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E quem financia o cliente da oficina?

Foto: Marcus Lauria / Fiat Palio

O governo federal reduziu o IPI para compra de carro zero km e isso trouxe de volta o cliente para a concessionária, pois ficou mais interessante trocar de carro agora. Eu mesmo, se pudesse, correria para trocar meu hatchback médio de mais de 10 anos de uso por um popular compacto básico em um momento como esse. Ainda bem que não posso.

Explico: apesar de carros com mais de 10 anos de uso sofrem com visitas periódicas à oficina para reparos comuns à idade que apresentam, e como não é um compacto popular, a conta geralmente é meio salgada, mas nada que não compense o conforto que ele proporciona.  Conforto que um popular zero km não tem. Assim, vou mantendo o meu hathcback médio, até onde ele decidir me levar.

Conheço várias pessoas na mesma situação que me encontro, porém muitas reclamam demais da conta da oficina. Não é por menos, pois são raras as empresas de reparação automotiva que oferecem planos de pagamento em parcelas fixas a perder de vista. No comércio, é até possível comprar um sapato e pagar em 12 vezes sem juros no cartão de crédito, mas na oficina, que nada!

Isso é lamentável uma vez que a oficina é o ponto de partida de uma longa cadeia de negócios no aftermarket automotivo. Já escrevi sobre isso no boletim 11, de 23 de maio – E onde está o incentivo ao aftermarket?, lembram-se?

Mas, se é mais vantajoso financiar a compra de carro zero km ao invés do dono do carro usado que precisa mantê-lo em ordem para trabalhar e, quem sabe, fazer dinheiro para viver, então tá bom. Quem é banco deve saber o que faz. Mas quem é empreendedor, está perdendo uma excelente oportunidade de negócio.

Só para constar, o Banco Central divulgou ontem dados da inadimplência no setor de veículos, que bateu novo recorde em maio. Os atrasos acima de 90 dias atingiram 6,1% dos empréstimos para aquisição de veículo zero km. O número foi superior a abril, quando os atrasos atingiram 5,9% dos empréstimos. Em maio do ano passado, o índice de inadimplência era de 3,6%.

Então tá, então. Continua financiando a compra de carro zero km, mesmo porque um dia esse carro chega na oficina que não é da concessionária, que inclusive, também não oferece grandes facilidades para o cliente.

Dizem que financiar carro zero km é mais fácil porque se não pagar, o banco vai lá e toma o bem. Isso quando tem bem para ir buscar, pois não são raros os casos de pessoas que sofreram graves acidentes, ficou com seqüelas, não consegue trabalhar e o carro deu perda total; e claro, não tinha seguro. Vai buscar o que? Vai processar e mandar o cara pra prisão?

Bom, a verdade é que incentivar a troca do carro usado por um novo com linhas de crédito irreais para o país e não oferecer ao motorista uma oportunidade dele manter o carro sempre em boas condições é um erro que mais cedo ou mais tarde recai sobre o próprio mercado.

Linhas de crédito para quem quer manter o bem em ordem deveriam ser prioridade pois incentiva a criação de postos de trabalho em cascata, da oficina para a loja de autopeças, para o distribuidor até chegar no fabricante. Movimenta a economia de forma sustentável, pois o carro já está nas ruas, tem um dono e precisa ser movimentado.

Carro na rua paga imposto (IPVA), consome combustível, faz inspeção na Controlar (na cidade de São Paulo, claro), alguns (muitos até) são multados, enfim, movimentam a economia. Vender carro zero km é importante? Claro que sim, mas fazer o que já está na rua permanecer em uso é tão importante quanto.

E este não é papel exclusivo do governo. A sociedade civil pode ajudar, os bancos podem ajudar, os fabricantes, distribuidores e varejistas de autopeças podem ajudar. É preciso financiar de forma mais inteligente o aftermarket automotivo, pois todo mundo quer comprar carro zero km, mas entre andar de carroça zero km e usado confortável, qual a sua escolha?

Fonte:  http://reparadoronline.blogspot.com.br/

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2 Comentários

  1. Pois é… e sinceramente acho que a tendência é piorar, veja o caso dos veículos antigos, os quais já não se encontram mais peças de qualidade para a reposição, afinal, para o “guverrno” é interessante entupir as ruas de carros 0 km, pois esses pagam IPVA, logo, mais carros novos = mais “din din” no bolso das “otoridades”, aliás nem peças para os 0 km as vezes não se encontra na concessionária, pois uma vez fui a concessionária comprar a lente do espelho retrovisor do meu carro que é 2010/2011 e eles disseram que a lente estava em falta, pois essa peça não tinha saída na concessionária (realmente, afinal não existem moto boys que chutam seu retrovisor, imagina!!!) conclusão… encontrei a lente do espelho do meu carro numa lojinha de auto peças de bairro por R$ 50,00 a menos do que a concessionária estava pedindo.

  2. Pois é também…. o que depreendo vendo as reportagens é que fiz besteira quando comprei seguidamente carros zero km desde 1990, cheguei a pagar o equivalente a 40 mil dólares por uma D20 que vendi, 13 anos depois, com 50 mil km e perfeita por equivalentes 15 mil dólares, fiz minha última compra em 2011 (Sentra) mas estou curado! Selecionei excelentes oficinas, algumas atravéz de contato com Clubes, i.e. Clube do Peugeot, comprei um Cabriolet meio caído (2005) e recuperei-o de modo que chama atenção quando passo…. proibí a família de comprar zero e aumentei minha preocupação com preventiva e preditiva, meu mecânico diz que sou fora da curva (faço manutenção preditiva)mas cada dia estou mais convencido que temos que combater a dupla Montadora + Leãozinho = Pegamos mais um bobo!

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