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Os novos desafios do motor flex sem tanquinho

Foto: Divulgação

A tecnologia dos motores flexfuel que rodam com etanol e gasolina misturados ou não é realidade comercial desde 2003, apesar de existirem na prateleira da Bosch desde 1994. Agora volta a evoluir, também com defasagem de quase 10 anos, com os sistemas que dispensam o uso do tanquinho de gasolina adicional, para partida a frio.

Desde 2009 a Volkswagen adota isso no Polo Bluemotion, um carro que vende pouco e é quase inexpressivo no mercado e também para a montadora. Mas a partir de agora a história tende a mudar, pois a Peugeot adotou o sistema Flex Start, da Bosch, como titular no hatchback 308 1.6l 16v. E isso vai fazer com que a concorrência também passe a equipar seus carros com este tecnologia.

Assim, o reparador terá novos desafios à frente. O Blog Reparador Online avaliou por uma semana o novo Peugoet 308 1.6l 16v Flex Start, carro que conta com diversas novidades em termos de propulsão, em relação aos demais 1.6l 16v da linha Peugeot, apesar de aparentar ser o mesmo motor TU5 de sempre. E neste período surgiram alguns indícios de que ainda há muito que se aprender em termos de sistemas flex.

Bom, pra começar o TU5 virou EC5, e segundo a Peugeot, o novo motor sofreu alteração do software da injeção, adoção do VVT (comando de válvulas variável), mudança da cartografia dos comandos de válvulas de admissão e escape, aumento da taxa de compressão e bomba de óleo variável, novos conjuntos de pistões, anéis e cilindros com tecnologia low friction, bielas forjadas, novos tuchos hidráulicos e sistema drive by wire.

Como resumo da ópera, ficou mais potente: 122cv a 5.800 rpm e torque máximo de 16,4 kgfm a 4.000 rpm com etanol, e 115 cv a 6.000 rpm e torque máximo de 15,5 kgfm a 4.000 rpm com gasolina. Mas ficou mais áspero na condução, estranhamente, apesar de ter se mostrado mais econômico do que o anterior, com média de consumo na cidade de 7,5 km/l, no etanol, com trânsito moderado, e média de 11,8 km/l em estrada sinuosa, com trânsito livre.

 

Oficina

Durante os sete dias de teste com o carro, percorremos cerca de 600 km, em trechos urbanos e na estrada sinuosa, em curta viagem de São Paulo para Extrema, no sul de Minas Gerais. No terceiro dia com o carro, ao dar a primeira partida do dia, uma luz de advertência surgiu no painel (um triângulo com ponto de exclamação dentro), com uma mensagem de defeito motor no computador de bordo. Até então, havia rodado apenas cerca de 100 km na cidade com trânsito leve, nos dias anteriores.

Apesar disso, o carro deu partida e andou normalmente até o destino. Ao chegar, estacionei, desliguei e dei partida novamente, e mais uma vez o defeito persistia no painel. Repeti este procedimento mais duas vezes, até que a luz apagou sozinha. Falha intermitente, a do tipo que o reparador mais gosta. Logo depois, parei na oficina Especializada Josmar, onde fizemos um teste com scanner para averiguar o problema.

Com scanner plugado (a tomada de diagnóstico fica no console central), o único sistema identificado foi o powertrain, que identificou falha no motor, com código P13A0. Ganha um doce quem souber o significado desse código.

Bom, somente para lembrar, o 308 1.6l 16v Flex Start não tem mais tanquinho, mas sim, velas aquecedoras na flauta, que aquece o combustível antes das válvulas injetoras. O tempo de aquecimento é de 6 segundos quando a temperatura ambiente é de 5° C, e começa a contar a partir do momento que o motorista abre a porta.

Tudo é controlado por uma HCU (Unidade de Controle das Velas de Aquecimento), que identifica a temperatura ambiente, o tipo de combustível utilizado, entre outros parâmetros, e informa o sistema de ignição se há condições para dar a partida de forma segura e de acordo com os níveis de emissões pré-definidos.

Se, por acaso o motorista inseria a chave no contato antes destes 6 segundos iniciais necessários para aquecer o etanol, uma luz no painel ficará acesa, indicando que o sistema está em aquecimento. A partida só é permitida após a luz indicadora se apagar.

 

Resposta

Bom, ocorre que no dia do código P13A0, a temperatura ambiente estava agradável (15° C), o tempo de partida após abrir a porta foi de muito mais do que 6 segundos, pois abri a porta para deixar o casaco no carro e a fechei para abrir o portão da garagem.

Interessante notar que não há literatura para este código, em nenhum site de códigos OBD. E um dos motivos é porque este é um motor que conta com um novo sistema de partida a frio. Claro, o erro só podia estar ligado a isso.

A resposta do enigma foi oferecida pela própria Peugeot, por meio da assessoria de imprensa (a Peugeot é uma das poucas montadoras que fornecem dados técnicos sobre os veículos, sempre que solicitamos). “Em relação ao código P13A0, trata-se de um defeito relacionado à alimentação elétrica da central HCU (Unidade de Controle da Velas de aquecimento do Flex Start). A razão para ter acusado isso teria de ser investigada.”, informou por email.

Assim, o sistema flex volta a mostrar que nas ruas, a realidade é diferente dos laboratórios, e que ainda precisa de pequenos ajustes, tal como um violão com cordas novas que perde a afinação espontaneamente. Está de parabéns a Peugeot pela iniciativa e pioneirismo de eliminar o tanquinho em um modelo de série, antes de qualquer outra montadora, e ainda mais de parabéns em não regular informação sobre uma falha encontrada em campo, e nem mesmo negar que tal ocorrência existiu.

 

Mais detalhes

Abaixo, listamos outros detalhes do novo motor EC5, de acordo com o divulgado pela Peugeot, no lançamento do 308.

• VVT – o comando de válvulas variável faz os tempos de abertura das válvulas e o fluxo de ar e combustível variarem de acordo com a necessidade  identificada pelo cruzamento de informações de aceleração e comportamento do motor. Com isso, as características do motor são modificadas, garantindo o bom desempenho em diferentes regimes de rotação e, ainda, a redução do consumo. Em linhas gerais, o VVT otimiza o funcionamento e contribui para que se tenha, por exemplo, mais de 80% do torque já a partir de 1.500 rpm;

• Bomba de óleo variável – usada pela primeira vez em um motor produzido no Brasil, ela ajusta automaticamente o fluxo de óleo enviado de acordo com a rotação do motor e a carga. Como resultado, o motor absorve menos energia e, com isso, fica mais econômico. Este equipamento permite uma economia de combustível de 1%;

• Conjunto pistões/anéis “low friction” – os componentes usam material de baixo atrito, que reduz o gasto de energia do motor para movimentar suas próprias peças; por consequência, torna mais eficiente seu funcionamento;

• Cilindros com acabamento “low friction” – o brunimento dos cilindros também adota material de baixa resistência à fricção, reduzindo o atrito entre as peças;

Bielas forjadas – com alta resistência, elas têm peso reduzido, contribuindo para a melhor performance do motor e a redução do consumo;

Coletor de aspiração e tampa do motor em plástico – a adoção de plástico nestes componentes reduz o peso, sem comprometer a resistência. Como resultado, contribui para melhorar o funcionamento do motor;

Tuchos hidráulicos – mais modernos, melhoram a eficiência do conjunto e, além disso, não precisam de manutenção;

Sistema drive by wire – emprega fios e sensores para conectar o corpo da borboleta ao acelerador. Ele permite respostas mais rápidas e precisas ao comando do motorista sobre o pedal de aceleração otimizando o comportamento do motor e o consumo.

Fonte: Blog Reparador Online (www.reparadoronline.blogspot.com)

 

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Um Comentário

  1. Comando de válvulas variável significa que a taxa de compressão também é variável, certo???
    Pois se for realmente assim, isso significa que acabou o problema de o motor “grilar” com o uso de um dos combustíveis, não é???

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