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Air bag e ABS obrigatórios – Como anda essa mudança?

Fotos: Divulgação

As resoluções nº 311 e nº 312 do CONTRAN fizeram com que, a partir de 01 de janeiro de 2014, todos os veículos produzidos no Brasil fossem fabricados com air bags duplos e freios ABS frontais como itens de segurança de série.

Já em outros países, como nos Estados Unidos, os air bags tornaram-se obrigatórios e foram implantados nos sistemas dos automóveis entre 1987 a 1990. Enquanto isso, na Europa, não existe nenhuma lei que obrigue que um veículo seja produzido com air bag como item de segurança, porém é extremamente raro encontrar um veículo rodando por lá que não saia da fábrica com air bags frontais, laterais e de cortina, além dos freios ABS (Antilock Brake System) e controle de estabilidade ESP, que consegue estabilizar o carro mesmo em situações de risco em que não há aderência entre os pneus e o solo.

A obrigatoriedade dos air bags e ABS era prevista desde 2009, e depois de muitos adiamentos passou a vigorar, esse ano, em todas as fábricas do país. Um dos motivos para tanta demora era o destino de alguns modelos com altos índices de venda e suas incompatibilidades estruturais com os novos equipamentos de segurança. Foi o caso Fiat Mille (antigo Uno) e do Gol G IV (substituído pelo Up), que deixaram de ser produzidos em 2014.

A despedida da icônica Kombi foi ainda mais dramática. Enquanto a Alemanha deixou de fabricá-la há 30 anos – justamente por ela não se adaptar à instalação dos itens de segurança – aqui, o sindicato dos metalúrgicos pediu ao governo pudessem continuar produzindo o modelo por mais dois anos, mesmo sem air bag e ABS, já que não havia nenhum modelo da mesma categoria em nossa gama automotiva. A resposta foi negativa, e depois de 56 anos sendo produzida no país, a Kombi também deu seu adeus. Seu último exemplar produzido foi enviado para um museu alemão.

Mas, deixando as despedidas de lado, o implantação do air bag e freios ABS nos modelos zero km fabricados no Brasil representam um aumento de 4% a 8% no preço dos automóveis, e consequentemente, esse valor é repassado ao consumidor. Segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), o custo para instalação dos equipamentos de segurança obrigatórios nos modelos que ainda não os possuíam é de R$1.000 a R$1.500.

O número de acidentes e vítimas fatais que são evitados pelo uso dos freios ABS e air bag são indiscutíveis. Parece que segurança dos usuários de automóveis está, enfim, em foco no Brasil – mesmo que os antigos modelos que não possuem esses itens de segurança possam rodar normalmente. Contudo, ainda existe a preocupação com os prejuízos e possível desemprego na indústria automotiva. Entre os reajustes nos preços e a ameaça de cortes por parte das montadoras, quem paga pelos dois é o consumidor, enquanto espera que o número de acidentes diminua e melhore uma das estatísticas mais alarmantes do mundo.

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