eletrônica, graças ao motor herdado do Chevrolet Omega. A caminhonete passou por diversas evoluções ao longo dos anos, até começar a ser montada em 2012 sobre uma nova plataforma, usada nos EUA com a Chevrolet Colorado. Nesse ano a picape recebeu um novo propulsor diesel, capaz de oferecer admiráveis 180cv. No final de 2013 a Chevrolet conseguiu aumentar ainda mais a potência, extraindo 200cv desse motor de quatro cilindros a diesel. É, sem sombra de dúvidas, um dos motores quatro cilindros mais potentes do país.

Admirando a picape externamente, fiquei bastante impressionado com o Santo Antônio exclusivo da versão High Country. De extremo bom gosto, o acessório confere um visual diferenciado ao carro. Associado ao Santo Antônio há um acabamento plástico cobrindo as bordas da caçamba da caminhonete. Percebe-se também uma capa marítima original Chevrolet, bem como um protetor de caçamba ostentando a bela logomarca da montadora.

Os emblemas exclusivos da versão High Country também merecem destaque. Bonitos, anunciam aos admiradores da S10 que trata-se da sua versão topo de linha, a mais recheada dentre as seis versões de acabamento oferecidas pela Chevrolet, a saber: LS, Advantage, LT, Midnight, LTZ e, finalmente, a High Country. A versão mais barata é a Advantage Cabine Dupla com motor 2.5 flex (etanol/gasolina), que custa em torno de R$109 mil. Já a versão testada, a High Country, custa R$191 mil.

Destaca-se no teto da picape o bagageiro herdado da versão LTZ, capaz de suportar até 75kg de carga. O modelo herdou igualmente um par de estribos e belas rodas em alumínio aro 18 calçando pneus nas medidas 265/60.

Após dar um giro em volta dessa S10 na cor Branco Summit, resolvi testar uma das funções disponíveis nessa versão: o sistema de partida via telecomando. Assim, com a chave na mão, apertei o botão com o símbolo de cadeado fechado e depois no botão que contém uma seta circular. Pronto, o motor acordou de imediato. As luzes DRL (Daytime Running Lights), em LED, também ganharam vida, conferindo um visual ainda mais moderno e atraente à caminhonete.

Aqui no Rio de Janeiro essa função é útil para ajustar a temperatura interna da cabine após a picape ficar horas estacionada sob sol forte. Com o motor ligado, o ar condicionado também funciona, abaixando a temperatura interna rapidamente para a marca fixada previamente pelo motorista.

Bom, chegou a hora de entrar no carro. Como a chave não é presencial, faz-se necessário destravar as portas através do controle remoto embutido na chave. Feito isto, o próximo passo é pôr o pé no estribo, a mão na alça que auxilia a subida do motorista (disponível também para o passageiro), para então assumir a posição de comando da viatura.

Bancos em couro marrom escuro, de alta qualidade, recebem o seu corpo com total conforto. Ajustes elétricos do banco e de altura do volante permitem ao motorista encontrar a posição que mais lhe agrada. Há couro também nas quatro portas e, no painel, há um acabamento plástico de qualidade imitando couro. A picape tem um apoio para o braço do motorista e passageiro forrado em couro. Senti falta, entretanto, de regulagem de altura nesse apoio de braço. Debaixo desse apoio há um enorme porta-trecos, com entrada USB e auxiliar P2.

Apesar de haver muito plástico duro no painel e nas portas, o interior do carro é bem acabado, devendo agradar aos proprietários. O retrovisor é fotocrômico, e conta com o sistema OnStar, que traz serviços de emergência, segurança, navegação, concierge e diagnóstico ao toque de um botão no veículo ou por meio de aplicativo para smartphone. O volante é forrado em couro, e reúne funções de controle da central multimidia da S10 (My Link), piloto automático e Alerta de Colisão Frontal (“FCA”, de acordo com o manual do proprietário), sendo possível regular a sensibilidade desse alerta através de um botão no volante.

Vale ressaltar que trata-se, tão somente, de um alerta de colisão. O sistema não aciona os freios automaticamente para evitar uma colisão. Além de apresentar um pequeno indicador no painel nas cores verde, amarela e vermelha (as cores variam de acordo com o risco de impacto, conforme cálculos efetuados pelo computador do carro), quando o sistema detecta uma chance real de impacto há o acionamento de um sinal luminoso bem forte atrás do cluster, seguido de vários sinais sonoros, tornando o alerta algo impossível de ser ignorado pelo motorista.

O porta-luvas é relativamente pequeno, e não conta com mola para suavizar a abertura. Fiquei impressionado com o fato de que o motor não transmite vibrações para a cabine. Percebe-se que o motor está ligado pelo som típico dos propulsores diesel. É um ronronar baixo, que não incomoda, graças ao bom material de isolamento acústico presente na S10. Esse aspecto positivo decorre do sistema CPA (“Centrifugal Pendulum Absorber”), exclusivo da S10, que atua mecanicamente como um filtro de vibrações e ruídos do motor CTDI, possibilitando o acoplamento antecipado da transmissão automática, melhorando também a eficiência energética em até 13% em relação a versão sem essa tecnologia.

No quesito segurança, essa versão 2020 alinhou-se às demais opções top de linha do mercado com seus seis airbags (frontais, laterais e cortina). Providência bem-vinda, com segurança não se brinca!

Mas vamos lá, chega de admirar o carro. Está na hora de partir para a ação. Vamos andar! Como o motor foi ligado à distância, via telecomando, é necessário introduzir a chave no contato e gira-la, da mesma forma que se faz quando o motor está desligado. Um painel bem iluminado e de fácil visualização se apresenta ao motorista, convidando-o a pôr o veículo em marcha.

Usando a alavanca situada do lado esquerdo do volante, a mesma que aciona a seta, consegui acessar as diferentes funções disponíveis no computador de bordo. Repleto de informações sobre o trajeto percorrido, status do carro e economia de combustível, percebi que a S10 dispõe de um sistema bastante completo e de fácil manuseio. Com quadro teclas situadas na alavanca da seta (tecla menu, roda para cima e para baixo e o botão “enter” na ponta da alavanca), o proprietário consegue acessar, programar e extrair informações do computador de bordo.

Resolvo então ligar a central multimidia da S10, denominada “My Link”. A central apresenta uma tela colorida de bom tamanho, sensível ao toque. O sistema é bem rápido, respondendo prontamente a qualquer toque na tela. De fácil manuseio, a central oferece todos os recursos disponíveis nos multimidias modernos, incluindo bluetooth, GPS e espelhamento de tela do celular via Apple Car Play e Android Auto. O som é bem possante, sendo capaz de produzir graves encorpados. É, sem dúvida, um ótimo sistema de som, que deverá agradar a maioria dos proprietários da S10. Logo abaixo do My Link ficam os comandos do ar condicionado. O sistema é automático e digital, mas oferece apenas zona única. Não há saída de ar para os passageiros do banco de trás. Em compensação, as saídas de ar do painel são em tamanho generoso e, no caso do modelo High Country, apresentam uma moldura que imita alumínio.

Debaixo do comando do ar condicionado ficam os botões que permitem ligar e desligar os sensores de estacionamento dianteiros, controle de tração, auxiliar de descida em offroad, e alerta de mudança inadvertida de faixa. Olhando ainda mais para baixo, é possível avistar duas tomadas 12v. No banco traseiro há um ótimo espaço para três ocupantes. Todos poderão usufruir de apoio de cabeça e cinto de três pontos.

Constatei que debaixo do banco traseiro há dois compartimentos pequenos, sendo que um deles é ocupado pelo trio macaco, triangulo e chave de roda. O compartimento vazio é pequeno e raso, podendo comportar uma fina caixa de ferramentas, ou a pasta com o manual do veículo. Mas peraí, falei que estava na hora de parar de admirar o carro e partir para a ação. Cheia de atrativos no interior, a S10 está desviando a minha atenção e impedindo a minha saída!

Mas vamos em frente. Motor ligado, som ligado, é hora de colocar o carro em marcha. Solto o freio de estacionamento (convencional, mecânico, tipo carro de passeio, ponto que para mim é positivo), puxo a alavanca de câmbio para a posição “D” e, assim, venço finalmente a inércia. Bora rodar! Já em movimento, o volante me trouxe uma sensação de robustez, de carro possante, requintado, compatíveis com um processo bem trabalhado com esse da S10.

O câmbio automático de seis marchas é veloz na troca das marchas, subindo ou descendo marchas e sem trancos. É possível trocar marchas manualmente na alavanca, puxando-a para a esquerda quando na posição “D” (graças a bom senhor os botões de troca de marcha sumiram!), mas percebe-se rapidamente que o foco não é possibilitar uma direção esportiva, mas sim um maior controle do carro numa descida ou no uso fora de estrada, em que torna-se necessário travar o carro em uma determinada marcha para vencer um terreno difícil.
Um detalhe importante em relação ao câmbio: como nos câmbios automáticos de antigamente, nele há o botão que permite a retirada da chave da ignição com a caixa automática na posição “N”. Isso é útil quando é necessário deixar o carro solto em uma garagem, permitindo que ele seja empurrado de forma a liberar a saída de outros carros. Alguns carros atuais obrigam o dono a desmontar o painel para destravar o câmbio, coisa de doido! Mas esse não é o caso da S10, felizmente!

No primeiro dia de teste levei a caminhonete para dar um passeio nas sinuosas curvas do parque da Floresta da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro. Como o parque fica no maciço da Tijuca, pude sentir a grande disposição do motor 2.8 CTDI em empurrar a S10 ladeira acima. Ao volante da S10, o motorista comanda um propulsor dotado de 200cv de potência e 51kgfm de torque. São número de causar inveja na concorrência. O auxiliar de rampa mantém o carro seguro nas paradas de semáforo nos aclives, acionando os freios por alguns segundos para impedir que o carro dê aquela escorregada fatal na hora de voltar a andar. Por falar em freios, o sistema de freio da S10 me passou sensação de segurança durante todo o trajeto.

A suspensão, a seu turno, garantiu a estabilidade e segurança ao rodar, bem um bom nível de conforto durante o teste dinâmico, transmitindo poucos solavancos para a cabine. Os remendos no asfalto são suavizados pela suspensão da S10, passando uma sensação próxima a de rodar em asfalto íntegro. Ponto positivo dessa caminhonete, principalmente para as pessoas que, como eu, ficam estressadas em andar sacolejando pela cidade, submetendo o veículo a condições severas de rodagem cidade.

O controle de tração também se faz presente, elevando a segurança a um patamar bastante elevado. Em suma, é perceptível a grande evolução no comportamento dinâmico da picape. Em um determinado momento, buscando um pano de fundo mais “offroad” para fotografar o carro, tentei subir um morro de grama molhada com a S10. Admito que o obstáculo não teria sido superado se não fosse pela tração 4×4. Na tração 4×2, o carro patinava e não subia o morro. Foi só girar a chave seletora para o 4×4 que o carro venceu o obstáculo com grande facilidade.

Nesse percurso urbano do primeiro dia do teste, no qual cruzei um mix de ruas planas, mas também ladeiras íngremes e muitas curvas, a S10 registrou no computador de bordo um consumo médio de 8.8km/l. Nada mal para um carro que pesa 2.101kg! Vale ressaltar que é um número respeitável diante do que se vê na concorrência. O carro dormiu na minha garagem, que é repleta de colunas prontas para estragar o dia de qualquer motorista desavisado. Se o leitor imagina que a S10 deu trabalho para estacionar, está enganado! O ângulo de esterço das rodas é ótimo, facilitando muito as manobras. Além disso, na hora de dar ré o motorista conta com uma ótima câmera situada na fechadura da caçamba que indica graficamente pela tela do My Link a trajetória que a traseira do carro irá percorrer. Há ainda os sensores de estacionamento (dianteiro e traseiro), que alertam quando o carro se aproxima de algum obstáculo.

O teste prosseguiu no dia seguinte (domingo). Levei o carro até o Mirante do Soberbo, que fica na entrada da cidade de Teresópolis, no Rio de Janeiro. O local fica a, aproximadamente, 130 km´s da capital do estado. O carro transportou eu e meu irmão com conforto até o mirante, mantendo uma velocidade de cruzeiro entre 100 e 110km/h. A S10 foi uma ótima companheira de viagem, demonstrando um acerto de suspensão adequado para o uso rodoviário da picape, mesmo com a caçamba vazia. O carro inclina pouco nas curvas, ainda que em velocidade elevada. As eventuais irregularidades do solo não geram solavancos capazes de comprometer a estabilidade da picape. Não senti qualquer interferência na condução provocada por ventos laterais. Mais uma salva de palmas para o bom projeto da picape!

Nesse trajeto, no qual a S10 também enfrentou algumas subidas de serra, o computador de bordo registrou uma média de consumo de diesel equivalente a 12.8km/l. De novo, nada mal para um carro com o peso da S10. Nesses dois dias de teste, posso dizer que fiquei com uma impressão bastante positiva da S10 2.8 CDTI High Country. Gostei muito do porte, da sensação de conforto e segurança ao volante, do desempenho do propulsor MWM 2.8 CTDI e do excelente sistema de som do carro. A suspensão também me impressionou positivamente no uso urbano, suavizando as ondulações do asfalto e afastando a sensação de solo lunar destruidor de suspensões. A S10 tira os remendos de letra, passando uma noção muito boa de resistência e durabilidade.

Confesso que senti falta de alguns detalhes como para-sois com espelho e iluminação (o para-sol do passageiro tem apenas espelho), sistema de abertura suave na tampa do porta-luvas (que inclusive poderia ser maior!), saída de ar para quem senta atrás, ar condicionado dual zone, chave presencial, fixação isofix para cadeiras infantis. Um carro na faixa de preço da S10 High Country deveria oferecer tudo isso, ainda mais se considerarmos a atual tendência de utilização das picapes como carros de passeio! Senti falta também de um espaço embaixo do banco traseiro em tamanho razoável, que permita armazenar pequenos objetos (compras de supermercado, por exemplo). Isso faz muita falta numa picape, e nenhuma das opções disponíveis no Brasil oferece isso! Nos EUA várias apresentam esse importante espaço extra de armazenamento para pequenos objetos.

Não é à toa que as vendas da S10 andam aquecidas no mercado das picapes. Essa picape é, indiscutivelmente, um belo produto da Chevrolet, dotada de diversos predicados capazes de agradar os picapeiros mais exigentes, que pretendem usar o carro tanto para o trabalho como para o lazer. Quem tiver disposição para gastar R$ 191 mil (R$ 3 mil a mais do que a sua maior concorrente, a Ranger Limited) em um veículo multiuso, capaz de te levar para qualquer lugar, seja a trabalho ou lazer, estará levando para casa uma ótima companheira!

Notem que as versões mais caras das concorrentes, com exceção da Ranger, superam esse valor. No quesito preço, a recordista é a Hilux, que supera a marca dos R$ 200 mil na versão SRX 2.8 Turbo 4×4 Cabine Dupla.

Confira o nosso vídeo teste: https://www.youtube.com/watch?v=DMSGakIDDaM

FICHA TÉCNICA:

Mecânica
Motorização 2.8
Combustível Diesel
Potência (cv) 200
Torque (kgf.m) 51
Velocidade Máxima (km/h) 180
Tempo 0-100 (s) 10,3
Consumo cidade (km/l) 8
Consumo estrada (km/l) 9,2
Câmbio automática com modo manual de 6 marchas
Tração 4×4
Direção elétrica
Suspensão dianteira Suspensão tipo braços triangulares e dianteira com barra estabilizadora, roda tipo independente e molas helicoidal.
Suspensão traseira Suspensão tipo eixo transversal (beam), roda tipo rígida e molas feixe de lâminas.

Dimensões
Altura (mm) 1.847
Largura (mm) 1.874
Comprimento (mm) 5.408
Peso (Kg) 2.101
Tanque (L) 76
Entre-eixos (mm) 3.096
Ocupantes 5

*Dados do fabricante

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