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Avaliação – Chevrolet Equinox 1.5 Midnight 2020

O SUV veloz com visual de “bad boy”

Fotos: Marcus Lauria e Arnaldo Bittencourt (fotos noturnas)

O Chevrolet Equinox foi apresentado ao público no Salão de Detroit em 2003. Desde o início a montadora deixou clara a vocação urbana do Equinox, uma categoria de produto que faz bastante sucesso nos EUA, mas também no Brasil.  O carro foi lançado oficialmente no mercado no ano seguinte (2004).

Aqui no Brasil o Equinox começou a ser vendido em 2017, já em sua terceira geração. A única versão disponível era a Premier, com seu interessantíssimo motor 2.0 turbo de 262cv e 37kgfm de torque, capaz de fazer o modelo ir de 0 a 100km/h em 7.6 segundos! Uau, muito bom!

Apesar de ser um SUV cheio de bons atributos, no nosso mercado ele ainda não decolou nas vendas. A impressão é que o público ainda não conhece todas as qualidades desse ótimo produto da Chevrolet.

A versão que testei foi a 1.5 turbo Midnight, uma novidade da linha 2020. Baseada na versão mais simples do modelo (a LT), o grande diferencial da Midnight é o visual “bad boy”, estilão “batmóvel”, com vários detalhes escurecidos, incluindo rodas aro 19 equipadas com pneus 235/50 e a famosa logomarca gravata-borboleta na cor preta.

O motor 1.5 turbo também é uma novidade da linha 2020. Movido apenas a gasolina, o propulsor dotado de injeção direta de combustível entrega 172cv de potência e 27.8kgfm de torque. Associado a um bom câmbio convencional de 6 marchas (contra 9 marchas na versão 2.0 turbo), o conjunto acelera de 0 a 100km/h em 9.2 segundos.

Percebe-se que, mesmo não apresentando o mesmo vigor da versão 2.0 turbo, que tem 90cv de potência e muitos kgfm de torque a mais, o motor 1.5 também dá conta do recado com folga. O motor de menor litragem traz outra vantagem que costuma atrair bastante o consumidor: consumo reduzido. Assim, enquanto o 2.0 faz em torno de 8km/l na cidade e 10km/l na cidade, o 1.5 é capaz de fazer aproximadamente 9km/l na cidade e 11km/l na estrada.

Ao escolher a versão equipada com o motor 1.5, abre-se mão de um desempenho acima da média para se ter um consumo em linha com o que oferece a concorrência (refiro-me ao Volkswagen Tiguan, Peugeot 3008 e Jeep Compass).  Ainda em relação ao powertrain do Equinox, acho que vale registrar um comentário em relação ao câmbio automático.

Vejo muitas matérias criticando o fato do câmbio permitir a troca manual das marchas a partir de uma tecla localizada na parte superior da alavanca, sendo que ela só funciona o câmbio estiver na posição “L”.  A troca manual de marchas seria para permitir condução mais esportiva, não é? Errado, no caso da maioria dos carro de passeio modernos!

Com a quantidade de marchas disponíveis nos câmbios atuais e a melhoria na eficiência dos câmbios, é improvável que alguém vá tentar trocar marchas manualmente para obter mais desempenho do carro. Após algumas tentativas, o motorista vai perceber que deixar o câmbio gerenciar as marchas SEMPRE garantirá uma aceleração melhor. Isso em qualquer carro de passeio, não apenas no caso do Equinox.

A possibilidade de trocas manuais é interessante quando se precisa de freio motor, ou quando se está em algum terreno escorregadio (lama, areia, neve) e faz-se necessário obter mais tração do motor. Para tais objetivos, a tecla na parte superior da alavanca funciona perfeitamente.

Uma evidência da real finalidade da troca manual de marchas está na posição do câmbio em que o recurso torna-se disponível: “L”, do inglês “low”, ou seja, marcha baixa, voltada para maior tração ou mais freio motor, nada tendo a ver com acelerações mais rápidas.

Diferentemente da versão Premier (1.5 ou 2.0), que oferece AWD (all wheel drive, ou tração permanente nas quatro rodas), a versão Midnight vem apenas com tração dianteira (FWD). Há vantagens e desvantagens nisso. O sistema AWD aumenta o peso do carro e piora o desempenho e consumo. Encarece a manutenção, também. Em compensação, oferece mais controle e segurança ao motorista, em todas as situações. Por isso foi reservado para a versão mais cara, a Premier.

A suspensão do carro, independente nas quatro rodas, é confortável, voltada para o uso urbano conforme já dito, oferecendo boa estabilidade nas curvas e conforto adequado ao rodar. O Equinox inclina e rola pouco nas curvas, para um SUV.

Vale ressaltar que o carro não é muito alto. Dependendo da velocidade que o motorista atacar as rampas dos estacionamentos, pode acontecer da parte inferior do parachoque traseiro raspar na subida.  Vamos aos itens e equipamentos do Equinox Midnight, começando pelo que se percebe pelo lado de fora.

Os faróis são em xenônio, com luz de neblina na dianteira e traseira. As lanternas são em led. As molduras dos faróis de neblina são escurecidas. Há luzes diurnas de rodagem embutidas nos faróis, em led (DRL – Daytime Road Lights).

Há rack no teto, acessório tão apreciado nos dias de hoje. Além de permitir o transporte de carga ou bicicletas, deixa o modelo com o ar mais aventureiro. Pelo lado de dentro, percebe-se um acabamento esmerado, mesmo se há várias partes em plástico rígido.

O isolamento acústico é adequado para a categoria do modelo. O som do motor não invade a cabine, independentemente do regime de rotação. Mesmo andando em solos irregulares, não há ruídos de acabamento no interior do Equinox. Isso é sinal de carro bem construído, sem dúvida. O espaço interno é muito bom, acomodando 5 passageiros com conforto. Para quem usa cadeirinha de criança, esse espaço é essencial.

Por falar em cadeirinha, há pontos de fixação ISOFIX no banco traseiro.  O Equinox oferece as tão faladas saídas de ar para quem vai no banco de trás. É natural esse item ser desejado pelos brasileiros, afinal a terra em que vivemos costuma apresentar altas temperaturas. Essas saídas melhoram a circulação do ar para quem vai no banco traseiro.

Outro item que merece destaque no interior da Equinox Midgnight é a quantidade de portas USB. São duas dianteiras e duas na traseira. Além disso, há tomada 12v na dianteira e na traseira, que podem ser transformadas em mais portas USB com o uso de adaptadores. Ah, no porta-malas também tem tomada 12v. Ou seja, pontos de recarga na Equinox não faltam!

Como todo carro americano, o Equinox é repleto do “porta-trecos”. Entre o motorista e o passageiro, há um porta-trecos enorme, provavelmente maior do que o porta-luvas. A tampa desse porta-treco serve de apoio de braço para motorista e passageiro.

O porta-luvas do Equinox apresenta um bom tamanho. Chama a atenção o fato de não haver iluminação, nem refrigeração, apesar da tampa ter aquele sistema que permite a abertura suave, coisa de carro mais chique.

E os airbags, quantos são? O modelo oferece airbag duplo, lateral e de cortina (6 no total).  O painel de instrumentos, apesar de bonito e de fácil visualização, já apresenta um visual defasado, merecendo uma atualização tendo em vista o que já oferece a concorrência.

O carro vem também com ar digital dual zone, que permite fixar a temperatura tanto pela tela do multimídia quanto por botões físicos localizados no console central (ainda bem, isso faz falta).  A chave é presencial eletrônica. Ou seja, nada de ficar procurando a chave para entrar no carro e sair andando, isso é coisa do passado.

É claro que o modelo dispõe de ABS, controle de tração, freio de mão eletrônico (digo infelizmente, pois não gosto disso), assistente de partida em rampa, computador de bordo com inúmeras funções, espelho eletrocrômico, sensor crepuscular, multimídia com tela de 8 polegadas de ótima definição, compatível com Android Auto e Apple Car Play, boas caixas de som (mesmo sem assinatura das marcas famosas), câmera de ré com linhas que se movimentam em sintonia com o volante, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, piloto automático (não é o adaptativo, aquele que freia o carro sozinho!). Todas as funções tecnológicas esperadas em um carro nessa faixa de mercado estão presentes.

Creio que vale a pena destacar alguns diferenciais desse modelo.  Vamos ao primeiro deles: navegação embarcada através do sistema MyLink. Ou seja, o carro tem navegação ativa embutida na central multimídia, não é necessário recorrer ao celular. Funciona bem, fácil de operar, como pude perceber.

O alerta de cinto e passageiros no banco traseiro também é um diferencial bacana do Equinox, principalmente para as famílias. O Equinox é capaz de demonstrar graficamente no painel quais passageiros do banco traseiro não estão com o cinto afivelado. Além disso, apresenta um alerta para lembrar o motorista de verificar o banco traseiro ao estacionar e desligar o carro. Isso evita o esquecimento de bagagens, animais e crianças dormindo no banco traseiro.

Em relação à concorrência, como fica o Equinox? Os principais rivais, no meu entendimento, seriam: Volkswagen Tiguan, Jeep Compass e o Peugeot 3008. Bom, conforme já dito, o público parece não ter descoberto todos os atributos do Equinox. O carro apresenta um bom desempenho, é confortável, espaçoso, consumo na média do mercado e conta com o suporte das inúmeras concessionárias da Chevrolet espalhadas pelo Brasil.

Em relação à concorrência, apenas o Peugeot 3008 vende menos do que ele. O Jeep Compass, que custa bem menos (R$113 mil, contra os R$131 mil do Equinox Midnight), explode em vendas, agradando muito ao público que busca por um SUV mais espaçoso. Já o Tiguan também vende mais que o Equinox, apresentando um visual mais atualizado tanto interna quanto externamente.

A Chevrolet está de olho no mercado e em 2021 é provável que a Equinox receba um facelift, ou seja, uma leve atualização. Lá fora o facelift já ocorreu, sendo possível ver fotos do novo visual.  Isso significa que, sim, o Equinox vai mudar, fazendo com que o atual seja precipitadamente rotulado como “desatualizado”. Tal fato pode ser excelente para quem busca por bons negócios, pois a Chevrolet andou concedendo ótimos descontos no Equinox atual, transformando a compra do modelo em uma opção bastante tentadora para quem está em busca de um automóvel nessa faixa de mercado.  A nova geração, totalmente renovada, deve chegar ao mercado em 2024, de acordo com as previsões atuais. E parece que vai conviver com a geração antiga por um tempo.

*FICHA TÉCNICA:

Potência (cv)            172

Torque (kgf.m)         27,8

Tempo 0-100 (s)      9,2

Consumo cidade (km/l)      9,5

Consumo estrada (km/l)    11,7

Câmbio automática com modo manual de 6 marchas

Tração   dianteira

Direção elétrica

Suspensão dianteira          Suspensão tipo McPherson e dianteira com barra estabilizadora, roda tipo independente e molas helicoidal.

Suspensão traseira            Suspensão tipo multibraço, roda tipo independente e molas helicoidal.

Dimensões

Altura (mm)   1.697

Largura (mm)           1.843

Comprimento (mm)             4.652

Peso (Kg)      1.640

Tanque (L)    56

Entre-eixos (mm)     2.725

Porta-Malas (L)        468

Ocupantes    5

*Dados do fabricante

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