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Avaliação – Ford New Fiesta Titanium Plus 1.0 EcoBoost PowerShift 2017

Fotos: Marcus Lauria e divulgação

A Ford reagiu rápido ao lançamento do Fiat Argo. De forma a conseguir algumas vendas de compradores indecisos pelo compacto da Fiat, a montadora americana lançou uma versão mais em conta do Fiesta com motor 1.0 Turbo, chamada de SEL e vendida por R$ 66.990. Mas não é dela que falaremos aqui, e sim da versão topo de linha, a Titanium Plus. De qualquer forma, visto que o powertrain é o mesmo, esse review atende a quem está pensando também na versão mais em conta.

O Fiesta (que ainda é chamado de New Fiesta) já acumula alguns anos com o mesmo visual. Essa frente estilo Aston Martin foi adicionada ao carro em 2013, coincidindo com sua produção nacional, e o modelo não mudou quase nada de lá para cá. Especula-se que o carro receberá um facelift ainda no final de 2017, que deve deixar seu visual parecido com a nova geração lançada na Europa, além de atualizar o interior do carro.

A maior novidade da linha 2017 foi a introdução do motor 1.0 Turbo Ecoboost, motor altamente premiado na Europa. A Ford levou longos anos para reagir ao 1.0 TSI da VW, e terminou por importar o motor da Romenia, bebendo apenas Gasolina, de forma a realizar uma experiência no mercado Brasileiro. O motor vem combinado à criticada transmissão Powershift e o carro, que passou a se chamar Titanium Plus, é praticamente o mesmo Titanium de sempre, com adição apenas de banco traseiro bipartido, cinto de 3 pontos e apoio de cabeça para o passageiro central no banco traseiro.

Com 125 cv @ 6.000 rpm de potência e 17,3 kgfm @ 1.400 rpm de torque, o pequeno 1.0 de 3 cilindros é uma joia da engenharia. O motor conta com injeção direta de combustível, cabeçote de alumínio, duplo comando de válvulas variável na admissão e no escape, intercooler e bomba de óleo com pressão variável. Sua pequena turbina fica localizada na frente do motor, e gira com pressão de até 1,5 bar no pico. Na Europa, esse motor conta com overboost que entrega até 20,4 kgfm de torque, mas a Ford não menciona sua presença no Fiesta nacional.

Internamente, o Fiesta Titanium Plus continua devendo em acabamento interno, aonde seus plásticos duros no painel deixam uma impressão ruim. Há algumas rebarbas e encaixes incorretos em alguns lugares. Já quanto aos itens oferecidos, o Fiesta é imbatível com 7 airbags, controles de tração e estabilidade, ar-condicionado digital, sensores de chuva e crepuscular, entre outros itens.

Sua central multimídia Sync é bem completa, e tem inclusive suporte a alguns aplicativos como Spotify, mas sua tela monocromática e a operação através de numerosos botões (embora intuitivos) é um ponto negativo.

A posição de dirigir é ótima, com boas regulagens do banco e da coluna de direção, esta ajustável em altura e profundidade. A visibilidade melhorou com os espelhos laterais convexos (eram planos até 2016) e a visibilidade traseira é apenas mediana. O carro é fácil de manobrar e conta com auxílio de sensor de estacionamento com indicador gráfico na traseira.

Espaço interno é um ponto fraco no carro. Embora o porta-malas de 281 litros seja razoável, o espaço traseiro é quase tão ruim quanto de um up. Na dianteira há bom espaço para motorista e passageiro, mas os joelhos de motoristas altos ficam em contato com o painel.

Se parado o Fiesta Ecoboost só atrai a atenção de quem conhece o carro, em movimento é impossível ficar passivo diante do desempenho do hatch. Suas acelerações são fortes e na cidade parece faltar espaço para tanto ímpeto. Já na estrada, o motor sobra, e conta com relações de macha mais longas que o 1.6, rodando em giros mais baixos. Um detalhe que empolga no carro é a sua dinâmica bem acertada e, ao acelerar fundo, o ronco metálico do três cilindros se combina ao silvo da turbina, uma orquestra para gearheads.

Tudo seria ainda melhor se não fosse a atuação fraca do Powershift. Suas trocas de marcha são rápidas, isso é inegável, mas o câmbio mata o carro em retornadas, troca marcha cedo demais mesmo em S, se perde em alguns lock downs e possui trocas sequenciais nada intuitivas. Sem ele, o Fiesta seria mais rápido e mais econômico, fazendo mais do que os 12 km/l de gasolina na cidade e 17 km/l na estrada, conforme medimos.

No geral, o carro reúne qualidades suficientes para atrair a atenção de quem busca um hatch compacto e prefere desempenho ao invés de espaço. Porém, seu preço de R$ 73.990 tende a afastar compradores.

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