Coluna Alta Roda – D√öVIDAS ELETRIZANTES

Postado em: 14, fevereiro 2019 por Fernando Calmon

Otimismo √© a palavra de ordem quando se fala em futuro el√©trico para os autom√≥veis. Praticamente todas as fabricantes despejam agora bilh√Ķes de d√≥lares em desenvolvimento, apresentam planos de uma linha completa de carros el√©tricos ‚Äď dos pequenos, de entrada at√© SUVs de v√°rios portes ‚Äď, alguns pa√≠ses estabelecem prazos para ‚Äúbanir‚ÄĚ ve√≠culos com motores a combust√£o, redes de abastecimento de recarga r√°pida e ultrarr√°pida vem sendo instaladas.

No entanto, existem muitos pontos, pouco esclarecidos, que precisam ser considerados. N√£o se trata aqui de torcer contra ou a favor, defender posi√ß√Ķes pessimistas, mas apenas uma boa dose de realidade. Deixemos de lado aspectos t√©cnicos negativos e conhecidos como autonomia, peso, volume e tempo de recarga das baterias, rede de reciclagem ap√≥s oito anos e valor de revenda. Custos de manuten√ß√£o s√£o baixos, um carro el√©trico √© f√°cil de projetar e construir, resolve o problema de emiss√Ķes locais, mas n√£o totalmente do CO2 e do efeito estufa, pois depende da fonte de gera√ß√£o de energia el√©trica.

Entre as d√ļvidas eletrizantes, com perd√£o do trocadilho, est√£o o real desejo do consumidor em migrar do ve√≠culo convencional para um alternativo. Autonomia m√≠nima ‚Äúgarantida‚ÄĚ entre 400 e 500 km √© uma das exig√™ncias. Recarga tamb√©m. SUVs pesados rec√©m-lan√ßados, com baterias poderosas de 100 kWh, se n√£o tiverem pontos de abastecimento ultrarr√°pidos por todos os lados, exigem tr√™s dias e meio em tomadas comuns de 110 V ou metade deste tempo com 220 V.

Preço é outro problema e talvez o mais sensível. Em recente pesquisa da McKinsey com consumidores da China, Alemanha e EUA, 60% responderam que não pagariam um valor extra por um automóvel elétrico. Neste grupo mais exigente, metade afirmou interesse apenas se os elétricos fossem mais baratos que os convencionais.

No site ingl√™s Confused.com, de seguros automobil√≠sticos, 59% dos pesquisados apontaram alto pre√ßo como fator mais desencorajador para op√ß√£o el√©trica. Mais de uma resposta era poss√≠vel: 61% reclamaram da demora para recarregar e 72%, da rede pequena de esta√ß√Ķes.

A pesquisa mais recente da J.D. Power com compradores de veículos na Alemanha, mostrou certa apatia em relação ao interesse por elétricos. De um modo geral, 74% dizem considerar no futuro a compra de um elétrico a bateria ou por pilha a hidrogênio, híbrido ou híbrido plugável. 26% dos alemães, 60% dos americanos e apenas 4% dos chineses (incluídos na pesquisa) descartam essa possibilidade à frente.

Entretanto, impressionou a empresa pesquisadora o fato de o n√ļmero de interessados ter parado de crescer na Alemanha, pa√≠s com forte vi√©s ambientalista e apesar de enorme publicidade espont√Ęnea em torno do assunto, que n√£o sai de evid√™ncia na m√≠dia e na cabe√ßa dos pol√≠ticos.

No final do relat√≥rio, destacou: ‚ÄúConsumidores c√©ticos n√£o compram tanto quanto aqueles que acreditam em um produto ou em sua proposta. Fabricantes t√™m um desafio ainda maior do que simplesmente construir os melhores ve√≠culos el√©tricos.‚ÄĚ

Conclus√£o √© que n√£o basta ter oferta abundante, se a procura permanece discreta ou hesitante. 

ALTA RODA

ANTONIO FILOSA, presidente da FCA para América Latina, confirmou que a picape média Ram1500, produzida nos EUA, chegará ao Brasil no fim do terceiro semestre deste ano. Empresa ainda não decidiu se será fabricada, mais adiante, aqui ou no México (de onde viria sem imposto de importação). Já o SUV italiano 500X depende da cotação do euro para definição de volumes.

GRANDE aposta da marca Fiat √© o novo SUV na f√°brica de Betim (MG) em 2021, enquanto a Jeep ter√° vers√£o de sete lugares do Compass, em Goiana (PE). Fiola confia na virada econ√īmica nos pr√≥ximos anos. ‚ÄúAcredito que o Governo Federal dever√° tirar a “bola de ferro” dos p√©s dos empres√°rios para aumentar a competividade. Nunca sairemos do Brasil‚ÄĚ, acrescentou Filosa.

FORTE queda das exporta√ß√Ķes para a Argentina (em geral responde por 70%) derrubou a produ√ß√£o no Brasil em 10%, quando comparados janeiro de 2019 e 2018. VW, por exemplo, n√£o enviou nenhum ve√≠culo para l√°, por mais de tr√™s meses. Anfavea admite que sua previs√£o negativa, para o mercado externo este ano, poder√° ser revista para n√ļmeros ainda menores.

MERCEDES-AMG A35 4M (306 cv; tra√ß√£o integral) chega em breve: apresentado em evento social em S√£o Paulo (SP). Britta Seeger, diretora mundial de vendas e marketing, confirmou que toda a linha da marca, inclusive h√≠bridos plug√°veis, estar√° dispon√≠vel aqui se houver demanda sustent√°vel. Est√£o previstos 20 lan√ßamentos no Brasil, este ano, entre novos e vers√Ķes.

LISTA das marcas automobil√≠sticas centen√°rias cresce este ano com Bentley e Citro√ęn. As demais: Alfa Romeo, Aston Martin, Audi, BMW, Buick, Cadillac, Chevrolet, Daihatsu, Dodge, Fiat, Ford, Lancia, Morgan, Mercedes-Benz, Mitsubishi, Opel, Peugeot, Renault, Rolls-Royce, Skoda e Vauxhall. Maserati tem 100 anos, mas produz autos h√° 80. Algumas pararam por per√≠odos (Aston Martin, Audi, Bentley e Morgan).

Contato do autor: fernando@nullcalmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2

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