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Mustang Hennessey HPE700 – Ele tem a Força!

Fotos: Divulgação e Renato Pereira

Existe uma categoria de pessoas que realmente se diferem dos demais mortais. São pessoas que, de alguma forma, estudam e aprendem muito sobre o que mais gostam, ralam um bocado, testam e erram até que um dia conseguem atingir o objetivo de transformar em realidade o que imaginaram, que se transforma em um grande sucesso, novas idéias surgem e daí para a frente as portas se abrem e o mundo fica menos difícil. Carrol Shelby, Jack Roush, Steve Saleen e John Hennessey, para citarmos apenas alguns e ficarmos apenas na América do Norte, estão aí para comprovar isso que foi dito.

Para esses gênios visionários, nada foi de graça. Tiveram de comprar os carros que queriam “reconstruir”, bancar todos os projetos – geralmente de A a Z, construindo inteiramente ou em partes seus motores, suspensões, freios etc – e provar que sim, eram realmente excelentes produtos, porém inviáveis para produção em larga escala como exige um modelo de série de qualquer montadora. Hoje suas empresas compram lotes do modelo escolhido direto da montadora, os preparam como acham que devem, inclusive trocando tudo o que podem feito originalmente em metal pesado por fibra de carbono e alumínio, as montadoras dão sua aprovação (ou reprovação) e só então os comercializa, ora mantendo as garantias de fábrica, ora empregando sua própria garantia. É um excelente negócio para todas as partes, todos ganham dinheiro e ficam felizes.

Enquanto em sua maioria os europeus são propensos a criar do zero seus Super-Carros, os norte-americanos sempre foram maníacos pelo que denominam Muscle-Cars, que são os modelos geralmente coupé 2 portas, teto rígido, motor dianteiro e tração traseira, com dois lugares na frente e algo que se pode chamar de banco traseiro para ocupantes com menos de 1 ½ de estatura. As próprias montadoras se encarregavam de criar seus modelos musculosos, como o Pontiac GTO, Buick GSX, Oldsmobile Cutlass 442, Plymouth GTX e Dodge Charger, Chevrolet Chevelle SS, entre outros. Para evitar a bagunça generalizada, criaram-se categorias separando os modelos de acordo com suas dimensões, peso e potência, sendo elas: Full-Size Muscle, Mid-Size Muscle, Compact-Muscle e Pony-Muscle.

É justamente com os Pony-Muscle, onde figuram o Ford Mustang, o Dodge Challenger, o Chevrolet Camaro, o Mercury Cougar e o Pontiac Firebird (modelos do segmento mais conhecidos por aqui), em suas versões já mais apimentados de fábrica, que Shelby, Roush, Saleen, SRT e Hennessey, entre outros do mesmo calibre, sempre implicam e resolvem deixá-los mais potentes – normalmente, absurdamente mais potentes – e  mais bonitos, o que é uma condição subjetiva. Recentemente, tivemos (quer dizer, o Primeiro Mundo teve…) mais um capítulo dessa disputa entre quem-faz-o-monstro-mais-potente, com a chegada do Chevrolet Corvette Z06 com 646 Cv, o Mustang Shelby GT500 e seus 672 Cv e o Dodge Challenger SRT Hellcat com seus 707 Cv de potência máxima. Em comum, além da potência abundante que leva a nós, simples mortais da linha de baixo do Equador a exibir um sorriso amarelado e nos contorcer de inveja, todos passam – fácil e bem rápido – dos 300 km/h.

A Hennessey Performance Engineering, fundada em 1991 em Houston, Texas, é totalmente independente, e repagina modelos esportivos e super-carros dos mais variados tipos, de todas as montadoras. Ferrari, Porsche, McLaren, Chevrolet, Dodge, Audi, Mercedes-Benz, Toyota, Nissan, Mustang, Cadillac, Lotus, Ford, BMW , Bentley, Chrysler, GMC, Lincoln, Lexus, nada escapa aos cuidados especiais elaborados por seus engenheiros. Entre seus maiores sucessos estão o Hennessey Venom GT, lançado em 2010, Super-Esportivo baseado no Lotus Exige, com 1.244 Cv de potência, o Super-Carro Hennessey Venom F5, com 1.400 Cv, o Hennessey Viper Venom 700NM, com 700 Cv e o Hennessey CTS-V, um Cadillac a ser lançado em 2016. Como não poderia deixar de ser, a empresa capitaneada por John Hennessey lançou a sua visão do que deve ser um Mustang, o HPE700.

Provavelmente encantados com os 717 Cv de potência do motor 6.2 V8 Hemi Supercharger com que a SRT dotou os Dodge Challenger e Charger, Hennessey e sua trupe não perdeu tempo em desenvolver o que se pode chamar de se “predador natural”, pegando um já nada pacato Ford Mustang 5.0 V8 e 441 Cv de potência, re-projetado seu motor e entregando-o com a bagatela de 726 Cv de potência máxima acoplado a um câmbio manual de 6 velocidades. É, eles colocaram 285 Cv a mais de capacidade no mesmo V8, dotado agora com um Supercharger, virabrequim, bielas, pistões, válvulas e comandos de válvulas alterados, novo sistema de injeção de combustível e um re-mapeamento de toda a parafernália eletrônica. É como se pegassem um Ford Focus ST (a nova coqueluche dos hatchback compactos no mundo) com seu motor 4 cilindros de 250 Cv, inserissem mais 35 Cv de potência e, de alguma maneira, enfiassem tudo debaixo do capô do Mustang HPE700. Para quem gosta de números e comparações, o motor 6.5 V12 do poderoso sonho-de-consumo Lamborghini Aventador LP700-4 oferece apenas 700 Cv de potência máxima (o que sugere pensar, que, se Hannessey “encasquetar” com o bólido ítalo-germânico, esse número pode dobrar…). O torque de 87,7 mkgf (metro kilograma força) a 4.400 Rpm é mais do que suficiente para mandar o motorista com assento e tudo para dentro do porta-malas em uma aceleração estilo largada de Fórmula 1 se tudo não estiver muito bem afixado…

O Mustang Hennessey HPE700, com seus mais de 1.700kg, calçado em rodas 19” ou 20”, acelera dos 0 aos 100 km/h em 3,6 segundos e sua velocidade máxima ultrapassa os 300 km/h. Os mais conservadores perguntarão: pra que tudo isso? E eu respondo: não sei, mas que é muito legal, isso é! No mínimo, faz todos os outros carros parecerem lentos, quando não são. No Brasil, por exemplo, é uma excelente opção para quem curte – e pode – participar da nova febre nacional, os Track-Days em autódromos, com toda a segurança e nenhum radar para infernizar a vida. Para parar tudo isso, freios a disco de 384mm nas quatro rodas, com pinças Brembo com 6 pistões. Como sempre existe alguém descontente com a possibilidade (muito, muito rara…) de topar com um carro igualzinho o dele, ou que acha que “apenas” 726 Cv num coupé grande como um Mustang não é assim tão intimidador, a Hennessey oferece uma versão com apenas 500 unidades produzidas, o Hennessey HPE750, com insanos 784 Cv de potência máxima, e acelera de 0 a 120 km/h em 3,4 segundos passa dos 335 km/h sem grandes esforços. Está bom agora, chega? Chega, né?

Como não poderia deixar de ser, já que todo o conjunto mecânico foi alterado, não custava nada dar uma estilizada no interior e na carroceria, certo? Asas dianteira e traseira, mini-saias laterais funcionais em fibra de carbono, conjunto ótico, rodas exclusivas, detalhes internos, tudo foi devidamente revisto.

O cliente escolhe a cor de sua preferência, logicamente, mas a opção preto-fosco e rodas pretas, bem no estilão Mad Max, é a mais impactante. A garantia oferecida pela Hennessey Performance Engineering é de 3 anos ou 58 mil quilômetros, o que acontecer primeiro. É possível comprar um e trazer um HPE700 legalmente para o Brasil? Sim, sem o menor problema. Existem empresas idôneas especializadas no assunto; pela cotação de hoje do Dólar, comercializado a R$ 3,21, as conversas se iniciam na casa dos R$ 190.000,00. Lá, no Texas.

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