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Avaliação – Renault Captur Intense 1.6 16v SCe X-Tronic 2018

Fotos: Marcus Lauria

A Renault não perdeu tempo e lançou logo o Captur, para atrair aqueles compradores de SUV que não gostaram muito do design do Duster. Por ser mais robusto e com linhas retas, o Duster recebeu muitas críticas por conta da sua aparência, não que isso atrapalhe sua ótima desenvoltura como SUV, ao contrário, sempre foi visto com bons olhos, por nós, especialistas do segmento automotivo, especialmente a versão 4×4, que encara muita lama sem reclamar muito.

Com o Captur a Renault quer conquistar o consumidor mais conservador, que usa o carro para viajar, ir ao shopping, curtir um passeio com a família etc. A marca também aproveitou o belo desenho da sua carroceria para aumentar a sua conectividade e a oferta de easy life. Além da grande novidade da versão avaliada, o câmbio X-Tronic CVT.

A transmissão X-Tronic CVT, amplamente utilizada pela Aliança Renault-Nissan em todo o mundo, está disponível no Captur 1.6 SCe. O casamento do moderno câmbio continuamente variável – que tem opção de seis marchas simuladas – com o novo motor 1.6 SCe garante um rodar suave e silencioso em velocidade de cruzeiro. Além disso, o motor pode ser mantido em rotação constante, auxiliando no menor consumo de combustível. Tal situação foi constada em nosso teste feito em perímetro urbano.

Para quem ainda não se familiarizou com o câmbio CVT (Continuously Variable Transmission), ele oferece relações de marcha continuamente variáveis, ou seja, tem ‘marchas infinitas’. O maior diferencial em relação a um câmbio automático tradicional é a ausência de engrenagens. Como característica, este câmbio é econômico e permite aceleração contínua, sem trancos, o que dá a impressão de que o carro nunca troca de marchas.

Seu funcionamento acontece da seguinte forma: uma correia metálica liga duas polias com sulco em forma de “V” e largura variável. A primária, também conhecida como condutora, recebe o torque do motor, enquanto a secundária transmite ao diferencial. Cada polia tem dois cones que podem se afastar ou se aproximar por meio de um sistema hidráulico, diminuindo ou aumentando a largura do canal onde passa a correia. De acordo com a demanda do motorista, este afastamento ou aproximação dos cones aumenta ou reduz a velocidade do carro.

Quando os cones estão juntos, o canal fica mais estreito e o raio da polia aumenta. Em marcha reduzida, a polia primária apresenta um raio menor, enquanto a polia secundária fica com raio maior. Na medida em que o carro acelera, o movimento das polias se inverte e a relação de marcha fica maior. A distância entre as polias é fixa. Assim, o câmbio X-Tronic CVT apresenta uma infinidade de marchas entre as menores e maiores relações.

O câmbio CVT oferece a possibilidade de troca manual na alavanca de câmbio. Ao motorista, cabe posicionar a manopla à esquerda para assumir o controle. A opção traz vantagem em performance, especialmente nas ultrapassagens e arrancadas.

O câmbio X-Tronic CVT traz uma transmissão adicional, garantindo menor tamanho e peso do conjunto. Esta solução permite que o conjunto mecânico seja 10% menor e 13% mais leve. Além disso, como neste câmbio as polias não entram em contato com o óleo, se obteve a redução do nível de atrito em 30%.

Pensando no conforto, há o sistema Lock-up com Active Slip Control. Neste sistema, a polia é liberada de forma gradual para que o torque seja transmitido de forma linear. Essa característica garante acelerações com respostas mais vigorosas e sem alternâncias, pois “segura” a polia e a solta de forma gradual para que o torque seja transmitido de forma linear e rápida.

Sob o capô, está o motor 1.6 16V SCe, que entrega 120 cv e 16,2 kgfm a 4.000 rpm, que é um pouco fraco para o peso do SUV, que é de 1.352 kg. As arrancadas são normais, sem muita pressão e a desenvoltura do Captur poderia ser mais empolgante, mas nada que desabone a sua origem. Ao jogar a manopla do câmbio para a esquerda, o motorista até pode controlar as mudanças de marcha, mas a sensação é que ainda falta um pouquinho de fôlego nas acelerações.

O conforto à bordo chama a atenção no Captur, que conta com isolamento acústico reforçado e suspensão bem calibrada, que até possuem um ajuste mais durinho e conservador, mas nada que comprometa a vida dos ocupantes, tanto na frente, quanto atrás. Seu porta-malas de 437 litros, se destaca entre os concorrentes, traz a mesma capacidade oferecida pelo Honda HR-V, porém maior que o dos rivais Renegade, Creta e Kicks.

Bem equipada, a versão avaliada Intense vem com quatro airbags e dos essenciais controles eletrônicos e tração e estabilidade, o modelo possui itens como partida por botão e chave presencial, ar-condicionado digital, sensor e câmera de ré, sensores de chuvas e crepuscular, controlador de velocidade e volante com acabamento de couro e comandos do rádio e telefone, além da central multímia Media NAV.

No que diz respeito ao consumo o Captur não surpreendeu. Mesmo com o modo Eco ativado e gasolina no tanque, suas médias de consumo foram de 10,5 km/l na cidade e 11,7 km/l  na estrada. Com etanol, esses números caem para 7,3 km/l e 8,1 km/l, segundo dados do Inmetro. A versão 1.6 CSe com câmbio CVT parte de R$ 84.900 (Zen) chegando a R$ 88.900 (Intense, versão avaliada). O Captur tem garantia de fábrica de 3 anos ou 100 mil quilômetros rodados, prevalecendo o que ocorrer primeiro. Clientes que optarem pelas facilidades de financiamento via Banco Renault têm 5 anos de garantia total. O plano de manutenção do modelo prevê revisões periódicas a serem feitas em intervalos de 10.000 quilômetros ou a cada ano de uso.

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