Coluna Alta Roda РPREVALEÇA O BOM SENSO

Postado em: 9, fevereiro 2018 por Fernando Calmon

O programa Inovar-Auto vigorou entre 2012 e 2017. Teve um vi√©s protecionista e outro indutor de melhorias t√©cnicas para diminuir consumo de combust√≠veis. Mesmo tendo dificultado as importa√ß√Ķes de ve√≠culos, h√° considera√ß√Ķes a fazer.

Quando se planejou aquele regime, o mercado brasileiro havia passado a quarto maior do mundo e, assim, altamente atraente. O real t√£o valorizado em rela√ß√£o do d√≥lar quase anulava a ‚Äúprote√ß√£o‚ÄĚ de 35% do imposto de importa√ß√£o, al√≠quota m√°xima acordada na OMC (Organiza√ß√£o Mundial do Com√©rcio). Apesar de protestos justos dos importadores sem f√°bricas aqui, curiosamente apenas quase quatro anos depois houve iniciativas de alguns pa√≠ses de questionar o Inovar-Auto na OMC. Na pr√°tica, de pouco adiantou, pois o programa j√° chegava ao fim. Em outras palavras, a demora em reagir representou apenas vista grossa consentida.

Enquanto a burocracia interna também atrapalhava, sobraram como pontos positivos os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, além de um muito bem sucedido esforço induzido para reduzir o consumo de combustíveis de todos os veículos comercializados no País. Introduziu-se o conceito bem interessante de aumento de eficiência energética, medido em mjoules/km por modelo, que compatibilizou diferenças entre gasolina e etanol.

Os resultados foram muito bons. Na m√©dia entre 40 marcas comercializadas no Pa√≠s, o ganho no consumo m√©dio ponderado foi de 15,4%. Segundo c√°lculos do Minist√©rio da Ind√ļstria, Com√©rcio Exterior e Servi√ßos, os compradores de ve√≠culos leves passaram a economizar R$ 7 bilh√Ķes por ano em combust√≠veis e evitaram emitir 1 milh√£o de toneladas por ano de g√°s carb√īnico (CO2).

Houve também estímulo fiscal: redução de 1 ponto percentual do IPI (até 2022) para os fabricantes que chegassem a até 18,8% de economia. Sete alcançaram a meta-desafio: Audi, Honda, PSA, Mercedes-Benz, Renault, Toyota e VW. Duas, Chevrolet e Ford, superaram os 18,8% e ganharam 2 pontos percentuais de IPI.

A General Motors informou √† Coluna que, na m√©dia, os carros de todas as marcas produzidos no Brasil evolu√≠ram, em cinco anos, mais do que nos √ļltimos 20 anos quanto √† economia de combust√≠vel. No caso espec√≠fico do Onix, modelo mais vendido no Pa√≠s, a evolu√ß√£o em cinco anos foi de quase o dobro em rela√ß√£o ao seu antecessor, o Corsa, produzido de 1994 a 2016 (23 anos).

Esse cen√°rio deveria servir de base ao Rota 2030, novo programa esperado para o final de fevereiro. A ind√ļstria automobil√≠stica representa em torno de 4% do PIB brasileiro e recolhe 10% de todos os impostos. S√≥ este dado representa uma distor√ß√£o marcante. O que se discute, ainda, √© um incentivo de R$ 1,5 bilh√£o por ano dentro de um universo de ren√ļncia fiscal na economia brasileira que alcan√ßou R$ 277 bilh√Ķes em 2015. O Governo Federal j√° diminuiu, de forma acertada, aquele montante.

Precisaria prevalecer, agora, o bom senso. Nova rodada de melhoria de efici√™ncia energ√©tica ser√° exigida dos fabricantes por mais 10 anos, em dois per√≠odos quinquenais. √Č preciso continuar a investir em pesquisa e desenvolvimento. Sem nenhum incentivo, esse esfor√ßo sai do Brasil para o exterior. Simples assim.

RODA VIVA

 FORD mostrou seu novo aventureiro Ka Freestyle com cinco meses de anteced√™ncia de sua chegada ao mercado. √Č um hatch de visual mais arrojado que a atual vers√£o Trail e altura de rodagem um pouco maior. A f√°brica n√£o informou o trem de for√ßa, por√©m a coluna adianta: motor 1,5 L tricilindro (nacionalizado j√° a partir de mar√ßo) e c√Ęmbio autom√°tico de seis marchas.

ANO de 2018 come√ßou com crescimento acima do esperado. Sobre janeiro de 2017 cresceram as vendas (23,1%), produ√ß√£o (24,6%) e exporta√ß√Ķes (23,6%). Os estoques, por raz√Ķes sazonais, ficaram no m√™s passado em 38 dias, pouco acima do ideal (30 dias) e do considerado normal (35 dias). Algumas previs√Ķes de vendas em 2018 subiram para mais 15%.

MOTOR V-6 turbo (dupla voluta) de 354 cv e nada menos que 51 kgfm de torque garante ao SUV Audi SQ5 acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 5,4 s. Pre√ßo tamb√©m √© desafiador ‚Äď R$ 397.400 ‚Äď mas inclui sistema de som 3D, proje√ß√£o de informa√ß√Ķes no para-brisa, tra√ß√£o 4×4 permanente, rodas de 20 pol., recursos de condu√ß√£o semiaut√īnoma e at√© porta-copos climatizado.

PRIMEIRA impress√£o √© a que fica. Toyota n√£o aceitou o ad√°gio popular e melhorou n√≠veis de acabamento e equipamentos do Etios. Tanto hatch quanto sed√£ come√ßam a superar a fase inicial ruim. Parte mec√Ęnica nunca sofreu cr√≠ticas. Ainda assim, os dois modelos receberam op√ß√£o de caixa autom√°tica de quatro marchas, a pre√ßo competitivo e uso convincente no dia a dia.

HONDA tratou de repaginar o City, na vers√£o 2018, para enfrentar tempos de concorr√™ncia com Virtus e Cronos. Para-choques dianteiro e traseiro, grade, lanternas e far√≥is de LED, airbags laterais de s√©rie e nova central multim√≠dia para Android Auto e Apple CarPlay s√£o as principais mudan√ßas. Pre√ßos v√£o de R$ 60.900,00 (c√Ęmbio manual) a R$ 83.400,00 (c√Ęmbio CVT).

Contatos do autor: fernando@nullcalmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2

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