Coluna Fernando Calmon – APOSTA OTIMISTA

Postado em: 10, janeiro 2019 por Fernando Calmon

As vendas de ve√≠culos no mercado brasileiro foram maiores do que todas as previs√Ķes feitas ao longo de 2018. Os dados revelados pelo Renavam (Registro Nacional de Ve√≠culos Automotores), logo no primeiro dia √ļtil do ano, indicam isso. No entanto, os percentuais de crescimento de um ano contra o outro s√£o mal explicados.

Isso acontece porque ve√≠culos comerciais pesados muitas vezes ficam fora das estat√≠sticas. Assim, podem ser divulgados tr√™s n√ļmeros que acabam por causar certa confus√£o. Em 2018 sobre 2017, o com√©rcio de autom√≥veis e ve√≠culos comerciais leves (picapes e furg√Ķes) cresceu 13,7%, de 2,17 milh√Ķes para 2,47 milh√Ķes de unidades; ve√≠culos pesados (caminh√Ķes e √īnibus), de 67 mil para 96 mil unidades (mais 42%). Assim, no total, venderam-se 2.566.235 unidades, crescimento de 14,6% sobre 2017.

O ano passado foi impactado por tr√™s eventos perturbadores de fluxo normal de vendas: greve dos caminhoneiros, Copa do Mundo de Futebol e as incertezas de elei√ß√Ķes gerais, al√©m do grande n√ļmero de feriados. Fenabrave fez quatro previs√Ķes de vendas e a Anfavea, tr√™s. Nenhuma das entidades acertou, embora a Anfavea (em outubro √ļltimo), tenha antevisto 13,7%. Em janeiro de 2018, essa coluna previu 14,1% e, assim, chegou perto.

Ainda estamos longe do recorde de 2012 (3,802 milh√Ķes de unidades). Mas tudo indica que o mercado continuar√° a se recuperar este ano, principalmente em raz√£o de reformas econ√īmicas do novo Governo Federal. Uma boa not√≠cia, no final do governo anterior, foi a redu√ß√£o do seguro obrigat√≥rio de responsabilidade civil para simb√≥licos R$ 12,00, no caso de autom√≥veis, a partir de 2019. A Seguradora L√≠der at√© sugeriu um aumento das indeniza√ß√Ķes, em vez da redu√ß√£o do pre√ßo do seguro, por√©m trata-se de iniciativa tardia. Houve abusos e descontroles desde sua cria√ß√£o em 2007.

H√° outros aspectos positivos a considerar. A base comparativa continua baixa, ap√≥s uma redu√ß√£o em torno de 50% no auge da depress√£o, e a frota circulante precisa de renova√ß√£o. Um indicativo do aumento da procura sustent√°vel por carros novos √© a estagna√ß√£o na comercializa√ß√£o de ve√≠culos usados. Segundo a Fenauto, a federa√ß√£o nacional das associa√ß√Ķes de comerciantes independentes, houve aumento de apenas 0,4% em 2018 sobre 2017 no volume de vendas de carros usados. Nos anos anteriores recentes era regra um crescimento em torno de dois d√≠gitos.

Qual, ent√£o, seria uma boa previs√£o para o crescimento do mercado de ve√≠culos novos em 2019? Segundo S√©rgio Vale, da MB Associados, que assessora a Fenabrave (federa√ß√£o nacional das associa√ß√Ķes de concession√°rias), ‚Äúno momento ficamos com 11%, por√©m se iniciativas econ√īmicas importantes forem implantadas pode se alcan√ßar mais de 13%.‚ÄĚ

Anfavea, por sua vez, antev√™ que as vendas totais devem crescer 11,4% sobre 2018, atingindo 2,86 milh√Ķes de unidades. Expans√£o da produ√ß√£o seria de 9% para 3,14 milh√Ķes de unidades, enquanto as exporta√ß√Ķes cairiam tanto em volume (590 mil unidades ou 6,2% menos) quanto em valores (US$ 13,9 bilh√Ķes ou 3,9% menos).

Esta coluna é mais otimista. Em ano difícil de prever, sem saber a profundidade das reformas, ainda assim aposta em 13,8%.

Contatos do autor: fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2

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