Coluna Mec√Ęnica Online¬ģ | O que vai acontecer com o carro que foi para o espa√ßo?

Postado em: 10, fevereiro 2018 por Tarcisio Dias

Carro parado, preju√≠zo dobrado. Essa frase √© facilmente aplic√°vel para qualquer ve√≠culo em nosso planeta, mas o que vai acontecer com o carro que foi lan√ßado ao espa√ßo no √ļltimo dia 06 de fevereiro?

O carro pertencia ao empreendedor espacial, Elon Musk, que também dirige a Tesla Motors, e tinha em seu acervo o modelo da primeira geração do Tesla Roadster que ele usava para circular por Los Angeles.

Ele desejava o envio de uma carga teste no voo de demonstração do Falcon Heavy. O carro e o foguete foram ambos produzidos por empresas fundadas e dirigidas por Musk: o carro foi produzido pela Tesla Motors enquanto o foguete foi produzido pela SpaceX. O Roadster do Musk é o primeiro carro de consumo lançado ao espaço.

Dentre os objetivos do lan√ßamento, a velocidade de sa√≠da da Terra foi suficiente para o Falcon Heavy entrar numa √≥rbita el√≠ptica helioc√™ntrica ao redor do Sol que cruza a √≥rbita de Marte, alcan√ßando uma dist√Ęncia de 1.70 UA do Sol.

O automóvel foi instalado numa posição inclinada acima do adaptador de carga com o objetivo de melhorar a distribuição de massa.

O esportivo Tesla Roadster já em sua primeira geração foi oferecido completamente elétrico. No período de fevereiro de 2008 a dezembro de 2015 foram vendidos aproximadamente 2.450 unidades em todo o mundo.

Dentro do pr√≥prio carro foram inclu√≠dos objetos engra√ßados como o boneco “Starman” (homem das estrelas) que est√° vestindo um traje espacial da SpaceX e sentado no banco do motorista, com a m√£o direita no volante e o bra√ßo esquerdo recostado √† porta.

O nome do boneco remete √† m√ļsica do compositor David Bowie. O som do carro estava tocando repetidamente a m√ļsica Space Oddity, tamb√©m do Bowie, durante a decolagem, depois nada mais de som, pois o som n√£o se propague no v√°cuo.

Tamb√©m foi, literalmente para o espa√ßo, uma c√≥pia do livro “O Guia do Mochileiro das Gal√°xias” no porta-luvas, cl√°ssico da fic√ß√£o cient√≠fica espacial de Douglas Adams, al√©m de toalha e uma mensagem no painel de controle escrito “Don’t Panic” (n√£o entre em p√Ęnico), ambos refer√™ncias ao livro.

Outros objetos incluem uma miniatura do pr√≥prio Roadster, da Hot Wheels, uma miniatura do Starman, uma placa com os nomes dos funcion√°rios empregados no projeto, a mensagem “Feita na Terra por humanos” gravada na placa de circuitos do carro, e uma c√≥pia da s√©rie Funda√ß√£o, de Isaac Asimov, um cl√°ssico tamb√©m da literatura, armazenado em um disco de quartzo √≥ptico √† laser, feito a pedido da Arch Mission Foundation.

Nas horas seguintes ao lan√ßamento do Falcon Heavy, c√Ęmeras instaladas no carro transmitiram sua viagem al√©m da √≥rbita da Terra ao vivo via Youtube, pelo canal da SpaceX. Era esperada uma dura√ß√£o de 12 horas de transmiss√£o at√© que as baterias esgotassem, no entanto a transmiss√£o durou apenas 4 horas.

O carro foi inicialmente colocado numa √≥rbita de estacionamento ao redor da Terra, ainda preso ao segundo est√°gio do Falcon Heavy. Depois de um voo maior que o comum durando 6 horas pelo Cintur√£o de Van Allen, o segundo est√°gio fez uma nova igni√ß√£o para uma trajet√≥ria de sa√≠da. O carro tinha tr√™s c√Ęmeras, que proviram “vis√Ķes √©picas”.

Seguindo o lan√ßamento bem sucedido, a carga foi dada com a descri√ß√£o de “Tesla Roadster/Falcon SH”.

O carro, a bordo do foguete, entrou numa órbita elíptica ao redor do Sol que vai além da órbita de Marte, tão longe quanto o cinturão de asteróides, mas não vai voar por Marte ou entrar em órbita ao seu redor.

Mesmo se o lançamento mirasse numa órbita de transferência marciana, nem o carro ou o estágio superior do Falcon Heavy foram projetados para funcionar em espaço profundo, faltando propulsão, manobra, potência e capacidade de comunicação requirida para operar no espaço interplanetário ou para entrar na órbita de Marte.

A proposta de lançar o Roadster em órbita heliocêntrica é para mostrar que o Falcon Heavy pode lançar cargas que alcancem Marte.

Agora, vamos ao futuro. E o que vai acontecer com esse carro pelo espaço? De acordo com Musk, o carro deve voar pelo espaço por um bilhão de anos.

“N√£o estou t√£o preocupado com o v√°cuo”, disse William Carroll, qu√≠mico da Universidade de Indiana e especialista em pl√°sticos e mol√©culas org√Ęnicas.

As for√ßas reais que ir√£o rasgar o carro ao longo de centenas de milh√Ķes de anos no espa√ßo, disse Carroll, s√£o objetos s√≥lidos e, o mais importante, a radia√ß√£o.

Mesmo que o carro evite colis√Ķes importantes, em horizontes muito longos, √© improv√°vel que o ve√≠culo possa evitar o tipo de colis√Ķes com micrometeoritos que deixam crateras ao longo do tempo, disse Carroll.

Mas, supondo que essas colis√Ķes n√£o separem completamente o carro, a radia√ß√£o ir√°.

Na Terra, um campo magn√©tico poderoso e a atmosfera protegem em grande parte os seres humanos (e o pr√≥prio Tesla Roadsters) da radia√ß√£o √°spera do sol e dos raios c√≥smicos. Mas objetos espaciais n√£o possuem tais prote√ß√Ķes.

Organicos, neste caso, não significa os pedaços do carro que, obviamente, saiu de animais, como seus couros e tecidos. Em vez disso, inclui todos os plásticos no sport car e até mesmo o seu quadro de fibra de carbono.

“Esses materiais s√£o constitu√≠dos em grande parte por liga√ß√Ķes carbono-carbono e liga√ß√Ķes carbono-hidrog√™nio”, disse Carroll.

A energia da radiação estelar pode fazer com que esses vínculos se encaixem. E isso pode fazer com que o carro caia em pedaços de forma tão eficaz como se fosse atacado por uma faca.

“Quando voc√™ corta algo com uma faca, no final, voc√™ est√° cortando algumas liga√ß√Ķes qu√≠micas”, disse Carroll.

Uma faca corta essas liga√ß√Ķes em uma linha reta. Mas a radia√ß√£o ir√° dividi-los ao acaso.

E sob o forte brilho do sol n√£o protegido, Carroll disse que esse processo pode acontecer rapidamente.

Os materiais com menos liga√ß√Ķes que os mant√™m unidos se desintegrar√£o primeiro, disse Carroll. Qualquer coisa escondida atr√°s de um escudo inorg√Ęnico (sem liga√ß√Ķes de carbono) duraria mais, embora, eventualmente, mesmo o tecido de pl√°stico nos p√°ra-brisas de vidro do convers√≠vel v√£o descolorir e se separar. As pe√ßas robustas de fibra de carbono provavelmente seriam as √ļltimas a sair, disse ele, durante um per√≠odo de tempo muito mais longo.

Eventualmente, o Roadster provavelmente ser√° reduzido apenas √†s suas partes inorg√Ęnicas bem seguras: o quadro de alum√≠nio, os metais internos e quaisquer partes de vidro que n√£o se quebram sob impactos de meteoro. (A id√©ia de que o vidro derrete durante longos per√≠odos de tempo √© um mito, disse ele.)

Ao longo do tempo, é esperado que o Roadster sofrerá danos estruturais de forma constante por radiação solar, radiação cósmica e por impacto de micrometeoritos.

Material org√Ęnico, ou seja, qualquer material com liga√ß√£o de carbono, incluindo as partes de fibra de carbono, v√£o come√ßar a se quebrar devido o efeito da radia√ß√£o. Pneus, pintura e o couro devem durar cerca de um ano. As partes de fibra de carbono devem durar consideravelmente mais. Eventualmente, apenas a estrutura de alum√≠nio e o vidro n√£o quebrado por meteoritos sobrar√°.

Tarcisio Dias √© profissional e t√©cnico em Mec√Ęnica, al√©m de Engenheiro Mec√Ęnico com habilita√ß√£o em Mecatr√īnica e Radialista, desenvolve o site Mec√Ęnica Online¬ģ (www.mecanicaonline.com.br) que apresenta o √ļnico centro de treinamento online sobre mec√Ęnica na internet (www.cursosmecanicaonline.com.br), uma oportunidade para entender como as novas tecnologias s√£o √ļteis para os autom√≥veis cada vez mais eficientes.

Coluna Mec√Ęnica Online¬ģ – Aborda aspectos de manuten√ß√£o, tecnologias e inova√ß√Ķes mec√Ęnicas nos transportes em geral. Men√ß√£o honrosa na categoria internet do 7¬ļ Pr√™mio SAE Brasil de Jornalismo, promovido pela Sociedade de Engenheiros da Mobilidade.

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