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Carros autónomos dirigem demasiadamente bem

Por Felipe Dias

Pode parecer uma afirmação difícil de acreditar, mas a verdade é que veículos automáticos que não requerem motorista, estão a ser envolvidos em colisões por dirigirem demasiado bem. Imagine um mundo onde todos os motoristas seguem as regras da estrada na perfeição, todos os veículos param completamente num sinal de STOP e o limite de velocidade nunca é ultrapassado. Isto é realidade em algumas partes da Califórnia onde motoristas são na realidade robôs de inteligência artificial.

Com vários carros-teste sem motorista a circular as ruas na Califórnia, foi observado que alguns destes protótipos são cuidadosos de mais. Motoristas humanos estão tão desabituados a ter viaturas a parar completamente num sinal de stop ou a que obedeçam fielmente o limite de velocidade, que tal está resultando em bastantes acidentes a velocidades reduzidas, segundo um relatório da Bloomberg. Mike Ramsey, um analista da Gartner, que se especializa em tecnologias avançadas para a indústria automóvel, afirmou ainda que “eles não dirigem como pessoas, eles dirigem como robôs”.

Califórnia é um dos poucos estados que requer relatórios de acidentes que envolvem veículos automáticos, e de acordo com o relatório da Califórnia DMV, o departamento já foi informado de 66 acidentes que envolveram viaturas autónomas até 18 de Abril de 2018, sendo que 14 já foram registradas só esse ano! Isto é um aumento significativo aos anos anteriores, pois em 2017 só houve 5 acidentes deste tipo até ao mês de abril, contando assim com um aumento de cerca de 35% em colisões, mas isto também pode ser devido ao aumento do número de veículos autónomos que agora circulam as estradas. Os relatórios estão disponíveis para a leitura do público, e é possível observar que quase todos aconteceram em cruzamentos a baixas velocidades.

As empresas responsáveis pelo desenvolvimento de veículos autónomos procuram agora melhorar a integração dos seus veículos com viaturas dirigidas por humanos. O CEO da GM’s Cruise Automation, Kyle Vogt, postou sobre o modelo autónomo Chevy Bolts a explicar que o carro é “projetado para imitar o comportamento humano, mas com os erros humanos omitidos”.

O braço para condução autónoma desenvolvido pela Google (designado por Waymo), tem tentando ser semelhante ao ajustando coisas como girar mais e avançar nas luzes amarelas piscantes para não só ser mais seguro para os outros motoristas, mas mais confortável para os ocupantes do carro autônomo. Estamos numa fase de transição, em que queremos que estes veículos copiem a condução humana de modo a reduzir os riscos de colisão, o que inclui copiar nossos erros e maus hábitos. Os humanos já tem tido outras experiências com robôs a substituir tarefas que em outros tempos seriam feitas por humanos, tais como aspiradores, barmen, linhas de montagem em fábricas, e muitos outros, mas o que nos espera o futuro?

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