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Abarth: De Bolonha para o mundo

Fotos: Renato Pereira

Nem só de Alemanha vive o restrito mundo dos braços esportivos de montadoras de veículos em série, e os europeus sabem bem disso. Muitos países de outros continentes também o sabem. Alguns países, no entanto, apesar de seus povos se auto-proclamarem incomparáveis apaixonados e profundos conhecedores do mundo automotivo, desconhecem por completo a existência, história e importância de determinadas divisões esportivas. Entre essas divisões podemos citar a excepcional italiana Abarth & C. S.p.A. e entre esses países podemos citar o Brasil onde poucos (mas bem poucos mesmo), conhecedores de carros sabem do que se trata o nome e sua importância.

A Itália tentava se recuperar da destruição sofrida durante a Segunda Guerra, sua ocupação e colaboração com o nazismo, e a vida estava medonhamente miserável. A OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), criada como uma aliança entre os “países de bem” da Europa Ocidental – Bélgica, Holanda, Luxemburgo, França e Reino Unido, decidiu incluir Portugal, Noruega, Dinamarca, Islândia, Canadá e Estados Unidos nessa aliança que objetivava, unicamente, manter o Império Russo fora, os norte-americanos – unicos capazes de se contrapor aos russos – dentro e os alemães por baixo e, num gesto de boa-fé aceitou, esquecendo-se das loucuras do louco Benito Mussolini, a Itália como membro da aliança.

Turim é a capital das comunidades de Piemonte, no norte da Itália. O único motivo que tornava a cidade conhecida na Europa era por sediar a FIAT (Fabbrica Italiana Automobili Torino) ali estabelecida em 1899 quando Giovanni Agnelli juntou-se a um grupo de ricos italianos e decidiram fabricar carros para concorrer e vencer os franceses no setor e, de quebra, nas corridas, feitos que ninguém havia conseguido.

Num belo dia 31 de março de 1949, um certo austro-italiano Carlo Abarth, fabricante de escapamentos de alta performance para carros de corridas, se associa com Armando Scagliarini, que por um acaso era pai de Guido Scagliarini, piloto oficial da Cisitália, e fundam a Abarth & C. em Bolonha, aproximadamente 350 quilômetros distante de Turim, e usam um escorpião, signo de Abarth, como logotipo da empresa. Em 1950 um dos mais famosos pilotos italianos, Tazio Nuvolari, fez sua última prova a bordo de um Cisitália com escapamentos Abarth. Para ficar mais próximos de quem realmente interessava, que era a FIAT, os sócios transferiram a sede da Abarth & Co. para Turim em 1951 e começou sua associação com a já grande montadora em 1952, ao preparar um Fiat 1500 com grande sucesso. Pronto, agora Turim tinha dois motivos para ser conhecida na Europa e fora dela!

Nessa época – e região do mundo – as corridas mais comuns eram as Subidas de Montanha, que os britânicos adtaram e batizaram como Hillclimbing, que significa… Subidas de Montanha (?). Na década de 1960, a Abarth foi muito bem-sucedida nessas corridas, com carros esporte principalmente nas classes de 850cc a 2000cc, competindo contra Porsche 904 e Ferrari Dino. A empresa cresceu, Hans Herrmann era piloto oficial fábrica a partir de 1962 e, pilotando um Abarth-Simca Bialbero 4 cilindros 2,3 litros com Teddy Pilette, venceu os 500 km de Nürburgring em 1963. A confiança de Abarth em seus carros era tamanha que propôs ao promissor piloto Joahnn Abt pilotar seus carros de graça, se ele vencesse todas as provas que disputasse… foi quase, uma vez que Abt venceu 29 das 30 corridas que participou, e foi segundo colocado em uma. Sim, este é o mesmo Joahnn Abt dono e preparador da Abt Sportline, a equipe de corridas oficial da Audi AG até hoje.

Além das corridas que seus carros participavam, em associações com a Fiat, Simca e Porsche, a Abarth voltou a produzir escapamentos de alta performance para várias montadoras, além de diversificar sua linha de produção criando kits para tuning prioritariamente para os modelos da Fiat de série, o que levou a montadora italiana finalmente a adquirir integralmente a empresa em 1971, dissolver a equipe de corridas vendendo-a a Enzo Osella, e transformando a Abarth em sua divisão esportiva oficial, rebatizada Fiat Auto Gestione Sportiva, sob a batuta de Aurelio Lampredi, que criou os legendários micro-compacto Autobianchi A112 Abarth com motor 1,0 litros e 60 Cv de potência, e os Lancia-Abarth Rally037 de corridas, com motor 2,0 litros, aspirado, com 280 Cv de potência e a versão “de rua” Stradale, com 205 Cv de potência produzidos entre 1982 a 1983.

Nos anos 80 a Fiat empregou o nome Abarth, com seu escudo de escorpião, como versões esportivas de seus modelos de série, como o modelo Ritmo Abarth 125/130 TC. A montadora italiana estava, como em diversas outras atitudes, “matando” a marca que tanto esforço fez para se consagrar. Em 2007, mantendo a mesma linha de distinção light, lançou o Stilo Abarth, nada além de um Fiat Stilo de série com alguns níveis de acabamento sugerindo esportividade no modelo. Em 2007, a Fiat Automobiles SpA, recentemente controladora majoritária da norte-americana Chrysler Corporation, lançou os modelos Grande Punto Abarth e Grande Punto Abarth S2000, mas agora como subsidiária separada do conglomerado Fiat, baseada nas instalações da Officine 83,  antigo departamento de engenharia da Mirafiori, sob o comando de  Harald Wester, voltando quase completamente às suas raízes, onde além de executar um tuning sugerindo alta performance, com design mais esportivo e agressivo, inclui melhorias no chassi, suspensão, freios e no desempenho dos motores.

Modelos em produção Abarth & C. S.p.A.:

Abarth 500

Motor: 1,4 litros, 16V, 4 cilindros em linha, Turbo, 160 Cv;

Abarth 500C

Motor: 1,4 litros, 16V, 4 cilindros em linha, Turbo, 160 Cv

Abarth Punto Evo

Motor: 1,4 litros, 16V, 4 cilindros em linha, Turbo, 160 Cv

Abarth Punto Scorpione

Motor 1,4 litros, 16V, 4 cilindros em linha, Turbo, 180 Cv

Abarth Punto Super Sport

Motor 1,4 litros, 16V, 4 cilindros em linha, Turbo, 179 Cv

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