Coluna Alta Roda – DA TEORIA √Ä PR√ĀTICA

Postado em: 7, setembro 2018 por Fernando Calmon

Agosto n√£o costuma ser m√™s de desgosto em termos de vendas de ve√≠culos, entre outras raz√Ķes por ter maior n√ļmero de dias √ļteis. Julho e dezembro s√£o os outros historicamente bons. Mas o comportamento do mercado superou o esperado. No acumulado dos oito primeiros meses, em rela√ß√£o ao mesmo per√≠odo de 2017, o crescimento chegou a quase 15%. Especificamente no segmento de autom√≥veis e comerciais leves, que representam 94% do total, o salto foi de 14,1%. O resultado geral, inclu√≠dos caminh√Ķes e √īnibus, foi o melhor desde janeiro de 2015.

Os pr√≥ximos meses, no entanto, ter√£o de ser comparados com 2017, quando houve forte recupera√ß√£o sobre o ano desastroso de 2016. √Č poss√≠vel, portanto, que o crescimento anual do mercado n√£o alcance 14%, por√©m poder√° chegar bem perto disso. Em um ano marcado pela longa greve de 11 dias no transporte rodovi√°rio e as incertezas do jogo pol√≠tico das elei√ß√Ķes, que cortaram as expectativas de crescimento econ√īmico, pode-se antever que a ind√ļstria automobil√≠stica, sozinha, ser√° respons√°vel por cerca de metade da eleva√ß√£o do PIB em 2018 estimada em 1,5%.

As aten√ß√Ķes j√° se voltam para o pr√≥ximo ano. Sem saber quem de fato vai vencer a corrida presidencial, o perfil do novo Congresso e os rumos da economia brasileira, √© dif√≠cil estimar como as vendas de ve√≠culos se comportar√£o. Na semana passada, Automotive Business organizou o Workshop Planejamento Automotivo 2019, em S√£o Paulo (SP). Embora um novo crescimento porcentual de dois d√≠gitos no mercado de ve√≠culos pare√ßa praticamente certo, poucos ainda verbalizam essa previs√£o.

No entanto, Flavio Del Soldato, do Sindipe√ßas espera que em 2023 a produ√ß√£o da ind√ļstria automobil√≠stica (mercados interno e externo) atingir√° 3,7 milh√Ķes de ve√≠culos, ou seja, o mesmo volume de 2013. Como esta coluna j√° havia comentado, o quarto ciclo de depress√£o em mais de meio s√©culo do setor se encerraria em uma d√©cada. O que se espera depois √© um processo de acelera√ß√£o, em ritmo autossustent√°vel, em torno de 5% ao ano.

Em curto prazo, produtos demandados pelos compradores continuar√£o a sofrer muta√ß√Ķes. Pablo Di Si, presidente da Volkswagen, estima que 27% das vendas, j√° em 2020, ser√£o de SUVs contra 22% atualmente. Embora ele n√£o tenha comentado, nesse percentual est√£o inclu√≠dos os ‚Äúaventureiros‚ÄĚ, segmento tamb√©m conhecido como pseudoSUV. Di Si limitou-se a confirmar que ter√° cinco destes modelos at√© 2020/2021. Esperam-se, na ordem: os nacionais T-Cross e T-Track (nome em estudo), o argentino Tarek e dois americanos que seriam a nova gera√ß√£o do Atlas e seu derivado Cross Sport de perfil mais baixo.

Outro palestrante, Regis Nieto, da consultoria BCG, afirmou que as grandes mudan√ßas em curso no exterior tamb√©m se aplicam aqui com as devidas adapta√ß√Ķes. Segundo ele, n√£o se deve esperar que todas as decis√Ķes venham somente das matrizes. O consumidor demandar√° novos servi√ßos de mobilidade e quem oferecer as solu√ß√Ķes certas obter√° grandes resultados.

Talvez Nieto esteja certo. Mas com tantos desafios simult√Ęneos e dependentes do Pa√≠s entrar nos eixos, passar da teoria √† pr√°tica n√£o ser√° nada f√°cil.

ALTA RODA

MEDI√á√ēES de consumo e emiss√Ķes em laborat√≥rio devem ser referenciadas no uso em ruas e estradas, a partir deste m√™s na Uni√£o Europeia. Processo homologat√≥rio longo, por√©m necess√°rio. Antigo padr√£o NEDC, de 1991, agora √© WLTP. Para se ter ideia, um carro el√©trico com 560 km de autonomia (NEDC), registra 420 km no WLTP e apenas 385 km no EPA, m√©todo usado nos EUA e no Brasil.

FORMA de dirigir ainda √© o melhor aliado para economizar combust√≠vel. Muitas vezes mudan√ßas de h√°bitos trazem resultados surpreendentes. Renault diz que mesmo em modelos econ√īmicos, como o Kwid, √© poss√≠vel obter redu√ß√£o de at√© 20% no consumo. Pode ser checado em relat√≥rios na central multim√≠dia por meio dos programas Eco Scoring e Eco Coaching.

KA SED√É melhorou bastante em termos de dirigibilidade gra√ßas a refor√ßos estruturais e suspens√£o revista. Recebe agora o motor de 1,5 L, tr√™s-cilindros e 136 cv, o melhor do mercado entre os de aspira√ß√£o natural. Forma um conjunto eficiente com c√Ęmbio autom√°tico de seis marchas. Outro acerto: duas entradas USB (iluminadas) de alta intensidade (2,5 A) e nicho para celular. Regulagem el√©trica dos espelhos √© inc√īmoda.

CAOA CHERY confirmou cronograma para tr√™s produtos novos. O sed√£ Arrizo 5, a ser produzido em Jacare√≠ (SP), estar√° √† venda no final de outubro com dimens√Ķes semelhantes √†s do VW Virtus. Dois novos SUVs ser√£o fabricados em An√°polis (GO), dividindo a mesma arquitetura. Tiggo 4 chega √†s lojas em dezembro e o Tiggo 7, em janeiro de 2019.

BORGWARNER acredita que sistemas de 48 V permitir√£o grandes avan√ßos em hibridiza√ß√£o e motores a combust√£o bem mais econ√īmicos. Empresa trabalha com proje√ß√Ķes da consultoria IHS, menos otimistas que os governos. Em 2028, 35% a 40% de ve√≠culos leves novos, no mundo, seriam h√≠bridos e apenas 6%, el√©tricos. Assim, deve-se pensar mais e delirar menos.

Contatos do autor: fernando@nullcalmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2

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