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Avaliação – Fiat Cronos 1.8 Drive Aut 2020

Fiat X6S: você já entrou em outro tempo... O tempo de Cronos!

Fotos: Marcus Lauria e Arnaldo Bittencourt

 Entendeu o título da matéria? Calma, eu explico. Fiat X6S era a denominação atribuída pela Engenharia da Fiat ao Cronos, antes do seu lançamento no mercado.  O restante do título é inspirado no slogan que a FIAT utilizou no início da década de 90, ao lançar o Fiat Tempra. Ao final de propaganda, o narrador anunciava, com voz empostada: você entrou em outro tempo… O tempo de Tempra!

Confira nosso vídeo – https://youtu.be/oIWH9COSszM

Esse slogan aplica-se perfeitamente ao Cronos, afinal esse nome, na mitologia grega, pertence a um ser divino que personifica o tempo!  Pois bem, o teste da vez é com o Fiat Cronos 1.8 Drive AT6 2020, na cor metálica cinza silverstone (novidade dos modelos 2020).  As linhas do carro são bem estilosas, típicas de carros desenhados pelos grandes mestres italianos. A frente é praticamente idêntica à do Argo, mas não é igual. O capô, grade e parachoque são exclusivos do Cronos. Os faróis são alongados  e contam com um filete em led na parte superior, dando ao sedan um ar de esportividade. A traseira lembra o belo estilo adotado pela Alfa Romeo, contando com lanternas em led que avançam na tampa do porta-malas.

Sim, o motor do carro é o E.torQ 1.8 16v atmosférico que todos imaginam conhecer muito bem, lançado pela FIAT em 2010.  É importante considerar que, ao longo dos anos, o propulsor recebeu diversas atualizações, chegando até a mudar de nome na linha 2017, quando a Fiat passou a chamá-lo de E.TorQ Evo. Já equipou o Bravo, Punto, Linea e hoje continua equipando praticamente todos os modelos da marca, inclusive a picape Toro e o Jeep Renegade.

Como o coração 1.8 do Cronos é dos pontos mais controvertidos do modelo, aí vai um pouco de história sobre o propulsor E.torQ.  Os motores E.torQ (1.6 e 1.8) têm sua origem numa parceria entre a Chrysler Corporation e o Grupo Rover, controlado pela BMW. As montadoras fizeram uma joint venture chamada Tritec Motors no final da década de 90 com o objetivo de produzir um pequeno motor de 4 cilindros em linha.

O nome Tritec foi escolhido por conta dos três países envolvidos na empreitada: Reino Unido, Alemanha e…. Brasil! Sim, a Tritec montou sua fábrica no Brasil, em Campo Largo (PR). O motor Tritec equipou diversos modelos do Mini, mas também modelos da Chrysler como o Neon e o PT Cruiser.

A fábrica teve uma vida bastante conturbada, até porque, devido a acordos firmados com o governo federal, não podia produzir motores para o mercado brasileiro antes de 2003. Em 2007, a BMW abandonou a joint venture e começou a utilizar no Mini o motor Prince (THP), desenvolvido em parceria com a PSA Peugeot Citroen. Com seus contratos expirados e, portanto, sem ter para quem vender motores, a fábrica chegou a ser paralisada e cogitaram desmontá-la.

Em março de 2008, entretanto, a FIAT adquiriu a fábrica da Tritec, tornando-a a sua terceira fábrica de motores no Brasil. A FIAT trabalhou no motor Tritec, criando a versão 1.8 a partir do bloco 1.6 e transformando-o em flex. Pronto, nascia para o mercado em 2010 o motor E.torQ (blocos 1.6 e 1.8, ambos 16 válvulas)!

Com todos os upgrades recebidos ao longo dos anos, hoje o E.TorQ é conhecido (desde 2017) como E.TorQ Evo, sendo capaz de entregar 139cv a 5.750RPM e 19.3kgfm de torque a 3.750RPM (no etanol). Na gasolina os números são um pouco menores: 135cv e 18.7kgfm de torque. A ficha técnica pode não empolgar muito, mas na prática posso garantir que a situação é diferente. Mesmo pesando 1.271kg, o Cronos apresenta bastante fôlego em baixas rotações e é capaz de levar o carro de 0 a 100km/ em menos de 10 segundos (9.9s, para ser preciso). A velocidade máxima desse carro é de 196km/h. Nada mal para um sedan com proposta familiar, convenhamos!

Na internet é possível encontrar muita gente dizendo que esse propulsor 1.8 bebe muito. Bom, consegui fazer algo em torno de 10km/l na cidade, com gasolina. Não acho uma média ruim. Há bem pouco tempo a maioria dos carros fazia bem menos do que isso no perímetro urbano. Por conta dessa questão do consumo mais elevado, é comum encontrar análises do Cronos em que a versão recomendada para compra é a 1.3 Firefly, sob o argumento de que o motor é mais eficiente, consumindo menos e entregando um desempenho próximo ao do 1.8. Apesar de mais fraco, o 1.3 puxa 150kg a menos, já que o Cronos 1.3 manual pesa 1.139kg, contra 1.271 kg do Cronos 1.8 automático.

Um parêntese: fuja da versão automatizada (GSR), disponível como opcional para o modelo equipado com o motor 1.3. Esse câmbio conta com 5 marchas e deriva do velho conhecido Dualogic, sendo portanto problemático, caro de raparar e propenso a trancos no rodar. Esse argumento pró-eficiência ganha muita força aos olhos de quem pretende rodar muito com o carro. Eu não rodo tanto assim, portanto optaria pelo 1.8 mesmo, que indiscutivelmente anda mais, é equipado com um câmbio automático convencional japonês (Aisin) e não é tão amigo do frentista como pintam por aí.

Uma coisa é certa: a chegada dos novos motores FIAT da família GSE Turbo não vai tirar o E.torQ Evo de linha… Os motores E.torQ continuarão a equipar carros da FIAT pelo menos até 2025, de acordo com informações divulgadas pela própria montadora. Por falar na caixa Aisin, a FIAT está de parabéns pela programação aplicada à caixa automática do Cronos. As mudanças são rápidas, sem trancos. No modo manual o motorista troca as marchas da forma que considero a mais correta e intuitiva: empurrando a alavanca para frente você reduz as marchas, ao passo que puxando a alavanca você sobe as marchas. Perfeito! Em matéria de confiabilidade, não há o que temer: diversas montadoras usam essa caixa, produzida por uma grande marca de câmbios de origem japonesa.         

A suspensão do Cronos, como é? Bom, a FIAT calibrou a suspensão desse sedan familiar pensando no conforto dos ocupantes. O carro é muito, mas muito, macio. A buraqueira e os remendos das nossas ruas e estradas são absorvidos completamente pela suspensão, sem transmitir vibrações para os ocupantes, passando uma sensação de qualidade de construção.

Talvez as rodas aro 15 com pneus de perfil mais elevado tenham contribuído para o conforto ao rodar. Com as rodas aro 17 (opcionais) é natural que as imperfeições do asfalto sejam sentidas com mais clareza.

O fato de ter uma suspensão que privilegia o conforto não significa dizer que o carro é ruim de curva. A versão testada veio equipada com o sistema ESC da Fiat (Electronic Stability Control). Esse sistema oferece uma série de siglas… Além do ASR (controle de tração com intervenção nos freios e no motor) e o HILL HOLDER (dispositivo para arrancar em inclinações sem utilizar os freios), também estava presente o MSR (regulagem do torque de frenagem do motor na redução de velocidade), HBA (incremento automático da pressão de frenagem em caso de emergência) e ERM (função anticapotamento).

Fiz curvas mais fortes com o carro e em nenhum momento me senti inseguro. Mesmo entrando com uma velocidade bem acima da recomendada para a curva, esses sistemas eletrônicos mantinham o carro no trilho, sem alterações significativas de trajetória. Não era necessário tomar qualquer providência ao volante, os próprios sistemas cuidavam de consertar o excesso do motorista. Ponto para a eletrônica por contribuir para a segurança dos ocupantes!

Por falar em segurança, senti falta de mais airbags na versão testada. Um carro que custa em torno de R$70 mil deveria vir com mais airbags além dos dois frontais exigidos por lei. O sistema de freios do Cronos traz ABS de série, tal como prevê a lei. Apesar de muito eficiente quando solicitado (como é de se esperar em qualquer carro fabricado em 2020), a FIAT insiste em colocar no sistema um componente que, na minha avaliação, já deveria ter sido abandonado pela indústria automotiva há tempos: freio a tambor na roda traseira! Eu sei que é uma solução válida, que apresenta um grau de segurança bastante aceitável. No entanto, como trata-se de um item de segurança de grande relevância, acredito que as montadoras poderiam já ter abolido o tambor e passado a usar o eficiente freio a disco também na roda traseira.

Já que estamos falando de freios, que tal analisarmos as rodas? Eu sou de uma época em que os esportivos vinham de fábrica com rodas aro 14 e, alguns, aro 15. Uma roda aro 15 era o máximo que alguém poderia desejar. Pois bem, o Cronos Drive 1.8 Drive vem com rodas em aço aro 15, nas quais são montadas pneus nas medidas 185/60. Associadas às rodas há calotas com desenho bem interessante.

Vamos agora para o interior do Cronos, a área do habitáculo. O espaço interno é fenomenal. Famílias que precisam instalar cadeirinhas no banco traseiro se sentirão à vontade no Cronos. Tanto as cadeirinhas convencionais quanto as compatíveis com o sistema ISOFIX poderão ser utilizadas no Cronos. Os adultos não precisarão se preocupar com a regulagem de seus bancos, pois a distância entre-eixos do Cronos é enorme (2.521mm). Nada de criança chutando e  sujando o banco com o sapato! Espaço para cabeça dos adultos no banco traseiro também não falta.

O porta-malas do carro também é muito grande: são 525 litros de capacidade. Ou seja, cabe tudo e mais um pouco. Pena ter aquele famoso “pescoço de ganso” que amassa as bagagens. Pelo menos conta com botão de abertura na própria tampa ou na chave canivete.

O acabamento interno do Cronos também merece destaque, dando um banho na concorrência. Mesmo apresentando muito plástico duro, a escolha dos materiais passa um ar de qualidade, beleza e sofisticação. Basta entrar em um Chevrolet Onix Sedan, um VW Virtus e notar a grande diferença. No centro do painel há três belas saídas de ar circulares, inseridas em um plástico que imita com competência uma superfície metálica. Acima há o multimídia flutuante e abaixo os comandos do ar condicionado (digital e automático, na versão testada).

Os bancos do Cronos são em tecido simples, mas confortáveis e eficientes na hora de apoiar o corpo nas curvas. Há vidros elétricos para todos, com função um toque. O painel do carro possui um grafismo bonito e nele estão presentes todas as informações necessárias (incluindo medidor de temperatura do líquido de arrefecimento). Apesar de bonito, não gostei da visualização do velocímetro. Na faixa de 0 a 90, tive dificuldade em enxergar ao certo a velocidade em que trafegava. Acredito que isto ocorre porque o ponteiro é muito grande em relação aos números.

Mas é possível visualizar a velocidade no computador de bordo que fica na área central do painel. Dotado das funções básicas como média de consumo, consumo instantâneo, autonomia, a operação do computador se dá pelos comandos no volante. É bem fácil de operar, nem precisa ler o manual do carro 🙂 A versão testada não tinha recursos como espelho fotocrômico, sensor crepuscular e sensor de chuva. Tirando o espelho fotocrômico, os outros dois eu dispenso completamente, não curto. Prefiro eu mesmo decidir quando ligar os faróis, assim como a velocidade de funcionamento do limpador de parabrisa.

O sistema de som do carro, capitaneado por uma Central Multimídia UCONNECT de 7 polegadas, é surpreendentemente bom. Som alto, sem distorções, não importa a fonte do som. Compatível com Android Auto e Apple Carplay, o multimídia é muito rápido e a sua tela apresenta ótima nitidez e sensibilidade ao toque. Não há sistema de navegação independente… É necessário lançar na tela via cabo USB o Waze ou o Google Maps do seu celular.

Por falar em USB… O Cronos conta com duas portas USB (uma no console logo abaixo dos comandos do ar condicionado e outra próxima ao passageiros do banco traseiro. Ambas oferecem carregamento rápido e conexão com o sistema de multimídia do carro. Há ainda uma tomada 12v entre os bancos dianteiros.

Em relação à concorrência, como fica o Cronos? Os rivais não dão vida fácil ao Cronos. Carros como Chevrolet Onix Sedan, VW Virtus, VW Voyage (por que não?), Toyota Yaris, Ford KA Sedan, Renault Logan e Hyundai HB20S estão aí para disputar mercado com o FIAT.

Apesar de ser um ótimo carro, a concorrência bate forte: Onix e Virtus, por exemplo, oferecem mais espaço interno, mais equipamentos, motores mais eficientes, menos peso, tudo pelo mesmo preço do Cronos. O preço das revisões do Cronos também joga contra o modelo. O Onix Sedan é o grande campeão de vendas no segmento, seguido pelo KA Sedan e o Virtus. Em seguida vem o Cronos em disputa acirrada com os demais modelos.

Com a chegada da família de motores GSE Turbo, o Cronos certamente ganhará fôlego nessa voraz disputa por mercado. Bons atributos o carro inegavelmente tem, só falta ganhar um motor mais “na moda” para conquistar o seu justo espaço em um mercado ávidos por novidades.

*FICHA TÉNICA:

Mecânica

Motorização 1.7

Combustível             Álcool            Gasolina

Potência (cv)            139     135

Torque (kgf.m)         19,3    18,8

Velocidade Máxima (km/h)           196     195

Tempo 0-100 (s)      9,9      N/D

Consumo cidade (km/l)      7,2      10,3

Consumo estrada (km/l)    9,6      13,3

Câmbio          automática com modo manual de 6 marchas

Tração           dianteira

Direção          elétrica

Suspensão dianteira          Suspensão tipo McPherson e dianteira com barra estabilizadora, roda tipo independente e molas helicoidal.

Suspensão traseira            Suspensão tipo eixo de torção, roda tipo semi-independente e molas helicoidal.

Dimensões

Altura (mm)   1.507

Largura (mm)           1.726

Comprimento (mm)             4.364

Peso (Kg)      1.159

Tanque (L)    48

Entre-eixos (mm)     2.521

Porta-Malas (L)        525

Ocupantes    5

*Dados do favricante

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