Coluna do Fernando Calmon – FASC√ćNIO DA MOBILIDADE

Postado em: 9, agosto 2018 por Fernando Calmon

Discutir o futuro nunca foi t√£o fascinante como nos tempos atuais. E a ind√ļstria automobil√≠stica faz parte ao ter sob sua responsabilidade produzir os meios de mobilidade terrestre. Tudo passa por longas discuss√Ķes e apostas cautelosas ou at√© radicais. O 26¬ļ Simp√≥sio Internacional de Engenharia Automotiva (Simea), organizado pela Associa√ß√£o Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), semana passada em S√£o Paulo, destacou muitas facetas e solu√ß√Ķes.

Sobre carro el√©trico, espera-se um grande fosso entre o que pode acontecer no Hemisf√©rio Norte e no Hemisf√©rio Sul. O Brasil e pa√≠ses de renda m√©dia e baixa ter√£o enormes dificuldades para avan√ßar. Aqui, a frota de el√©tricos a bateria √© estimada em cerca de 300 unidades. Em 2016, a China emplacou 350.000 el√©tricos e h√≠bridos ou 1,4% das vendas totais de 25 milh√Ķes de unidades. J√° na Noruega os 25.000 el√©tricos e h√≠bridos comercializados representaram 25% do total. Na Alemanha, Fran√ßa e Jap√£o os alternativos atingiram 1% das vendas. Portanto, n√£o existe ainda cen√°rio claro. Mesmo pa√≠ses ricos dever√£o eletrificar-se em ritmo heterog√™neo.

No entanto, motores a combust√£o interna ainda receber√£o v√°rias melhorias em especial com ajuda de assist√™ncia el√©trica. E tamb√©m poder√£o atuar apenas como gerador para carregar baterias mais baratas e aumentar a autonomia. O potencial dessas aplica√ß√Ķes mistas √© bem razo√°vel, sem contar novos ciclos de combust√£o (Mazda) ou motores com taxa de compress√£o vari√°vel (Nissan).

Luciano Driemeier, da Ford, chamou a aten√ß√£o para o caminho dos ve√≠culos aut√īnomos. Ao mesmo tempo em que as pessoas se estressar√£o menos e usar√£o melhor o seu tempo em deslocamentos, em pa√≠ses como o nosso as preocupa√ß√Ķes decorrentes da viol√™ncia urbana devem ser levadas em conta. Tamb√©m fazem parte das incertezas as mudan√ßas de legisla√ß√£o e os dilemas √©ticos em caso de acidentes (matar ou morrer?). Por√©m, a tecnologia avan√ßar√° tanto que, tudo indica, nunca se chegaria a uma situa√ß√£o na qual a colis√£o √© a √ļnica op√ß√£o. Em teoria, poss√≠vel.

O engenheiro admite que custos muito altos ainda precisam baixar, sem contar investimentos em infraestrutura e os de intera√ß√£o total ve√≠culo-ve√≠culo, al√©m destes com as vias. Deu exemplo do Lidar, esp√©cie de radar que usa raios laser para detec√ß√£o e dist√Ęncia com alt√≠ssima precis√£o. No in√≠cio custava US$ 70.000. Em 2016 j√° havia abaixado para US$ 250 e pode chegar a apenas US$ 90, al√©m da r√°pida miniaturiza√ß√£o.

Especificamente sobre carros aut√īnomos no Brasil, ele tra√ßa um primeiro cen√°rio otimista de cinco anos para as primeiras aplica√ß√Ķes pr√°ticas. Mas n√£o descarta que esse prazo se estenda por at√© 20 anos. ‚ÄúAs pessoas est√£o abertas para a ideia de possuir um produto aut√īnomo. Aqui at√© acima da m√©dia mundial, √† frente de pa√≠ses que receber√£o a tecnologia primeiro‚ÄĚ, acrescentou.

Na opini√£o desta Coluna, s√≥ ap√≥s se saber o pre√ßo efetivo do ‚Äúcarro √† prova de acidente‚ÄĚ, algo ainda meio escondido pela ind√ļstria, poderiam-se fazer previs√Ķes mais acuradas de aceita√ß√£o no mercado.

Leimar Mafort, da Bosch, acredita na alta redund√Ęncia de sistemas e assim se conseguiriam evitar falhas. Desastres envolvendo ve√≠culos que dispensam o motorista tenderiam a zero.

ALTA RODA  

VENDAS no mercado interno voltaram, no m√™s passado, ao mesmo bom ritmo de antes da greve dos caminhoneiros: em torno de 10.000 unidades/dia. No acumulado do ano est√£o 15% superiores a 2017. Estoque total em julho diminuiu para 34 dias contra 36 em junho. Forte queda de exporta√ß√Ķes para Argentina e M√©xico fez produ√ß√£o recuar 4% no m√™s, mas se mant√©m 13% acima no ano.

ANFAVEA espera resultados bons este m√™s na comercializa√ß√£o interna. Mas como o segundo semestre do ano passado foi de recupera√ß√£o muito forte, trar√° efeitos estat√≠sticos nos n√ļmeros comparativos de 2018. A entidade mant√©m sua previs√£o do in√≠cio do ano de crescer 11,7% para 2,5 milh√Ķes de unidades. Recorde anual √© de 2012: 3,8 milh√Ķes de ve√≠culos.

GOLF GTI √© caro, mas deixa o motorista apreciador do prazer de dirigir realmente sem palavras. Muito dif√≠cil achar pontos fracos, apesar de puristas preferirem o inexistente, no Brasil, c√Ęmbio manual. Conjunto transborda alto desempenho e sensa√ß√Ķes sonoras e de solidez, sem deixar de lado conforto e itens de seguran√ßa. Pena que hatches m√©dios, como este, estejam em decl√≠nio.

FALECIMENTO aos 66 anos de Sergio Marchionne, presidente da FCA, n√£o foi o primeiro de um alto executivo da ind√ļstria automobil√≠stica em atua√ß√£o. Heinrich Nordhoff, que construiu a Volkswagen a partir de ru√≠nas da II Guerra Mundial, comandou a empresa de 1948 a 1968. Faleceu pouco meses antes de se aposentar, com sucessor j√° escolhido, aos 69 anos.

PROJETO em tramita√ß√£o no Congresso Nacional cria carteira de habilita√ß√£o espec√≠fica para quem utiliza apenas ve√≠culos com c√Ęmbio autom√°tico. O interessado n√£o poderia dirigir com c√Ęmbio manual. H√° temor de formar maus motoristas, por√©m isso depende mais de bom treinamento e disciplina. Observar regras de tr√Ęnsito independe do tipo de c√Ęmbio usado.

Contatos do autor: fernando@nullcalmon.jor.br / www.twitter.com/fernandocalmo e www.facebook.com/fernando.calmon2

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