Coluna Fernando Calmon – O CARRO E O JOVEM

Postado em: 30, novembro 2018 por Eduardo Motoca

Uma vertente entre analistas de mercado vem, nos √ļltimos tempos, colocando em xeque o desejo natural e verdadeiro de utilizar o autom√≥vel como meio de locomo√ß√£o tanto em cidades quanto para viajar. H√° quem ‚Äúdecrete‚ÄĚ que este meio de deslocamento j√° iniciou o seu decl√≠nio e, dentro de uma a duas d√©cadas, j√° n√£o atrair√° em nada os mais jovens. Apesar de nem no exterior existir consenso, isso tem sido comentado tamb√©m no Brasil depois que estat√≠sticas apontaram uma queda na emiss√£o de novas carteiras de habilita√ß√£o.

Entretanto, h√° muito ‚Äúachismo‚ÄĚ sobre esse tema. Uma empresa de pesquisa presencial, a Spry, partiu para entender a fundo esse assunto por meio de um trabalho denominado Mobilidade atrav√©s das gera√ß√Ķes. Foram 1.798 entrevistas em 11 capitais brasileiras. P√ļblico-alvo dividido, seguindo crit√©rio de idade, em quatro gera√ß√Ķes: BM (Baby Boomers), 56 anos ou mais, e as gera√ß√Ķes X (36 a 55 anos), Y (26 a 35 anos) e Z (25 anos ou menos).

A pesquisa √© longa e inclui diversas formas de as pessoas se deslocarem dentro das cidades: a p√©, de bicicleta, carro particular, moto particular, t√°xi/aplicativo, √īnibus e metr√ī/trem. Perfil dos entrevistados seguiu, em linhas gerais, a segmenta√ß√£o de g√™nero, escolaridade e renda das estat√≠sticas do IBGE. Mas 60% dos participantes n√£o possu√≠am carro.

Vantagens de cada meio de transporte est√£o relacionadas ao estilo de vida e ambiente nos quais est√£o inseridos os entrevistados. N√£o existe consenso sobre como ser√° o futuro do autom√≥vel, independentemente das gera√ß√Ķes. As quatro (BM, X, Y e Z) somente concordam em um ponto: ele n√£o se tornar√° um bem esquecido (apenas 3% citaram essa resposta).

Em entrevista exclusiva √† Coluna, o diretor da Spry Pedro Facchini ressaltou que o autom√≥vel representar√° 66% das prefer√™ncias de deslocamento dos brasileiros no futuro por meio de posse ou compartilhamento (diferentes aplicativos, inclusive de caronas, e at√© taxis). Outras conclus√Ķes:

‚ÄúS√≥ 5% das pessoas responderam que por motivos ambientais deixariam hoje de adquirir um ve√≠culo; a maioria parou de comprar carros apenas pelos custos envolvidos e a queda de renda; um dos maiores empecilhos para a gera√ß√£o Z tem sido o processo de habilita√ß√£o, bem mais longo e caro do que costumava ser h√° 30 ou 40 anos. Isso vem obrigando os mais jovens a adiar a obten√ß√£o da CNH. Quando conseguem a carteira, ainda t√™m a op√ß√£o de apelar para os carros dos pais ou familiares‚ÄĚ, explica.

A pesquisa apontou claramente: 90% da gera√ß√£o Z pretende se habilitar e adquirir um autom√≥vel √† semelhan√ßa das tr√™s gera√ß√Ķes mais velhas. Por√©m, de certo, ser√° pela praticidade e conforto ao se deslocar. N√£o citam tanto entre os motivos o status como ocorria, muitas vezes, 50 anos atr√°s.

De fato, o processo de intera√ß√£o entre o jovem e o autom√≥vel tem enfrentado alguma lentid√£o, menos por falta de interesse e mais em raz√£o de limita√ß√Ķes financeiras. Bem ao contr√°rio do que se costuma apregoar que a juventude est√° ‚Äúdesligada‚ÄĚ do autom√≥vel. Nada como uma boa pesquisa para apontar falsas verdades hoje cristalizadas. 

ALTA RODA

HYUNDAI E CAOA chegar√£o a um acordo at√© o final deste ano nas opera√ß√Ķes de importa√ß√£o. N√£o ser√£o contratos renov√°veis a cada dois anos, como querem os sul-coreanos, nem por 10 anos como exige o grupo brasileiro. Algo como tr√™s ou quatro anos √© o mais prov√°vel. Hyundai pretende construir f√°brica de motores e c√Ęmbios na Argentina para intercambiar com o Brasil.

SEDÃS estão mesmo em queda livre nos EUA. Depois da Ford, GM anunciou a descontinuação de vários modelos, inclusive do Cruze, na América do Norte. A empresa decidiu cortar investimentos em motores convencionais e até híbridos, focando em elétricos, o que envolve riscos que, ela julga, calculados. Na América do Sul, Cruze e outros continuam nos planos.

APESAR de continuar sob suspeita e tamb√©m ter sido demitido, no in√≠cio da semana, do cargo de executivo da Mitsubishi (Nissan tem participa√ß√£o controladora nesta marca e n√£o na Alian√ßa com a Renault) o franco-brasileiro Carlos Ghosn ainda n√£o p√īde dar sua vers√£o p√ļblica dos fatos. Ag√™ncia japonesa NHK, sem revelar fontes, informou que ele negou acusa√ß√Ķes da promotoria.

POR R$ 198.500 a d√©cima gera√ß√£o do Honda Accord chegou ao Brasil. Novo motor 4-cilindros turbo de 256 cv substitui o V-6 e permitiu encurtar o comprimento e at√© ampliar o espa√ßo interno (entre-eixos ganhou expressivos 5,5 cm). √Č o primeiro sed√£ tra√ß√£o-dianteira do mundo com c√Ęmbio autom√°tico de 10 marchas: a 100 km/h o motor sussurra a apenas 1.500 rpm.

VW VIRTUS eleito Carro do Ano 2019 pela revista Autoesporte. Premium: Volvo XC40 (R$ 100.000 a R$ 200.000); Superpremium: Ford Mustang (acima de R$ 200.000); Motor, abaixo de 2 litros: Mercedes C200 EQ Boost; Motor, acima de 2 litros: Ford Mustang; Marca digital: Renault; Marca verde: BMW; Executivo: Carlos A. O. Andrade. Pr√™mios UOL Carros 2018 foram para Toyota Yaris, Citro√ęn Cactus, VW Tiguan, Ford Mustang, Volvo XC40 e VW Amarok.

Contatos do autor: fernando@nullcalmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2

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