Coluna Fernando Calmon – NO RUMO CERTO

Postado em: 22, novembro 2018 por Fernando Calmon

Pode parecer exagero, mas n√£o √©. O programa Rota 2030, depois de quase 20 meses de estudos, propostas e aprova√ß√£o no Congresso Nacional, torna-se o acontecimento mais importante desde que a ind√ļstria automobil√≠stica foi regulamentada, em 1956.

Antes de tudo, torna-se necess√°rio frisar que se trata de um programa estruturante, sem nenhum benef√≠cio fiscal √† venda de ve√≠culos. Outro vi√©s importante √© se estender por tr√™s per√≠odos de cinco anos ‚Äď portanto, at√© 2032 ‚Äď e dessa forma estabelecer previsibilidade, algo que faz muita falta em projetos econ√īmicos no Brasil. Isso sem contar um n√≠vel razo√°vel de seguran√ßa jur√≠dica, aparentemente garantido em lei.

O aspecto destacado, por quem tem dificuldade de entender o programa, √© um incentivo de 12% do montante investido em pesquisa e desenvolvimento no Brasil, para ser compensado no pagamento de imposto de renda das fabricantes. Cada uma opta se vai aderir, mas o prazo longo confere mais oportunidades √†s empresas em diferentes est√°gios de engenharia pr√≥pria no Pa√≠s. Inten√ß√£o √© atrair parte dos investimentos hoje feitos no exterior ou que migrariam para fora sem a menor cerim√īnia.

Muito mais importante no Rota 2030 são os principais compromissos: eficiência energética (11% de economia de combustível compulsória nos primeiros cinco anos, além de novas metas nos dois quinquênios seguintes) e avanços firmes em segurança veicular com prazos compatíveis ao aumento da escala de produção para limitar o repasse de custos ao preço final dos veículos. Manteve-se o incentivo extra de até dois pontos percentuais no IPI para as marcas que superarem a meta de consumo, na média dos modelos à venda, um desafio e tanto.

Estimular√°, ainda, disp√™ndios estrat√©gicos em manufatura b√°sica e avan√ßada, conectividade, solu√ß√Ķes de mobilidade e log√≠stica, novas tecnologias de propuls√£o (ve√≠culos h√≠bridos ou el√©tricos), dire√ß√£o aut√īnoma, nanotecnologia, intelig√™ncia artificial, pesquisa big data, sistemas anal√≠ticos e preditivos, sem deixar de lado a capacita√ß√£o de fornecedores e de produtores de autope√ßas.

Uma semana ap√≥s o presidente Michel Temer ter sancionado a lei, o Contran concordou em harmonizar par√Ęmetros e prazos de introdu√ß√£o dos itens avan√ßados de seguran√ßa veicular previstos no Rota 2030. Os novos padr√Ķes de emiss√Ķes veiculares para ve√≠culos leves e pesados tamb√©m caminham para converg√™ncia e alinhamento sem surpresas de √ļltima hora.

Por fim, talvez no embalo das boas not√≠cias sobre o futuro do setor, o governo do Estado de S√£o Paulo anunciou, ainda no per√≠odo do Sal√£o do Autom√≥vel, que vai devolver os cr√©ditos de ICMS gerados pela exporta√ß√£o de ve√≠culos. Outros pa√≠ses desoneram impostos locais sobre produtos vendidos ao exterior por raz√Ķes √≥bvias de competitividade. H√° um grande ac√ļmulo desses cr√©ditos. Agora poder√£o ser repassados √† ind√ļstria paulista de ferramentaria, no momento em baixa. Ela √© importante por agregar valor e pagar sal√°rios mais altos que a m√©dia do setor.

O programa Rota 2030, em período de recuperação sustentável do mercado de veículos, traz mais confiança sobre o aguardado cenário de dias melhores para o País.

ALTA RODA

DIF√ćCIL prever o destino da alian√ßa Renault-Nissan depois da pris√£o preventiva, no Jap√£o, do principal executivo, Carlos Ghosn. Fus√£o vinha sendo penosamente costurada por ele, mas o governo franc√™s sempre criou obst√°culos de vi√©s nacionalista. Entre hip√≥teses, est√° a Nissan usar sua condi√ß√£o financeira superior, comprar o controle da Renault e liderar o grupo.

APRESENTADO h√° mais de um ano, Audi A8, primeiro carro anunciado no n√≠vel 3 de automa√ß√£o, ainda demora para chegar ao mercado. Segundo o engenheiro brasileiro Thomas Mueller, diretor de Dire√ß√£o Aut√īnoma na matriz da empresa, o processo de homologa√ß√£o √© longo (20 carros, cada um rodando 10.000 km) e em apenas algumas estradas alem√£s. Pre√ßo dessa op√ß√£o, ainda por definir.

PICAPE Mercedes-Benz Classe X (base Nissan Frontier) ser√° comercializada, antecipa a Coluna, nas duas redes da marca alem√£: a de autom√≥veis (55 concession√°rias) e de ve√≠culos comerciais (155). Apesar de estar √† venda na Europa, √Āfrica do Sul e Austr√°lia, aus√™ncia no Sal√£o do Autom√≥vel de S√£o Paulo se deu porque o lan√ßamento aqui s√≥ ocorrer√° no in√≠cio do quarto trimestre de 2019.

OUTRA picape m√©dia, a Alaskan, apareceu discretamente no sal√£o paulistano. Renault ainda estuda como ocorrer√° seu posicionamento no mercado brasileiro. Sua base √© a mesma da Frontier e a Nissan, recentemente, ampliou as op√ß√Ķes dentro da gama, inclusive com uma vers√£o mais barata. Por isso, a marca francesa est√° cautelosa quanto √† sua precifica√ß√£o.

LAN√áADO em 19 de novembro de 1968, Chevrolet Opala acaba de completar 50 anos. Quase um milh√£o de unidades produzidas at√© 1992. No mesmo ano houve duas outras apresenta√ß√Ķes hist√≥ricas: Ford Corcel (setembro) e VW 1600 4 Portas (dezembro). Do primeiro, sa√≠ram das linhas de montagem 1,4 milh√£o de unidades; do segundo, pouco menos de 25.000.

Contatos do autor: fernando@nullcalmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2

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